Eliminação do Brasil reduz expectativa de impulso para vendas de cerveja, dizem analistas

Saída precoce da seleção limita o potencial de consumo de cerveja nas fases decisivas do torneio, o que afeta perspectivas para Ambev e Heineken; Morgan Stanley, JPMorgan e Citi apontam menor efeito positivo da Copa sobre vendas após a eliminação

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Bloomberg Línea — A eliminação do Brasil na Copa do Mundo frustra a expectativa de que o torneio ajudasse os volumes de cerveja no período total da competição. A ação da Ambev (ABEV3) caiu 2,52% nesta segunda-feira (6), um dia depois da derrota para a Noruega nas oitavas de final do torneio.

O JPMorgan projetava alta de 10% no volume de cerveja no Brasil para a empresa no segundo trimestre, encerrado em 30 de junho, quando o Brasil ainda estava na disputa.

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O Citi, em prévia divulgada nesta segunda-feira (6), esperava 5,8%, com receita crescendo 11,9% e Ebitda subindo 13,7%. Nenhuma das duas projeções é afetada com o resultado de ontem, porque o segundo trimestre já tinha fechado.


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O relatório do Citi ajuda a entender por que a Copa pesa tanto nessa conta. O banco esperava um empurrão do clima neste trimestre, mas isso não veio, já que as temperaturas ficaram apenas 0,3°C abaixo do ano anterior.

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Sem esse vento a favor, o crescimento de 5,8% projetado pelo banco depende ainda mais das comparações fáceis com junho e do próprio torneio, exatamente o fator que perde força com o Brasil fora. O Citi resume o cenário como “praticamente neutro” para o trimestre.

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Queda do México

O problema também atinge o México. Analistas do Morgan Stanley, liderados por Sarah Simon, apontam que as vendas de cerveja na América Latina no terceiro trimestre correm risco de ficar abaixo do esperado, depois que as duas seleções caíram no domingo.

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O banco escreveu que o aumento de volume de cerveja se concentra em jogos que avançam para as fases finais do torneio.

A Ambev é apontada pelo Morgan Stanley como a mais exposta a esse risco, por causa da venda de marcas como Corona e Brahma no Brasil e no México.

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A Heineken também tem exposição relevante. As ações da Heineken recuaram 1,4% em Amsterdã nesta segunda.

Para o Morgan Stanley, a eliminação do Brasil deve pesar mais do que a do México, dado o tamanho do mercado brasileiro de cerveja e as expectativas mais altas para o torneio. Os analistas resumem o efeito como a ausência do crescimento incremental que teria ocorrido se qualquer uma das seleções tivesse avançado mais na competição.

Copa continua

Os jogos das quartas de final, semifinal e decisão acontecem entre os dias 9 e 19 de julho, a fase do torneio que mais gera bar cheio e consumo de cerveja.

O JPMorgan já via esse risco antes do jogo de domingo. Em relatório de 25 de junho, o analista Lucas Ferreira explicou que o banco prefere cautela com o efeito Copa, porque o evento nunca sustentou os lucros da Ambev no passado. Ferreira escreveu: “historicamente, o evento não conseguiu impulsionar os lucros”.

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O precedente é de 2022. Naquele ano, a Copa somou 1,5 ponto percentual ao volume de cerveja no trimestre.

A eliminação precoce do Brasil, sozinha, tirou 1 ponto percentual. O clima mais frio que o esperado para aquele período do ano tirou outro. O episódio mostra, segundo o banco, que “a execução comercial não é a única variável relevante”.

O BTG Pactual já havia sinalizado que o desempenho da Ambev nunca depende de uma variável só.

Em relatório assinado por Thiago Duarte e Guilherme Guttilla sobre o segundo trimestre de 2025, o banco reconheceu que o clima explicava boa parte da queda de volume daquele período, mas ponderou que havia mais fatores em jogo. Segundo o BTG, “há mais do que apenas as baixas temperaturas”.

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O Citi resume bem essa mudança de fase da tese. O banco explica que o debate deixou de ser se os volumes vão se recuperar, e passou a ser sobre o tamanho dessa recuperação.

Nas palavras do Citi, a questão agora é “a magnitude e a sustentabilidade dessa recuperação”. A eliminação de ontem entra direto nessa segunda pergunta: não ameaça a recuperação em si, ameaça o tamanho dela daqui para frente.

Um dado ajuda a entender a reação desta segunda. Nos seis meses antes de quatro das cinco últimas Copas, a ação da Ambev subiu mais que o Ibovespa. Antes desta edição, a alta relativa foi de 12,4%. Parte da aposta no torneio já estava no preço da ação.

A ação segue com alta de 17,24% em 12 meses e 15,09% no ano. A queda de hoje é um ajuste pontual, não uma reversão de tese. O Citi mantém recomendação Neutra e preço-alvo de R$ 16,50, reconhecendo que o cenário operacional melhorou, mas ainda depende de prova de que a recuperação se sustenta além das comparações favoráveis.

-- Com informações da Bloomberg News

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