Bloomberg Línea — Com um mundo em uma nova corrida armamentista, as startups de defesa, especialmente de origem americana, continuam atraindo os olhares do mercado de venture capital. O setor fechou o semestre com US$ 35,4 bilhões em aportes, distribuídos por 415 rodadas.
No segundo trimestre, segundo levantamento da PitchBook, o tíquete médio por rodada subiu para US$ 91 milhões, versus cerca de US$ 80 milhões no primeiro trimestre. Ao mesmo tempo, o número de captações caiu de 251 para 164 no mesmo intervalo, o que revela uma maior concentração e rodadas maiores.
O símbolo dessa concentração foi a Série H de US$ 5 bilhões captada pela fabricante de armas Anduril Industries, fechada em maio. O novo aporte na startup, que já tinha levantado 2,5 bilhões no ano passado, representou um terço de todo o valor investido no trimestre.
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As dez maiores rodadas do período somaram 62% do capital total movimentado — entre elas, aportes em Groq (US$ 650 milhões), Cyera (US$ 600 milhões), Impulse Space (US$ 500 milhões), Form Energy (US$ 495 milhões) e Helion (US$ 465 milhões). Na lista, apenas a Cyera, fundada em Israel, embora com operação centrada nos Estados Unidos, não é americana.
Cinco dessas dez startups atuam em segmentos de uso dual — semicondutores, energia e segurança da informação — e não por empresas de defesa pura.
Para a PitchBook, isso indica que parte relevante do capital chega ao setor por meio de empresas comerciais que também atendem ao mercado de defesa, o que faz um recorte apenas pelos “top 10” subestimar o volume real de capital circulando na área.
Do lado das saídas, o primeiro semestre de 2026 também foi marcado por liquidez elevada. O IPO da SpaceX, fechado em 12 de junho, avaliou a empresa fundada pore Elon Musk em US$ 1,69 trilhão — de longe o maior evento do período.
Mesmo excluindo essa listagem, o valor de saídas do semestre, próximo de US$ 72 bilhões, ainda supera qualquer ano completo anterior. Entre os destaques, estão os IPOs da Cerebras Systems (US$ 34,2 bilhões), X-energy (US$ 8 bilhões), Fervo Energy (US$ 5,8 bilhões) e HawkEye 360 (US$ 2 bilhões), além da aquisição da Armis por US$ 7,75 bilhões.
O tamanho da rodada da Anduril também ajuda a explicar por que a empresa segue como protagonista do movimento de reindustrialização da defesa nos Estados Unidos, como veiculado em reportagem no ano passado. A fabricante de armas está construindo a Arsenal-1, mega fábrica em Ohio do tamanho de 87 campos de futebol, projetada para produzir em escala drones, mísseis e outros sistemas autônomos com força de trabalho estimada em 4.500 pessoas.
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A lógica por trás desses investimentos, segundo executivos e investidores ouvidos à época, era antecipar capacidade produtiva antes mesmo da garantia de contratos com o governo americano — uma aposta considerável, já que as cem maiores startups do setor haviam recebido mais de US$ 70 bilhões em capital de risco, mas garantido apenas cerca de US$ 29 bilhões em contratos públicos, segundo dados do Silicon Valley Defense Group citados na reportagem.









