Bloomberg Línea — A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou quedas que chegaram a quase 60% para algumas ações do Ibovespa nesta segunda-feira (26), após uma virada inédita que surpreendeu os mercados.
Investidores que apostavam em uma troca de governo, com maior potencial de realizar um ajuste nas contas públicas, tiveram que rever suas posições e recalcular o espaço para cortes da Selic nos próximos anos. Com isso, as empresas mais dependentes de juros baixos e de crédito ao consumidor lideraram as perdas na B3.
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O Ibovespa (IBOV) caiu 13,88% e fechou aos 176.608 pontos, a maior queda diária desde março de 2020, no auge da crise da pandemia.
O recuo acionou o circuit breaker pouco depois da abertura, o que não acontecia desde aquele período. Na mínima do dia, o índice chegou a perder 17,3%, aos 169.516 pontos. Apenas oito ações do índice subiram, e 54 recuaram mais de 10%.
Ações com as maiores quedas após a reeleição de Lula
O Magazine Luiza (MGLU3) teve a maior queda do índice. A ação perdeu 58,24% e terminou o dia a R$ 5,30.
Em seguida veio a Vamos (VAMO3), de locação de caminhões e máquinas, com recuo de 56,79%, a R$ 2,77. A Hapvida (HAPV3) completou o grupo de ações que perderam mais da metade do valor em um único pregão, com queda de 54,93%.
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Outras varejistas acompanharam o movimento. A C&A (CEAB3) caiu 47,47%, o Assaí (ASAI3), 42,97%, a Azzas 2154 (AZZA3), 35,23%, e a Renner (LREN3), 33,61%. Vivara (VIVA3) e Natura (NATU3) recuaram 27,75% e 25,19%, respectivamente.
O setor depende do consumo das famílias e do custo do crédito, duas variáveis que pioram em um cenário de juros altos por mais tempo.
As administradoras de shopping centers também recuaram. A Allos (ALOS3) caiu 25,47%, a Multiplan (MULT3), 25,26%, e a Iguatemi (IGTI11), 23,88%.
As construtoras seguiram a mesma direção. A Cyrela (CYRE3) perdeu 44,81%. Entre as construtoras do Minha Casa, Minha Vida, a MRV (MRVE3) caiu 42,53%, a Tenda (TEND3), 26,38%, a Direcional (DIRR3), 24,05%, e a Cury (CURY3), 16,68%.
As companhias mais endividadas também ficaram entre as maiores baixas. A Cosan (CSAN3) recuou 46,73%, a R$ 2,77, a Localiza (RENT3), 39,58%, e a Rumo (RAIL3), 16,76%.
No setor de saúde, além da Hapvida, a Hypera (HYPE3) caiu 24,55%, a Raia Drogasil (RADL3), 22,54%, o Fleury (FLRY3), 20,70%, e a Rede D’Or (RDOR3), 19,92%. Em educação, Cogna (COGN3) e Yduqs (YDUQ3) perderam 38,39% e 35,54%. A Smart Fit (SMFT3) recuou 32,75%, e a ação da própria B3 (B3SA3) caiu 36,28%.
Entre os bancos, o Banco do Brasil (BBAS3) teve a maior queda, de 29,33%, seguido pelo BTG Pactual (BPAC11), com 24,83%. As ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) perderam 21,70%, e as ordinárias (BBDC3), 20,65%. O Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 13,67%, a holding Itaúsa (ITSA4), 12,54%, e o Santander (SANB11), 4,47%.
No setor elétrico e de infraestrutura, Auren (AURE3), Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3) e Motiva (MOTV3) recuaram entre 26,9% e 29,4%. A Eneva (ENEV3) perdeu 15,28%, a CPFL (CPFE3), 14,24%, a Copel (CPLE3), 12,92%, a Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, 12,41%, a Cemig (CMIG4), 11,40%, e a Engie (EGIE3), 10,69%. No saneamento, a Copasa (CSMG3) caiu 23,74%, e a Sabesp (SBSP3), 20,98%.
Entre as empresas de petróleo e combustíveis, a Brava Energia (BRAV3) recuou 11,99%, e a Vibra (VBBR3), 10,08%. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 8,18%, e as ordinárias (PETR3), 6,81%.
Em outros setores, a Minerva (BEEF3) caiu 22,25%, e a MBRF (MBRF3), 10,60%. A CSN (CSNA3) perdeu 17,46%, e a Usiminas (USIM5), 10,71%. A Totvs (TOTS3) recuou 14,50%, e a Marcopolo (POMO4), 14,26%.
Ações que mais subiram
Na outra ponta, as altas ficaram com empresas que têm receita atrelada ao dólar. A Suzano (SUZB3) subiu 10,08%, a R$ 47,40, e a Embraer (EMBJ3), 8,89%, a R$ 96,20. Weg (WEGE3), Vale (VALE3), Klabin (KLBN11), Bradespar (BRAP4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e Gerdau (GGBR4) completaram a lista, com ganhos entre 0,91% e 4,21%.
A atenção do mercado se volta agora para a escolha do ministro da Fazenda no novo mandato e para os sinais que o governo dará sobre o controle de gastos.
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