Skechers eleva proposta após hedge funds contestarem venda para a 3G, dizem fontes

Fabricante de calçados ofereceu US$ 65 por ação para encerrar disputa judicial movida por investidores que questionam o valor da venda de US$ 9,4 bilhões para a 3G Capital, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News; porta-vozes da Skechers e da 3G se recusaram a comentar.

Hedge funds e gestoras que contestam o preço do negócio iniciaram negociações de acordo no ano passado, mas não conseguiram chegar a um entendimento com a empresa
Por Sabrina Willmer - Yiqin Shen

Bloomberg — A Skechers USA aumentou sua oferta para encerrar um processo movido por hedge funds e outros investidores que contestam a compra da fabricante de calçados pela 3G Capital por US$ 9,4 bilhões, após as negociações de acordo fracassarem no ano passado, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram à Bloomberg News.

A empresa propôs em abril resolver a disputa por US$ 65 por ação, ou US$ 2 acima do valor pago pela 3G Capital na aquisição da Skechers em setembro, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao discutir um assunto confidencial. A oferta superou os US$ 64 por ação propostos pela empresa no ano passado, afirmaram.

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Porta-vozes da Skechers e da 3G se recusaram a comentar.

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Diversas gestoras de investimento moveram a ação como parte de uma estratégia conhecida como “appraisal arbitrage”, que consiste em comprar ações de uma empresa após o anúncio de uma aquisição e depois contestar judicialmente o valor do negócio, na esperança de que um juiz determine um preço maior.

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A prática é permitida em Delaware, estado onde a maioria das empresas americanas está registrada. Hedge funds também podem se beneficiar dos juros acumulados sobre as ações enquanto o litígio avança.

O caso da Skechers está a caminho de se tornar um dos maiores processos de appraisal da história de Delaware, com investidores originais que contestaram o preço da operação detendo ações avaliadas em US$ 1,3 bilhão.

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O caso ainda está em estágio inicial, e o juiz ainda não definiu uma data para o julgamento.

O appraisal arbitrage perdeu força no estado alguns anos atrás, depois que o principal tribunal empresarial do país emitiu decisões desfavoráveis que mantiveram o preço da transação ou até valores inferiores.

Essas contestações, porém, voltaram a ganhar espaço recentemente em Delaware, com gestoras mirando grandes aquisições que consideram conflituosas.

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Vários investidores contestaram no ano passado o valor pago pela Skechers, argumentando que o fundador da empresa, Robert Greenberg, e seu filho fecharam um acordo supostamente injusto em meio ao caos provocado pelos anúncios de tarifas feitos pelo presidente Donald Trump em 2 de abril de 2025.

Os anúncios derrubaram as ações da companhia, que produz uma parcela significativa de seus calçados na China e no Vietnã.

A família Greenberg, que detinha aproximadamente 60% do poder de voto, aprovou o acordo no mês seguinte em um processo que não incluiu votação dos acionistas minoritários, segundo documentos apresentados à Justiça pelos autores da ação que contestam a equidade da operação.

A 3G Capital e a Skechers afirmaram anteriormente, quando o negócio foi anunciado em 5 de maio de 2025, que o preço de compra representava um prêmio de 30% em relação à média ponderada pelo volume das ações da empresa nos 15 dias anteriores.

Hedge funds e gestoras que contestam o preço do negócio iniciaram negociações de acordo no ano passado, mas não conseguiram chegar a um entendimento com a empresa, informou anteriormente a Bloomberg.

Os investidores buscavam um valor superior ao que a Skechers, já controlada pela 3G, estava disposta a pagar.

Alguns investidores podem optar por um acordo porque não conseguem manter ativos ilíquidos por um longo período. Um acordo antecipado também pode ajudar a reduzir o risco para a empresa em casos com muitos litigantes.

Ainda não está claro quantas gestoras decidiram fechar acordo até agora.

Documentos judiciais mostram que a Skechers chegou a um acordo com pelo menos um hedge fund, a Hudson Bay Capital Management, sediada em Connecticut. Os termos do acordo firmado em abril não foram divulgados.

Na sexta-feira, a chanceler de Delaware Kathaleen St. J. McCormick aprovou a resolução e retirou a Hudson Bay do caso.

A Hudson Bay não respondeu a um pedido de comentário.

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