Bloomberg — A receita anual da Fast Retailing, proprietária da Uniqlo, subiu 17%, atingindo um recorde de 3,96 trilhões de ienes (US$ 25 bilhões), colocando-a firmemente no caminho para ultrapassar a H&M como a segunda maior varejista de vestuário do mundo e disputar com a Zara o primeiro lugar.
Esse marco nas vendas ressalta a ascensão da Fast Retailing entre as varejistas globais de moda popular, com vendas que devem superar as da Hennes & Mauritz, que, segundo projeções de analistas, deve registrar vendas de 222,7 bilhões de coroas suecas (US$ 22,3 bilhões) para seu exercício fiscal encerrado em novembro, ao mesmo tempo em que reduz a diferença em relação à Industria de Diseño Textil (Inditex), proprietária da Zara.
Os resultados mais recentes mostram o quanto a Uniqlo evoluiu desde suas origens como uma rede japonesa de roupas casuais de baixo custo até se tornar uma marca internacional centrada em roupas funcionais para todas as estações, à medida que avança cada vez mais na América do Norte e na Europa.
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Mesmo assim, o fundador e CEO da Fast Retailing, Tadashi Yanai, ainda precisa mais do que dobrar as vendas anuais para atingir sua meta de longo prazo e construir a potência global do setor de vestuário que há muito tempo ele imagina.
“Nosso marco de atingir 10 trilhões de ienes [US$63,3 bilhões] em vendas está agora se tornando visível”, afirmou Yanai em uma coletiva de imprensa em Tóquio. “A meta de nos tornarmos os número 1 do mundo está clara desde a nossa fundação.”
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Para o próximo exercício fiscal, que se encerra em agosto de 2027, a Fast Retailing divulgou uma previsão de lucro operacional de 830 bilhões de ienes (US$ 5,3 bilhões), informou a empresa de vestuário em comunicado na quinta-feira (8), em linha com a estimativa média dos analistas. A previsão de receita é de 4,45 trilhões de ienes (US$28,2 bilhões), também em consonância com as expectativas.
A resistência da Uniqlo à ênfase da indústria da moda rápida nas tendências em constante mudança está ajudando a empresa a construir sua marca em torno de roupas funcionais e de alta qualidade para o dia a dia, uma estratégia que tornou o negócio cada vez mais difícil de ser replicado, segundo Takahiro Kazahaya, analista da UBS em Tóquio. “Eles estão perto de serem únicos no gênero”, afirmou ele.
O lucro operacional cresceu 34%, para 743 bilhões de ienes (US$4,7 bilhões), superando a estimativa média dos analistas.
Questionado sobre a competição com o grupo proprietário da Zara, Yanai disse: “A Inditex tem suas próprias características únicas. Nós temos as nossas, e ambos aproveitamos nossos respectivos pontos fortes.
“Queremos desenvolver nossas marcas de modo que, quando as pessoas pensarem: ‘Será que existe algo assim por aí?’, a Uniqlo seja a primeira coisa que venha à mente”, disse Yanai. “Até agora, temos feito isso principalmente no Japão, mas acredito que chegou a hora de expandir isso globalmente.”
As vendas nas mesmas lojas da Uniqlo no Japão aumentaram 5,1% no ano, impulsionadas pela demanda por linhas funcionais, incluindo as calças Ultra Stretch e itens com proteção UV, bem como por produtos que seguem as tendências, como as calças largas.
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As operações no exterior continuaram a impulsionar a maior parte do crescimento, com os negócios internacionais da Uniqlo registrando receita recorde de 2,41 trilhões de ienes (US$ 15,3 bilhões), um aumento de 26%, e lucro de 440 bilhões de ienes (US$2,8 bilhões), um aumento de 44%, à medida que as vendas combinadas na América do Norte e na Europa ultrapassaram as da China continental pela primeira vez.
Ao longo do último ano, nos Estados Unidos, a Fast Retailing vem abrindo e modernizando lojas, incluindo uma segunda loja na Quinta Avenida, em Nova York, e uma loja-âncora em Chicago, ao mesmo tempo em que promove a visibilidade da marca por meio de iniciativas como a parceria com a Major League Baseball (MLB).
No início deste ano, o campo do Dodger Stadium foi renomeado como Uniqlo Field. Yanai havia declarado anteriormente à Bloomberg News que tem como meta atingir 3 trilhões de ienes (US$ 19 bilhões) em vendas anuais nos EUA, com o objetivo de expandir-se mais profundamente para o interior dos Estados Unidos.
Yanai também falou na quinta-feira sobre suas ambições de expandir para todos os lugares. “Estamos embarcando em um grande desafio voltado para nossa próxima fase de crescimento”, afirmou. “Uma das etapas-chave que impulsionará esse próximo crescimento é o Sudeste Asiático, a Austrália e a Índia.”
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