Bloomberg Línea — Com uma marca fortemente associada a carnes no país, a Swift, da JBS (JBS) , passou os últimos anos em busca de ampliar as ocasiões de consumo.
Além do churrasco tradicional, já oferecia legumes, pratos e até sobremesas para fortalecer o papel de suas lojas próprias em algumas das maiores cidades do país. E agora começa a consolidar um passo mais decisivo dessa diversificação do portfólio com uma aposta em pratos prontos para o consumo vendidos congelados.
Para explicar a nova fase, Aécio Patuzzi, diretor comercial da marca, parte de uma conta sobre a alimentação cotidiana. O churrasco, cuja carne por anos definiu a imagem da rede, acontece uma ou duas vezes por semana na casa dos clientes. Mas os consumidores precisam de refeições cotidianas todos os dias, e a proteína está em quase todas as refeições.
“A pessoa come proteína no almoço, no jantar e às vezes no café da manhã”, disse o executivo em entrevista à Bloomberg Línea. O plano da marca é ampliar a oferta de produtos para estar presente em mais momentos da vida dessas pessoas. A estratégia da empresa passou a ser ocupar essas outras refeições com pratos congelados prontos para o consumo, precisando apenas passar pelo microondas ou pela airfryer.
O movimento mais recente é a entrada na culinária japonesa, que não precisa nem mesmo de forno e pode ser comida apenas descongelada. A nova linha reúne sashimis de salmão, atum e peixe-prego defumado, já fatiados e congelados, além de tartar de salmão, edamame, shimeji, guiozas e rolinhos primavera, com preços entre R$ 15,90 e R$ 30,90 - com o objetivo de competir também com opções de delivery e restaurantes.
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O lançamento não é descrito pela empresa como uma troca de foco, entretanto, mas apenas uma ampliação da estratégia para oferecer soluções de alimentação. “Nosso negócio é proteína”, afirmou. Segundo Patuzzi, os pratos prontos são feitos à base de proteína e “são complementares” à venda de carne que ajudou a marca a se consolidar no mercado.
Os produtos chegam de forma escalonada às lojas físicas, ao e-commerce e ao aplicativo da Swift. Para 2027 estão previstos hot roll de salmão, ceviche de tilápia, salmão para poke, tempurá de camarão e mix para yakisoba.
A aposta acompanha um mercado em expansão. Os gastos com culinária asiática no food service brasileiro passaram de R$ 2 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2025, alta de 9%, segundo a Swift.
Na marca há quase 13 anos, Patuzzi disse que a empresa redefiniu sua estratégia para “ser uma líder em proteínas e soluções saudáveis”. Em dezembro de 2025, em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo havia descrito as lojas como um destino completo para o churrasco de fim de ano, ocasião em que as vendas da marca cresceram 152% em cinco anos. Agora o objetivo é que o cliente “tenha mais um motivo para desviar a rota e passar na nossa loja”, disse.
A lógica, segundo ele, é a que a marca tenha lojas de destino, em que o cliente conhece o preço do que compra com frequência, e aproveite para comprar tudo lá. “Desde as pessoas que quer comprar um rabo de boi de vez em quando ao que quer comprar salmão toda semana”, disse.
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O executivo admitiu que a marca precisou mudar uma imagem antiga. “A Swift por muito tempo foi percebida como uma loja boutique”, contou. A estratégia, segundo ele, “não é o mais barato, mas eu tenho que ter um preço justo e consistente”.
Esse interesse por proteína, impulsionado também pelos medicamentos à base de GLP-1, favorece o modelo, segundo Patuzzi. “E eu sou uma loja que praticamente só vende proteína”, disse. Mesmo com a alta do preço da carne no mundo, ele afirmou que o mercado de proteína continua crescendo. “Há uma migração de uma categoria para outra, mas ela ainda cresce”, disse.
Máquina de sashimi
A Swift já vendia pratos prontos brasileiros, como estrogonofe, feijoada e salgados, antes de chegar à comida japonesa. A escolha do segmento veio do próprio cliente. “A gente notou que ele já vinha consumindo muito salmão, e nós já viramos uma referência de salmão”, contou.
O desafio técnico era reproduzir em escala um corte que, nos restaurantes, depende de técnica apurada. A linha foi desenvolvida do zero com o fornecedor, que especificou largura e altura das fatias. A Swift usa apenas o lombo do peixe, “um corte que é feito por uma máquina automatizada que garante um padrão”, explicou Patuzzi.
O salmão vem principalmente do Chile, além do Alasca, e a empresa também compra peixes da Amazônia. Segundo o executivo, a Swift está entre os maiores vendedores de bacalhau do Brasil, resultado de compras feitas diretamente na origem.
Todo o setor de comida pronta é produzido em uma fábrica própria, decisão que Patuzzi atribuiu ao peso estratégico da categoria. O executivo não revelou quanto os pratos prontos representam no faturamento, mas afirmou que a categoria cresce dois dígitos ao ano.
Os produtos foram colocados primeiro em 100 lojas e depois em mais 50, e ganham espaço nas prateleiras conforme aumentam as vendas.
A Swift tem hoje 232 lojas físicas, concentradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás, e a intenção é ganhar densidade nessas regiões. Desde 2017 ou 2018, a marca também opera espaços próprios dentro de supermercados de redes como Carrefour e GPA, com freezers e atendimento da Swift.
O comércio online, que já teve um centro de distribuição exclusivo, hoje sai das lojas físicas. Patuzzi descreveu o canal como “um canal que impressionantemente vem crescendo muito”. A carne moída congelada está entre os itens mais vendidos.
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Além do lançamento da linha de comida japonesa, os próximos passos da marca no setor de comidas congeladas já estão em teste, segundo o executivo.
A empresa já desenvolveu uma esfiha de receita própria, que pode fazer parte de uma linha de culinária árabe, e avalia preparos de massa italiana que fica pronta em cinco minutos. “Já temos um pé em cada categoria, e vamos tentando entender o quanto o nosso cliente quer”, disse.
O limite do congelado
O avanço das lojas próprias da Swift no país ocorreu com a oferta de produtos congelados ainda na origem como estratégia para garantir o máximo frescor dos alimentos, mas essa inovação no começou entrou em contraste com o costume dos brasileiros de comprar carnes e alimentos apenas resfriados.
A resistência do consumidor à carne congelada, entretanto, “já foi uma barreira muito maior”, disse Patuzzi. Seu argumento é técnico. A peça congelada no frigorífico em minutos preserva melhor as características do músculo do que a carne resfriada que o consumidor congela em casa, em um processo que pode levar mais de um dia. “A verdadeira carne fresca é a carne que a gente congela na origem”, afirmou.
O executivo reconheceu, no entanto, uma limitação. Acelerar o descongelamento prejudica a carne, o que dificulta a compra para um churrasco no mesmo dia no caso de consumidores que querem passar na loja pouco antes de acender o fogo. “A gente ainda não achou uma forma de acelerar o descongelamento”, disse.
A solução encontrada foram cortes mais finos e bifes já fatiados, que descongelam mais rápido. O ideal, segundo ele, é se planejar para tirar do congelador um dia antes e deixar na geladeira para que a carne esteja pronta no dia seguinte.









