Olist põe IA no centro da estratégia, cresce 65% e quer criar modelos proprietários

Unicórnio curitibano usa agentes autônomos em vendas, logística e atendimento para escalar a operação e tentar ser comparável com startup IA-native, disse o CEO e fundador Tiago Dalvi à Bloomberg Línea

Escritório da Olist
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Bloomberg Línea Brasil — Depois da criação de uma vertical própria de logística e da entrada em crédito, a partir da aquisição da Flip, o unicórnio curitibano Olist abre um capítulo em que a inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta de apoio para se tornar o eixo estratégico por trás do produto, operação e crescimento da companhia.

“Nós acreditamos que ao longo dos próximos meses a Olist tem que ser comparável com qualquer empresa que nasceu como uma AI native, até porque não deveria ter outro tipo de empresa no futuro”, afirmou o fundador e CEO Tiago Dalvi em entrevista à Bloomberg Línea.

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A receita líquida da startup, fundada em 2013 e conhecida pela sua plataforma de gestão para pequenos e médios negócios (ERP), cresce 65% na comparação anual, o ritmo mais acelerado dos últimos cinco anos.

À medida que vira um ecossistema, como serviços de integração com marketplaces, serviços bancários e financeiros e logística, a Olist aumenta também o números de competidores, que vão desde negócios mais tradicionais como sistema Totvs e Locaweb (LWSA) até outras startups, como Nuvem Shop, Omie e a Cora.


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A companhia começou o ano crescendo 50% ano contra ano e, segundo Dalvi, a expectativa é seguir acelerando.

“A Envios da Olist cresceu oito vezes. Isso seria impossível sem esse uso de IA”, disse Dalvi, referindo-se ao salto da vertical de logística lançada oficialmente há um ano, após um período em stealth. Segundo ele, hoje 100% do contato inicial com clientes da divisão de logística já é conduzida por agentes de inteligência artificial.

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Na frente comercial, agentes autônomos respondem por cerca de 20% dos fechamentos de vendas de ponta a ponta, concentrados principalmente nas etapas de prospecção e qualificação, antes da entrada de um vendedor humano para as etapas mais consultivas, e em clientes com menor complexidade.

“Os vendedores que antes focavam na camada de prospecção e qualificação hoje estão trabalhando em clientes um pouco sofisticados”, afirmou. “E com isso, hoje, nós conseguimos entrar em um perfil de cliente maior e o tíquete médio tem aumentado, com uma alta de quase 50% ano contra ano”. A empresa não revela o valor do tíquete médio.

A Olist soma pouco menos de 60 mil clientes ativos e, de acordo com números internos, mais da metade usa recursos de IA ao longo da jornada. Cerca de 30% dos usuários recorrem a essas ferramentas de forma recorrente dentro da plataforma.

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No centro dos investimentos em inteligência artificial está a Lis, que atua em canais como WhatsApp, aplicativo, texto e voz e opera em automações e agentes de IA. Lançada oficialmente em julho de 2025, a ferramenta já responde por quase 100% do atendimento de nível primário. O contato só é repassado a um humano, segundo o CEO, quando o contexto da dúvida não está disponível na base de conhecimento.

Hoje, cerca de 210 mil ações e processos mensais já acontecem via inteligência artificial na operação da Olist, com mais de 30 agentes ativos em áreas como atendimento, vendas, marketing, logística e análise de dados, e aproximadamente 75 mil automações executadas todo mês pela plataforma.

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A Lis é agente orquestradora construída a partir de múltiplos modelos de linguagem (LLMs), abertos e fechados. A decisão procura equilibrar custo e sofisticação, conforme o caso de uso. Segundo o executivo, o custo para executar uma ação via IA caiu cerca de cinco vezes nos últimos 18 meses.

“Como visão, nós acreditamos que os modelos abertos estão evoluindo muito e teremos modelos proprietários ao longo dos próximos anos, até por conta do custo e da defesa da nossa inteligência proprietária”, afirma Dalvi. “Isso deve trazer ainda mais rentabilidade para o negócio, sem perder competitividade, sem perder qualidade e profundidade das análises, da entrega de valor”.

Virada de chave

A reorganização levou a companhia a repensar seu portfólio e a decisão mais simbólica foi a descontinuidade da Loja Olist, produto que deu origem ao negócio há 11 anos e que cedeu espaço a soluções de maior escala e recorrência dentro do ecossistema.

A prioridade por IA nasceu nas metas do próprio CEO e do conselho e foi replicada a todas as áreas da companhia, segundo Dalvi, levando times de engenharia, produto e design a migrar de squads maiores para grupos de três a cinco pessoas, com desenvolvimento mais autônomo.

“Nós ainda não viramos 100% da engenharia para criação de códigos a partir de prompts, está em pouco mais da metade, mas devemos fazer isso nos próximos meses”, diz.

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Nesta guinada, a proficiência em IA, segundo Dalvi, passou a ser critério avaliado nos ciclos semestrais de desempenho da companhia.

Segundo o executivo, a Olist não fez demissões atribuídas ao uso de IA — houve uma redução pontual na equipe de suporte de nível primário, mas a maior parte dos profissionais foi realocada para atendimento mais complexo ou para times de customer success. A companhia soma hoje 652 funcionários.

A migração para uma AI-first, assim como a criação modelos proprietários, novos produtos e eventuais aquisições devem ser bancados, por ora, com caixa próprio, que classificou como “robusto” desde a última captação, sem detalhar valores.

No ano passado, em entrevista à Bloomberg Línea, Dalvi contou que cerca de R$ 500 milhões do aporte de US$ 186 milhões na rodada Série E liderada pelo fundo Wellington Management em 2021, quando a startup atingiu o status de unicórnio, estavam preservados.

Uma nova rodada deve começar a ser prospectada a partir do ano que vem, segundo o fundador. “Nós devemos começar a conversar com os fundos pensando no salto no salto de crescimento futuro de todas essas. Uma companhia que cresce dois dígitos altos e que espera sustentar esse ritmo de crescimento dos 65 % à frente, apesar de ser super desafiador”, afirma.