Bloomberg Línea — A Petrobras (PETR4) aceitou suspender dois contratos de afretamento que somam R$ 413,2 milhões. Os navios rebocam e ancoram plataformas e estão parados desde dezembro à espera de peças importadas, segundo fato relevante divulgado pela MLog, companhia dona das embarcações na noite da última sexta-feira (31).
A operadora é a Columbus Offshore, subsidiária integral da MLog, e o valor suspenso equivale a 62,3% do seu backlog, a receita já contratada e ainda não faturada, de R$ 663,6 milhões ao fim de março.
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Metade da frota de quatro navios sai de operação em um momento de demanda aquecida: a estatal vem extraindo acima da capacidade de projeto de seus FPSOs (Floating Production Storage and Offloading), os navios-plataforma que produzem, armazenam e transferem petróleo em alto-mar, e atingiu recorde de 3,34 milhões de barris diários de óleo equivalente no segundo trimestre.
A parada é de 365 dias para uma embarcação (Geonísio Barroso) e 240 para a outra (Yvan Barretto), com possibilidade de retorno antecipado.
Segundo o fato relevante, a estatal se comprometeu a religar os contratos ao fim do período e a somar ao prazo remanescente intervalo equivalente. O efeito recai sobre o caixa dos próximos trimestres, não sobre o tamanho da carteira.
O caixa da MLog já estava apertado antes da suspensão. O retrato mais recente é o das informações trimestrais divulgadas em 15 de maio, referentes aos três meses até 31 de março, quando o Geonísio Barroso já acumulava o trimestre inteiro parado e o Yvan Barretto, dois meses.
Na Columbus Offshore, a taxa de operacionalidade da frota, que mede o tempo em que as embarcações estão aptas a faturar, caiu para 56,7%, ante 98,1% um ano antes, e a receita recuou 29,3%, para R$ 30,6 milhões.
A receita líquida da MLog, que reúne ainda a navegação fluvial da CNA, somou R$ 45,5 milhões, queda de 22,5%, e o prejuízo chegou a R$ 22,3 milhões, ante R$ 9,4 milhões no mesmo trimestre de 2025.
A alavancagem subiu de 2,91 para 3,87 vezes o Ebitda ajustado anualizado, com dívida líquida de R$ 241,4 milhões. O caixa consolidado somava R$ 26,1 milhões e o passivo circulante superava o ativo circulante em R$ 121,3 milhões.
A Grant Thornton apontou incerteza relevante sobre a continuidade operacional, sem ressalvar a conclusão da revisão.
Para preservar liquidez, a companhia suspendeu o pagamento de dívidas, negocia com credores, vendeu um terreno em Linhares no Espírito Santo por R$ 18 milhões e tomou em abril um empréstimo de R$ 2 milhões dando em garantia um dos contratos agora suspensos.
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Parte da perda é coberta por seguro: R$ 5,5 milhões de lucros cessantes recebidos em março e mais R$ 6,5 milhões previstos para maio, pagos pela Fairfax. As estimativas supunham retorno das embarcações em junho e apontavam renúncia de receita de R$ 47,2 milhões. Com a suspensão, a conta cresce.
Segundo o comunicado, as embarcações podem atender outros clientes no intervalo, mas um navio parado por falta de peça não está disponível para ninguém.
“A companhia envidará seus melhores esforços para colocá-las em serviço”, informou a MLog no comunicado assinado pelo diretor financeiro e de relações com investidores, Paulo Guilherme Autran Seidel.
Histórico de embarcações
Geonísio Barroso e Yvan Barretto são do tipo AHTS (Anchor Handling Tug Supply), navios que rebocam plataformas e manuseiam suas âncoras. Entraram em contratos de quatro anos com a estatal em abril e maio de 2025, com término firme em maio de 2029.
Foram encomendados em 2001 pela Delba Marítima, em um pacote de três que custou US$ 94 milhões, com 85% financiados pelo Fundo da Marinha Mercante.
O Geonísio Barroso, entregue em maio de 2004, foi o primeiro AHTS construído no Brasil. Passaram pela Bourbon Offshore Marítima e, em 2020, pela Asgaard Bourbon Navegação, comprada integralmente pela MLog em março de 2026 e rebatizada Columbus Offshore.
A MLog nasceu em 2011 para tocar o projeto de minério de ferro Morro do Pilar, em Minas Gerais, ainda pré-operacional. Enquanto a mina não sai do papel, a navegação banca a companhia. Dos quatro navios, restam dois em plena operação, com aproveitamento de 96,7% no trimestre.
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