Universalização prevista no marco do saneamento deve ser desigual até 2033, dizem CEOs

Segundo líderes de empresas do setor, incluindo a Sabesp, os desafios vão além do volume de investimentos, com destaque para capacidade de execução dos projetos

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Bloomberg Línea — Empresas e agentes do setor de saneamento já trabalham com a perspectiva de que as metas de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033, previstas no novo marco regulatório, não devem ser atingidas em todo o país.

Neste contexto, embora a Sabesp (SBSP3) não descarte olhar novos leilões, a prioridade da companhia, atualmente, é atingir as metas do novo marco.

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“[Participar de leilões] nunca é algo que descartamos, mas é preciso analisar a conjuntura. O que nós não mudamos é o nosso compromisso com o contrato que temos a entregar”, disse o presidente da Sabesp, Carlos Piani, a jornalistas após evento promovido pelo grupo empresarial Lide nesta quarta-feira (4).

De acordo com projeção divulgada no início de outubro pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), apenas sete estados devem atingir as metas de universalização do esgoto até 2033.

Na distribuição de água, serão somente 15 unidades da federação a alcançar os indicadores determinados pela regulação.

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Na avaliação do CEO da Acciona no Brasil, André de Angelo, o país não precisa somente de mais investimentos, mas também capacidade de execução. “Governos mudam, mas os contratos de infraestrutura ficam, são investimentos de longo prazo. Ninguém faz isso sozinho, é preciso regulador, financiador, empresas”, afirmou.

Após as eleições e a consequente expectativa de manutenção do patamar atual da taxa básica de juros, Piani ressaltou que qualquer investimento em infraestrutura é plurianual. Um exemplo disso é o contrato de concessão da Sabesp, de 35 anos.

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“O que está contratado [para nós] são aproximadamente oito mudanças de governo. Cabe a nós entender as condições do mercado em cada momento e lidar com elas”, afirma.

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Ele salienta que o mercado tem suportado o plano de investimentos da companhia. “Temos uma estrutura de capital adequada para fazer os investimentos necessários. Se o juro não baixar, daremos um jeito.”

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Segundo levantamento do Instituto Trata Brasil, os projetos em estruturação no setor somam, hoje, R$ 58,4 bilhões, destinados a 18 milhões de pessoas em 625 municípios do país.

Desde a aprovação do novo marco regulatório do saneamento, em 2020, o investimento anual por habitante no setor cresceu 51%.

A entidade projeta que, até 2040, a economia com saúde no Brasil deve alcançar R$ 25,1 bilhões. Os efeitos indiretos também são significativos. Conforme o instituto, com a coleta e o tratamento de esgoto e a consequente despoluição esperada de córregos, rios e mares, estima-se que os ganhos de renda do turismo até 2040 atinjam R$ 80 bilhões no país.

O instituto projeta ainda um ganho geral de renda e produtividade do trabalho de R$ 437 bilhões no país, bem como uma valorização imobiliária: estima-se um ganho para os proprietários de imóveis que alugam ou que vivem em moradia própria com acesso ao saneamento de R$ 48 bilhões no período.

A CEO do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, pondera, contudo, que os estados ainda precisam trabalhar em indicadores críticos no setor, como a redução do nível de perdas de água dos atuais 39% para 25% em 2033.

“As regiões com os piores indicadores econômicos é onde temos o menor investimento em saneamento. Essa desigualdade vai crescer se a gente não mudar”, observa a dirigente.

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