Bloomberg — A Novo Nordisk está processando a Eli Lilly em um tribunal federal dos EUA, alegando que a publicidade da Lilly para sua injeção de grande sucesso contra a obesidade, o Zepbound, e para a injeção contra o diabetes, o Mounjaro, é supostamente enganosa, à medida que a concorrência entre as duas farmacêuticas se intensifica.
A Novo afirma que as campanhas publicitárias da Lilly se baseiam em comparações desatualizadas de perda de peso com doses mais baixas da injeção para obesidade da própria Novo, o Wegovy, do que as atualmente disponíveis no mercado, de acordo com uma cópia da petição inicial fornecida pela empresa dinamarquesa.
Embora o Zepbound, da Lilly, tenha superado o Wegovy em um estudo comparativo direto no ano passado, a Novo obteve posteriormente a aprovação para uma dose mais alta de seu medicamento do que a utilizada naquele estudo.
As duas farmacêuticas disputam a participação no mercado global de obesidade, que deve atingir US$ 120 bilhões por ano até 2030, de acordo com a Bloomberg Intelligence.
Embora a Novo tenha chegado ao mercado antes da Lilly com o Wegovy, a farmacêutica norte-americana recuperou o atraso com o Zepbound e agora lidera as vendas.
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A Novo tem trabalhado intensamente para recuperar sua participação de mercado, firmando parcerias com empresas de telessaúde e lançando um novo comprimido para perda de peso que se mostrou extremamente popular entre os pacientes.
A Lilly não respondeu imediatamente a um pedido de comentário fora do horário comercial normal.
As ações da Lilly caíram 0,6% no pré-mercado dos EUA. As ações da Novo chegaram a cair 1,6% em Copenhague.
A ação judicial gira em torno de um anúncio que a Lilly começou a veicular em abril, o qual se baseia no estudo comparativo para afirmar que as pessoas que tomaram o Zepbound perderam, em média, 50 libras, enquanto aquelas que tomaram o Wegovy perderam, em média, 33 libras, afirmou John Kuckelman, diretor jurídico da Novo, em entrevista.
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A Novo argumenta que uma comparação mais adequada seria entre dois estudos diferentes: um em que o Wegovy em alta dosagem da Novo apresentou perda média de peso de 47 libras e outro em que o Zepbound ajudou as pessoas a perderem, em média, 48 libras.
A Novo também afirma que os anúncios da Lilly para sua injeção para diabetes, o Mounjaro, informam incorretamente aos consumidores que o medicamento da Lilly ajuda a reduzir o nível de açúcar no sangue mais do que o Ozempic, da Novo, com base em uma comparação com uma dose mais baixa do Ozempic do que a que está atualmente no mercado.
A farmacêutica dinamarquesa está solicitando ao tribunal que ordene à Lilly que interrompa imediatamente a veiculação de seus anúncios e publique uma “correção publicitária”, disse Kuckelman.
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“Eles já poluíram a água, por assim dizer, e agora é preciso limpá-la”, afirmou ele.
A ação judicial surge após a Novo ter enviado à Lilly uma carta de cessação e desistência em abril, disse Kuckelman. A empresa norte-americana não respondeu, afirmou ele, tendo, em vez disso, acrescentado uma advertência ao seu anúncio informando que a dose mais alta não estava disponível na época do estudo.
A ação foi ajuizada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Nova Jersey e alega que a Lilly violou as leis federais e estaduais contra propaganda enganosa e concorrência desleal, nos termos da Lei Lanham. A empresa também pode buscar medidas adicionais por meio da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), afirmou Kuckelman.
--Com a colaboração de David Voreacos.
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