Bloomberg Línea — As baixas temperaturas registradas em maio e início de junho no Brasil têm sido um dos fatores por trás da redução de preços de cervejas no país, enquanto as fabricantes de bebidas se preparam para um possível aumento do consumo durante a Copa do Mundo.
Pelo segundo mês consecutivo, Ambev (ABEV3), Heineken e Petrópolis reduziram os preços no varejo, de acordo com um monitoramento mensal do J.P. Morgan, que rastreou mais de 1 milhão de pontos de preço em 700 municípios brasileiros.
A cervejaria Petrópolis registrou o maior recuo, de 2,8% nos preços em relação a abril. Ambev caiu 0,6% e Heineken, 0,5%. Os três grupos são os líderes no mercado brasileiro.
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Para Lucas Ferreira, analista de alimentos e bebidas do J.P. Morgan, o movimento ainda exige cautela na leitura. “Preferimos ser mais conservadores e aguardar novos dados para confirmar se os cortes de preço vão persistir”, escreveu ele no relatório.
O analista levanta duas hipóteses: o acirramento da concorrência após ganhos recentes de participação de mercado pela Ambev, ou o descarte de estoques acumulados na temporada de verão.
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A segunda hipótese tem respaldo sazonal claro. Com os termômetros caindo e o consumo desacelerando, as cervejarias chegam a junho com estoques rodados do ciclo quente e precisam baixar o preço para manter o giro nas gôndolas. O frio, nesse sentido, não é inimigo do setor, mas um gatilho para promoções.
Na região metropolitana de São Paulo, um dos maiores mercados consumidores, o clima mais frio tem sido registrado nas últimas semanas, e a Defesa Civil está em estado de atenção para baixas temperaturas desde 28 de maio.
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A expectativa agora é de mais frio à frente. Segundo o Cepagri, centro de pesquisas climáticas da Unicamp, junho terá duas frentes frias no estado, e a segunda onda pode derrubar os termômetros abaixo dos 10°C no Centro-Sul, reforçada pelo ar polar.
Segundo o relatório do J.P. Morgan, no acumulado de 12 meses, contudo, o quadro é outro. O segmento premium segurou a valorização: a Budweiser LN 330ml subiu 10,6% no período, a Corona LN avançou 8% e a Becks LN, 6,1%.
No canal de bares e restaurantes, Michelob e Stella Artois lideram os ganhos anuais, com alta de 11,7% e 7%, respectivamente.
O quadro sugere um mercado dividido em dois. Consumidores de marcas premium continuam pagando mais, em qualquer estação. Já quem prefere outros produtos, encontra preços menores nas gôndolas.
Não é a primeira vez que o inverno aparece como fator nessa equação. Em setembro do ano passado, o BTG Pactual registrou que a gestão da Ambev reconheceu que 60% da queda de volume no segundo trimestre de 2025 ocorreu em junho, quando “o frio e as chuvas mais intensas reduziram o consumo fora de casa”, segundo relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.
Ainda assim, eles ponderaram que havia mais do que clima por trás do tombo, citando a decisão da Ambev de subir preços no segundo trimestre de 2025, a primeira vez desde 2012, seguida pela Heineken em julho, e sinais de desaceleração da economia: “há mais do que apenas as baixas temperaturas”.
-Texto atualizado às 23h30 para incluir análise do BTG Pactual sobre a relação entre frio e queda de volume de cerveja em junho de 2025
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