Bloomberg Línea — A Fiat, do grupo Stellantis, quer priorizar as categorias de entrada e de picapes para continuar na liderança de vendas no país. A meta da marca é atingir capacidade total de produção em sua maior fábrica do país, localizada em Betim, Minas Gerais.
“Nunca deixamos de olhar para o segmento de entrada e isso está muito claro em nosso portfólio. Essa ainda é uma fatia relevante do mercado brasileiro e nós não queremos perder espaço”, disse o CEO da Stellantis para América do Sul, Herlander Zola, em entrevista à Bloomberg Línea após evento em comemoração aos 50 anos da Fiat no Brasil, promovido em Betim, nesta segunda-feira (20).
Ele também lembrou os carros de entrada que compõem o portfólio da montadora: Mobi, Argo, Cronos e Pulse. “São modelos que se adaptam muito bem a um certo nível de acessibilidade no mercado brasileiro”, ponderou.
Ele acrescentou que a empresa vai continuar a investir, em paralelo, em outros segmentos como SUVs e picapes.
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“A cobertura que a Fiat tem é algo único no mercado. Sob o ponto de vista da oferta, é um dos grandes trunfos da nossa marca.”
No país do Fiat Uno e do Volkswagen Gol, os SUVs caíram no gosto do brasileiro e todas as montadoras passaram a apostar pesado no segmento.
O movimento representou uma virada no mercado local, com a venda de modelos com preços acima de R$ 100 mil ganhando cada vez mais tração.
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Zola observa que a Fiat possui uma variedade ampla de oferta nos segmentos onde a marca atua. “É claro que os produtos de entrada são relevantes, mas as picapes também são. Tanto que a Strada é o veículo mais vendido do Brasil há 5 anos, e estamos caminhando para o sexto ano desse resultado.”
Segundo o executivo, metade das vendas da Strada é de versões voltadas para trabalho e o restante para uso de passeio, incluindo cabine dupla e quatro portas. “São versões mais caras e que, ainda assim, têm um nível de aceitação muito grande. Isso exemplifica bem que a Fiat tem soluções para qualquer tipo de necessidade.”
Capacidade máxima de produção
Embora a montadora não tenha informado quando pretende operar a plena capacidade na planta, considerada a maior do país, o terceiro turno já foi iniciado localmente.
O complexo fabril pode produzir até 650 mil unidades por ano em três turnos, mas no auge do mercado brasileiro, há cerca de uma década, a Fiat já atingiu a marca de um milhão de veículos produzidos na planta mineira.
“Estamos expandindo a nossa capacidade produtiva para ter novamente um terceiro turno, a dinâmica [do mercado] possibilita isso”, disse Zola.
Em meio ao avanço significativo das marcas chinesas no segmento de eletrificados, ele afirma que a Fiat terá capacidade de se adaptar às mudanças do mercado. “Se houver a necessidade de [produzir] um veículo 100% elétrico, a Fiat vai ter”, disse.
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A fábrica de Betim produziu mais de 18 milhões de veículos em 50 anos. O primeiro modelo fabricado no complexo foi o Fiat 147.
“Há 50 anos, o Brasil tinha apenas as ‘quatro grandes’ [marcas], a dinâmica era outra. Hoje, são mais de 50 e a Fiat lidera o mercado há basicamente 20 anos”, diz.
Atualmente, são 19 mil funcionários apenas em Betim e mais de 400 fornecedores diretos em um raio de 100 quilômetros, com quase 200 mil pessoas trabalhando na cadeia produtiva da região.
Zola revelou nesta segunda-feira o próximo modelo a ser fabricado em Betim, o Novo Argo X. “Até 2030, teremos um carro totalmente novo lançado por ano no mercado”, acrescentou.
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