Mudança estrutural no escritório: home office e juros levam obras à mínima em 25 anos

Levantamento da Cushman & Wakefield mostra redução na construção de espaços e aponta uma transformação do setor nas Américas. Brasil se mantém como um dos mercados mais competitivos da região, disse a diretora de Project & Development Services, Fernanda Machado, à Bloomberg Línea

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Bloomberg Línea — O volume de novos escritórios em construção atingiu o menor nível em 25 anos nas Américas, diante do avanço do sistema híbrido de trabalho, juros elevados e maior cautela das empresas acerca da expansão imobiliária, segundo o estudo Office Fit Out Cost Guide 2026, da Cushman & Wakefield.

A redução drástica na construção de novos espaços marca uma transformação estrutural no setor, com impactos que se estendem desde os grandes centros norte-americanos até os mercados emergentes da América Latina.

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“O cenário projetado para 2026 indica a continuidade de um ambiente de pressão de custos, ainda que com avanço mais moderado do que nos anos de pico inflacionário”, afirma a diretora de Project & Development Services para América Latina da Cushman & Wakefield, Fernanda Machado, em entrevista à Bloomberg Línea.


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A metodologia do estudo abrange 59 mercados nas Américas, incluindo Canadá, Estados Unidos e México, com dados referentes a 2026, coletados de empresas da construção civil sobre as expectativas de custos.

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A métrica utilizada é pé quadrado (sqft, e não m²), para efeitos de comparação com mercados como Estados Unidos. Um metro quadrado equivale a 10,7 pés quadrados.

Conforme o levantamento, o Brasil se mantém como um dos mercados mais competitivos da região em termos de preços do pé quadrado, com custo médio de US$ 79.

Isso ocorre em meio à pressão crescente de custos de construção no país, que subiram 50% em relação a 2025, impulsionados por recomposição inflacionária, ajustes na cadeia de fornecedores e fatores cambiais. Somente os custos de acabamentos em geral tiveram crescimento de 177% no período.

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O valor médio registrado no Brasil só fica atrás, em termos de competitividade de preços, da Argentina (US$ 57). Estes países, assim como Colômbia, Chile e Peru registraram preços bem abaixo daqueles reportados nos mercados com custos mais caros.

Estes seguem concentrados nos Estados Unidos, especialmente na Costa Oeste, com destaque para São Francisco (US$ 228), San Jose (US$ 224) e Seattle (US$ 223).

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O relatório aponta que os custos elevados nessas metrópoles dos Estados Unidos são impulsionados por custos de mão de obra; forte presença sindical; requisitos rigorosos de códigos de construção e energia; padrões de conformidade sísmica e despesas operacionais e de seguros consistentemente altas.

Segundo Machado, fatores estruturais seguem influenciando o mercado, com a reconfiguração das cadeias de suprimento, impactos de políticas comerciais e tarifas e aumento da complexidade dos projetos, o que inclui tecnologia, exigências de ESG e eficiência energética.

Embora alguns mercados apresentem focos de demanda forte, a atividade geral de construção permanece reprimida. As empresas consultadas não esperam declínio dos custos de materiais ou mão de obra nos próximos seis meses.

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Diante dos preços de insumos crescentes e desaceleração da atividade, uma parcela crescente das construtoras acredita que haverá absorção de parte do aumento de custos, sem a possibilidade de repasse para os clientes.

Os custos médios de implantação de escritórios atingiram US$ 149 por pé quadrado, um aumento de 5,5% em relação ao relatório de 2025. O avanço se alinha com as tendências de inflação local, embora alguns mercados tenham divergido notavelmente.

Neste contexto, Machado alerta que há uma disponibilidade menor de novos espaços. Em paralelo, é necessário que haja uma adaptação dos escritórios às novas exigências de trabalho híbrido, bem como uma busca por maior eficiência de custos e prazos.

“Além disso, há um direcionamento claro do mercado para reforma e atualização de portfólios existentes, em vez de expansão via novos desenvolvimentos, especialmente em mercados mais maduros”, destaca.

Na prática, afirma a executiva, o retrofit deixa de ser uma solução pontual e passa a ser uma estratégia central de investimento imobiliário corporativo.

Ela afirma que muitas empresas têm priorizado a ocupação e requalificação de ativos existentes, especialmente em edifícios classe A.

Oportunidades

O levantamento da Cushman aponta que, no Brasil, os custos estruturais devem permanecer baixos em relação ao resto da região, com mão de obra acessível e regulação menos complexa.

A reutilização de espaços reduz custos e acelera entregas, bem como o retrofit e a modernização têm grande potencial para readequação de escritórios existentes.

Segundo o estudo, 79% das construtoras esperam novos aumentos de custos de mão de obra e materiais nos próximos seis meses. Materiais estratégicos (cobre, concreto, componentes elétricos) seguem pressionados globalmente.

Para a consultoria, há um novo paradigma neste mercado, com o escritório deixando de ser uma despesa e passando a ser investimento estratégico, ao equilibrar experiência, produtividade e eficiência financeira.

“O mercado está migrando de um ciclo de ‘choque inflacionário’ para um contexto de custo estruturalmente mais elevado e mais complexo de gerenciar”, diz Machado.

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