Bloomberg — O Banco de Brasília enfrenta obstáculos no processo para uma injeção de capital para reforçar seu balanço, enquanto outros bancos brasileiros resistem à ideia de aceitar as garantias oferecidas para um empréstimo de R$ 6,6 bilhões.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) concederia o empréstimo para o governo do Distrito Federal, que controla o banco, e que injetaria o capital no BRB, como o banco é conhecido. O empréstimo teria garantias de um sindicato de bancos públicos e privados que teriam, como contragarantia, receitas que receitas do DF em fundos de participação.
Os bancos privados que participam da operação levantaram preocupações sobre os riscos jurídicos em torno das garantias, de acordo com pessoas a par do tema ouvidas pela Bloomberg News.
A tomada de receitas do governo em caso de inadimplência pode ser considerada inconstitucional para estes bancos, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir assuntos privados.
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As preocupações podem atrasar um acordo para possibilitar a injeção de capital à medida que as partes discutem a possibilidade de usar outros tipos de colateral, de acordo com as pessoas, o que poderia incluir os bancos públicos darem garantia aos privados que então atuariam como fiadores do empréstimo ao FGC.
As conversas estão em andamento, e não há uma decisão tomada, de acordo com as pessoas.
O BRB disse que as negociações relativas ao empréstimo “seguem em andamento, observando os procedimentos e avaliações necessários à sua implementação”.
O banco afirmou que “permanece confiante” na conclusão das medidas estruturantes para o fortalecimento de sua posição de capital.
O FGC afirmou que não comenta sobre instituições associadas.
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O BRB tem tido dificuldades para se recuperar depois que negócios feitos com o Banco Master trouxeram perdas ao seu balanço. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro diante de alegações de fraude. O BRB estima ter recebido cerca de R$ 22 bilhões em ativos do banco, parte deles considerados fraudulentos pelas autoridades.
Na semana passada, outro obstáculo ao plano de recuperação do BRB veio à tona: uma negociação com a gestora Quadra Capital para vender R$ 15 bilhões em ativos que o BRB recebeu do Master chegou ao fim sem um acordo.
“A decisão pela descontinuidade das negociações resultou de divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo banco para a operação”, afirmou o BRB em comunicado divulgado na semana passada.
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O CEO do banco, Nelson Antônio de Souza, disse então que o banco tem liquidez suficiente para manter os negócios operando enquanto procura por um novo acordo para vender os ativos.
As iniciativas para capitalizar o BRB “estão condicionadas a uma estruturação complexa, sujeita a condições de mercado, fluxos de recursos de origem estatal e dinâmicas institucionais”, disse a Standard & Poor’s em um relatório em 27 de maio. A agência de classificação de risco rebaixou a nota de crédito do banco de brB-/brB para brCCC+/brC.
O BRB disse que “classificações de risco refletem as condições observadas em determinado momento”.
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Em comunicado enviado por email, o banco afirmou que as medidas que está tomando para fortalecer sua estrutura de capital devem ter seus efeitos refletidos em avaliações futuras, preservando a solidez financeira e a sustentabilidade de longo prazo da instituição”.
O cenário aumenta “o risco de atrasos e incertezas em um horizonte de tempo exíguo, diante da necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões”, disse a S&P, acrescentando que “descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos para absorver as perdas podem elevar o risco de liquidação da instituição”.
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