Unicórnio brasileiro QI Tech mira IPO e prepara ofensiva de R$ 4 bilhões em aquisições

Fintech aposta em crescimento acelerado, novas verticais e aquisições para fortalecer tese de investimento e atingir valuation de US$ 15 bilhões na abertura de capital, explicou o CEO Pedro Mac Dowell em entrevista à Bloomberg Línea

Segundo Pedro Mac Dowell, CEO e fundador, a QI Tech vai iniciar a migração dos fundos e começará a investir na venda cruzada dos serviços

Bloomberg Línea Brasil — Unicórnio de infraestrutura tecnológica para serviços financeiros, a QI Tech está otimista com a possibilidade de entrar no mercado de capitais norte-americano em meados do próximo ano, surfando em uma janela de IPOs que começa a ganhar tração no exterior.

E, para chegar preparada para a listagem na Nasdaq, a fintech opera em várias frentes: em movimentos orgânicos e, principalmente, inorgânicos. A companhia tem uma estratégia agressiva de consolidação que prevê até R$ 4 bilhões para fusões e aquisições (M&A).

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“O nosso grande objetivo é continuar crescendo nesse ritmo de 60% a 70% ao ano, mantendo a margem EBITDA acima de 50% e a margem líquida próxima de 45%”, contou Pedro Mac Dowell, co-fundador e CEO da QI Tech, em entrevista à Bloomberg Línea. Para este amo, a projeção da startup é faturar na casa dos R$ 2 bilhões.


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Segundo o executivo, embora a empresa já possua porte para abrir capital, a estratégia é atingir um patamar de US$ 500 milhões em lucro ou EBITDA até 2027. “Se pegarmos o múltiplo de companhias comparáveis que crescem nesse ritmo, negociadas entre 30 e 60 vezes, estamos buscando um valor de companhia de US$ 15 bilhões no IPO.”

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Avanço em seguros e financiamento

Para sustentar o ritmo de expansão nos próximos cinco anos e blindar a tese de crescimento antes de acessar o mercado externo, a companhia está diversificando o portfólio.

As principais verticais hoje são Banking as a Service (BaaS) e produtos de empréstimos (Lending as a Service), a maior vertical do negócios atual, que processa entre R$ 9 bilhões e R$ 10 bilhões em crédito mensalmente.

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Uma grande aposta é a entrada regulada no setor de seguros. Após movimentar R$ 240 milhões em prêmios atuando com o apoio de parceiros, a empresa submeteu o pleito para estruturar sua própria seguradora junto à Superintendência de Seguros Privados (Susep).

“Montamos toda a estrutura e depositamos o capital exigido, entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Estamos nos trâmites finais para a liberação da licença”, disse Mac Dowell.

O foco inicial será em seguros de menor tíquete e riscos pulverizados, como seguro prestamista, residencial e de vida, integrados diretamente na jornada de clientes corporativos como Vivo e 99.

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Outra avenida de crescimento mapeada é o mercado de financiamento automotivo, que movimenta cerca de R$ 20 bilhões por mês no segmento de veículos leves no país.

A QI Tech planeja oferecer uma plataforma white label para concessionárias e lojistas de pequeno e médio porte, permitindo simulações e concessão de crédito com garantia automotiva (car equity) em menos de dez minutos, acirrando a disputa com bancos tradicionais e digitais.

O caminho para crescer no setor deve contar com uma aquisição, atualmente em fase de negociação. Na divisão de seguros, a QI Tech optou por fazer tudo dentro de casa.

Juntas, segundo os cálculos do co-fundador, as duas novas verticais devem responder por 15% a 20% do negócio no longo prazo.

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Plano de R$ 4 bilhões

No plano para o IPO, a companhia prevê, pelo menos, três operações de M&A até o final deste ano, divididas entre ativos de grande, médio e pequeno porte. O foco estará na compra de concorrentes e no fortalecimento das áreas de infraestrutura, incluindo a custódia de FIDCs e distribuidoras de títulos e valores mobiliários (DTVMs) independentes.

O perfil das companhias de interesse da QI Tech está em negócios que, somados, podem agregar entre R$ 300 milhões e 500 milhões em EBITDA.

Fundada em 2018, a fintech acumula três aquisições. A última movimentação foi a compra da Singulare, em 2023.

Para financiar os acordos, a QI Tech dispõe de um orçamento de R$ 4 bilhões. “Temos R$ 1 bilhão em caixa próprio e acesso a mais R$ 2 bilhões em linhas adicionais. O restante, cerca de R$ 1 bilhão, pretendemos estruturar por meio de troca de ações”, detalhou o CEO.

De acordo com Mac Dowell, a utilização de equity nas transações é estratégica para garantir o alinhamento de longo prazo com os fundadores das empresas adquiridas durante o processo de integração, estimado em até um ano e meio por ativo.

Crescimento

O crescimento orgânico recente tem sido impulsionado expressivamente pela entrada de gigantes do e-commerce e de plataformas sociais asiáticas no mercado brasileiro, como a Shopee e o TikTok.

Essas companhias utilizam as soluções de embedded finance da QI Tech para viabilizar carteiras digitais, cartões de crédito com limite e ferramentas de crediário parcelado na ponta. Atualmente, a infraestrutura da fintech alcança, de forma direta ou indireta, cerca de 20 milhões de CPFs no país.

Questionado sobre as condições de mercado para a listagem, a análise do executivo é que a janela atual, focada em ativos americanos, vai abrir espaço, num momento subsequente, para outros mercados.

“Assim que o investidor norte-americano absorver os grandes ativos domésticos, haverá uma migração natural de capital em busca de retornos em mercados emergentes maduros. O Brasil, pelo seu tamanho e sofisticação financeira, desponta como o principal destino na América Latina”, disse o CEO.

A QI Tech alcançou o status de unicórnio em 2024, após receber uma extensão de US$ 50 milhões, em movimento puxado pela General Atlantic e Across Capital. Meses antes, havia recebido um aporte de US$ 200 milhões, em rodada liderada pela General Atlantic.