Bloomberg — O Irã transmitiu uma mensagem às embarcações no Estreito de Ormuz informando que a passagem vital para o comércio de petróleo e gás estava fechada novamente ao tráfego marítimo.
Armadores relataram tiros na via navegável, e navios abandonaram tentativas de passagem após um breve período em que parecia que o estreito poderia ser reaberto.
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A transmissão por rádio, ouvida por dois armadores com embarcações na área, ocorreu por volta do momento em que a agência de notícias estatal Nour informou que o estreito havia retornado à “gestão e controle rigorosos pelas forças armadas.”
A Nour afirmou que a decisão de fechá-lo novamente foi motivada por um bloqueio que os Estados Unidos impõem ao transporte marítimo iraniano desde segunda-feira.
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O novo fechamento foi o desfecho de horas de caos e confusão. Na noite de sexta-feira (17), no horário local, o chanceler do Irã afirmou que o estreito estava completamente aberto, o que derrubou os preços do petróleo e fez petroleiros se moverem em direção à saída.
Pouco depois, o presidente americano Donald Trump repetiu a informação, mas alertou que o bloqueio americano ao transporte marítimo iraniano continuaria. Teerã declarou a situação inaceitável, e no sábado Ormuz voltou a ser bloqueado.
Um superpetroleiro transmitiu por rádio que estava sob fogo, disseram os dois armadores à Bloomberg News, que pediram anonimato por causa da situação de segurança.
Um grupo naval britânico também alertou que um petroleiro foi abordado por dois barcos armados iranianos e recebeu tiros sem aviso prévio. O grupo relatou em seguida que outro navio foi atingido por um projétil de origem desconhecida.
Vários armadores abandonaram rapidamente os planos de retirar navios que estão presos na região há semanas, embora algumas embarcações tenham conseguido sair.
Pelo menos nove petroleiros carregados com petróleo bruto fizeram meia-volta e desistiram da travessia. Quatro navios porta-contêineres operados pela francesa CMA CGM SA foram vistos fazendo a mesma manobra na mesma área. A empresa recusou comentar.
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A transmissão, repassada à Bloomberg News pelos armadores, afirmou que o novo fechamento se devia à “falha do governo dos Estados Unidos em cumprir seus compromissos nas negociações.”
Qualquer embarcação que tentasse entrar em Ormuz “será recebida com uma resposta severa da marinha dos Guardiões da Revolução Islâmica e será destruída”, dizia o comunicado.
Abbas Araghchi, chanceler do Irã, havia dito na sexta-feira que Ormuz estava “completamente aberto” ao transporte comercial durante um cessar-fogo de dez dias entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
Mesmo após sua publicação na rede social X ter derrubado os preços do petróleo e encorajado navios a tentar a travessia, mais de uma dúzia de armadores, traders e corretores afirmaram que adotariam uma postura de espera em relação à navegação pela via.
“As informações são bastante voláteis no momento”, disse Arsenio Dominguez, secretário-geral da Organização Marítima Internacional, em entrevista à Bloomberg TV. “Empresas e armadores continuam cautelosos — foi o que recomendei ontem. Precisamos verificar o que está acontecendo.”
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