Bloomberg Línea — Um dia depois da derrota no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou a ofensiva contra o resultado da eleição presidencial e afirmou que vai pedir a cassação da chapa do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de acordo com um vídeo publicado por ele em suas redes sociais nesta segunda-feira (26).
No vídeo, o senador disse que a eleição de domingo “não foi normal” e atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que prorrogou a votação até as 19h nos locais em que ela ainda não havia sido encerrada. A própria campanha de Flávio havia pedido à Justiça Eleitoral a extensão do horário de votação em alguns estados, por causa das condições climáticas.
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Flávio acusou Lula de abuso de poder político e econômico, ao citar os benefícios lançados pelo governo durante a campanha, que ele estimou em “quase meio trilhão de reais”. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI), as medidas anunciadas ou ampliadas pelo governo em 2026 têm impacto fiscal de R$ 298,4 bilhões.
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“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo, a competição tem que ser justa e igual, e isso não aconteceu. Não fui eu que perdi. Foi o sistema que ganhou”, disse.
O discurso muda o pedido feito no domingo (25) à noite, quando Flávio afirmou que pediria a anulação da eleição.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio, uma diferença de 4,4 milhões de votos. O petista toma posse do quarto mandato em 5 de janeiro de 2027.
Flávio diz que vai organizar a oposição
Sem reconhecer a derrota de forma expressa, o senador agradeceu os quase 60 milhões de votos recebidos e disse que vai reunir os deputados e senadores eleitos para organizar a oposição e fazer do Congresso uma “fortaleza” contra o governo. No vídeo, Flávio afirmou que a direita fez “a maioria no Senado e na Câmara”.
O PL terá a maior bancada nas duas Casas a partir de fevereiro de 2027, mas a soma de PL, Novo e Republicanos chega a 172 dos 513 deputados e 36 dos 81 senadores, abaixo da maioria.
Passaporte retido
Além disso, o senador disse ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar o passaporte, de acordo com um vídeo publicado por ele.
Segundo Flávio, a intimação ocorreu pela manhã, quando ele saía da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. “No meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes. Também estou proibido de deixar o país”, afirmou.
O senador atribuiu a ordem ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e disse que a decisão se baseou em uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, de que Flávio deveria deixar o país se perdesse a eleição. “Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, disse.
Flávio, eleito senador em 2018, deixa o cargo no ano que vem e perde o foro privilegiado. O irmão Carlos Bolsonaro e a madrasta, Michelle Bolsonaro, foram eleitos para o Senado. Jair Bolsonaro está inelegível até 2030, e Eduardo vive nos Estados Unidos desde que teve o mandato de deputado cassado por faltas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.
-- Com informações da Bloomberg News.
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