Eni e Repsol fecham acordo com a Venezuela para expandir campo de gás, dizem fontes

Segundo pessoas que falaram com a Bloomberg News, as multinacionais europeias planejam exportar gás natural do país até o final de 2031, depois de chegarem a um acordo com Caracas

Caracas, na Venezuela: acordo permitirá que as empresas mais do que dobrem a produção do campo no Golfo da Venezuela. (Foto: Matias Delacroix/Bloomberg)
Por Fabiola Zerpa - Alberto Brambilla

Bloomberg — As multinacionais europeias de energia Eni e Repsol planejam começar a exportar gás natural da Venezuela até o final de 2031, depois de chegarem a um acordo com Caracas para retomar um esforço há muito tempo paralisado para expandir a produção de um enorme campo offshore.

O acordo com a presidente interina Delcy Rodríguez permitirá que as empresas mais do que dobrem a produção do campo no Golfo da Venezuela e exportem o combustível como gás natural liquefeito a partir de um terminal flutuante, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.

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A italiana Eni e a espanhola Repsol também receberam garantias de que serão compensadas por bilhões de dólares em gás que bombearam para a Venezuela ao longo dos anos sem serem pagas, disseram as fontes ouvidas pela Bloomberg News.


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Trata-se de uma vitória significativa para as empresas europeias, que há muito tempo pressionam para exportar gás do campo offshore, mantendo o projeto de 20 anos durante anos de turbulência política.

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O acordo foi firmado no momento em que a guerra do Irã cortou cerca de 20% do fornecimento mundial de gás natural liquefeito e em que o governo Trump está abrandando as sanções à Venezuela para permitir que as empresas reconstruam sua infraestrutura energética em ruínas.

A Eni, sediada na Itália, confirmou em um comunicado que as empresas chegaram a um acordo com a Venezuela para aumentar a produção de gás e começar a exportar, com base em sua experiência anterior com terminais flutuantes de GNL.

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Já a Repsol, com sede na Espanha, não quis comentar. Por sua vez, a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) não respondeu.

O acordo foi assinado em meados de março, mas os detalhes não foram divulgados, disseram as fontes ouvidas pela reportagem.

A Eni e a Repsol planejam apresentar um plano de desenvolvimento final à PDVSA até junho, de acordo com as pessoas ouvidas, que pediram para não serem identificadas porque o assunto é privado.

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Gás na Venezuela

Há mais de um século, a Venezuela tem se concentrado em suas reservas de petróleo, que estão entre as maiores do mundo, quando se trata de produção de energia. Mas o país também tem abundantes depósitos de gás em alto-mar.

A Eni e a Repsol descobriram o enorme campo de Perla em 2009, em águas rasas perto da fronteira da Venezuela com a Colômbia.

Estima-se que ele tenha 481 bilhões de metros cúbicos de gás, o que o torna uma das maiores descobertas de gás da América Latina.

As empresas a desenvolveram em conjunto com a intenção de exportar gás.

No entanto, seu acordo com a Venezuela previa que a Eni e a Repsol abastecessem o mercado interno do país a partir do campo antes de enviar qualquer combustível para o exterior.

Ao longo dos anos, as empresas lutaram para chegar a um acordo com a Venezuela sobre a quantidade exata necessária para o mercado interno.

Atualmente, o campo produz cerca de 16,6 milhões de metros cúbicos de gás por dia, abastecendo usinas de energia, instalações petroquímicas, fábricas e residências no oeste da Venezuela.

O novo acordo da Eni e da Repsol com o governo permite que as empresas comecem a exportar quando estiverem fornecendo 18,26 milhões de metros cúbicos por dia para uso doméstico, disseram as pessoas.

A Eni e a Repsol planejam instalar mais duas plataformas no campo até 2028 e começar a exportar quando atingirem 34 milhões de metros cúbicos por dia de produção, disseram as pessoas.

O acordo das empresas com a Venezuela estende seu contrato de arrendamento para operar o campo de 2036 a 2051, disseram as pessoas.

Os terminais flutuantes de exportação de GNL são relativamente raros, usados principalmente em locais remotos ou quando há obstáculos à construção em terra.

Eles podem ser mais rápidos de construir, mas apresentam desafios complexos de engenharia que podem dificultar seu financiamento e desenvolvimento.

A Eni tem experiência com essa tecnologia no Congo e em Moçambique. A empresa também desenvolve um projeto com a YPF, da Argentina, usando duas embarcações flutuantes.

-- Com a ajuda de Ruth Liao e Rodrigo Orihuela.

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