Lucro do Itaú desacelera no 3º trimestre, com atrasos das pequenas empresas em alta

Banco lucrou R$ 12,6 bilhões, como esperado, mas a alta de 6,2% foi a menor do ano; a rentabilidade caiu, e os atrasos acima de 90 dias subiram a 2% após pequenas empresas deixarem a carência de linhas do governo

Agência do Itaú
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Bloomberg Línea — O lucro do Itaú Unibanco (ITUB4) cresceu no menor ritmo do ano no terceiro trimestre de 2026, enquanto os atrasos de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) voltaram a subir.

O lucro recorrente gerencial somou R$ 12,617 bilhões, alta de 6,2% sobre o mesmo período de 2025, depois de avanços de 10,4% no primeiro trimestre e de 7,8% no segundo. O número ficou em linha com o consenso da Bloomberg, que previa R$ 12,63 bilhões.

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Nas negociações após o fechamento em Nova York, os ADRs do Itaú (ITUB) recuavam 0,14%, a US$ 7,04, às 16h45 no horário local (18h45 em Brasília). No pregão regular, os papéis haviam fechado em queda de 1,67%, a US$ 7,05.


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A inadimplência acima de 90 dias subiu para 2,0%, depois de seis trimestres estável em 1,9%. O banco atribui a alta às pequenas e médias empresas, que deixaram a carência das linhas de programas governamentais. No Brasil, o atraso desse segmento passou de 1,7% em setembro de 2025 para 2,1%, de acordo com dados mencionados pelo banco.

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A rentabilidade também recuou. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROE) caiu para 23,6%, 0,7 ponto abaixo do segundo trimestre. É a segunda queda seguida desde os 24,8% do início do ano.

Pequenas empresas no centro

O segmento que mais pressiona a inadimplência é também o que mais cresce. A carteira de MPMEs subiu 15,1% em 12 meses, puxada pelos programas governamentais. A carteira total avançou 10,2%, para R$ 1,544 trilhão.

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A alta dos atrasos seria um pouco maior sem a venda, a empresas não ligadas, de carteiras que estariam com mais de 90 dias de atraso: R$ 139,5 milhões em MPMEs e R$ 93,6 milhões em pessoas físicas. Pelo cálculo do banco, as cessões reduziram os indicadores em 0,05 e 0,02 ponto, respectivamente.

O custo do crédito somou R$ 10,4 bilhões, alta de 10,2% em 12 meses, com o indicador sobre a carteira estável em 2,7%. Os descontos concedidos cresceram 24,1% no período.

O Itaú ressalta que segue com atraso bem abaixo do sistema. Em setembro, o atraso acima de 15 dias em pessoas físicas foi de 6,7%, 6,4 pontos abaixo do mercado sem o banco.

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Tesouraria segura o trimestre

Parte relevante da alta trimestral do lucro, de 1,7%, veio da tesouraria. A margem financeira com o mercado saltou 42,3%, para R$ 1,325 bilhão, com o resultado da mesa de trading. Sem essa linha, o resultado antes de impostos teria recuado 0,4% no trimestre, segundo cálculo da Bloomberg Línea com base no balanço.

A margem com clientes cresceu 2,2%, para R$ 33,3 bilhões. O próprio banco aponta impacto negativo do mix de produtos, com mais crédito imobiliário, consignado e programas governamentais, e compressão dos spreads de ativos.

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As receitas de serviços e seguros ficaram praticamente estáveis, em R$ 14,1 bilhões, queda de 0,2% no trimestre. Assessoria financeira e corretagem caiu 26,3%, com menos emissões de renda fixa. As despesas não decorrentes de juros subiram 2,4%, para R$ 17,1 bilhões, com o reajuste salarial de 4,6% e mais ações trabalhistas.

Projeções mantidas

Em fato relevante, o Itaú manteve as projeções para 2026, entre elas crescimento da carteira de 5,5% a 9,5% e custo do crédito de R$ 38,5 bilhões a R$ 43,5 bilhões. A expansão de 10,2% em 12 meses está acima do teto da faixa.

A única revisão foi na alíquota efetiva de IR/CS, reduzida de 29,5% a 32,5% para 28% a 29%, por causa da mudança na trajetória da TJLP. O banco também passou a considerar, a partir de novembro, custo de capital em torno de 15,25% ao ano.

O capital principal (CET1) subiu de 12,3% para 12,7%. Com o CET1 em 11,5%, o ROE consolidado seria de 24,7%, segundo o banco.

“Seguimos crescendo com rentabilidade”, afirmou o CEO, Milton Maluhy Filho, em comunicado.

Até 30 de outubro, segundo dados da Bloomberg, as ações acumulavam alta de 2,3% em 12 meses, contra 13,1% do Ibovespa.

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