Bloomberg — As ações globais operam em alta nesta terça-feira (21), impulsionadas pela recuperação das fabricantes de chips, em uma sessão marcada também pela queda dos preços do petróleo, alta do ouro e estabilidade dos rendimentos dos Treasuries.
Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiram 1,3%, enquanto os do S&P 500 avançaram 0,5%. Um fundo negociado em bolsa que acompanha as principais empresas do setor ganhou 4,1% no pré-mercado. Samsung Electronics Co. e Taiwan Semiconductor Manufacturing lideraram o índice regional asiático em sua primeira alta em quatro dias. As ações de tecnologia também tiveram desempenho superior na Europa.
Investidores que aproveitam as quedas passaram a comprar ações de fabricantes de chips a preços mais baixos, após o setor registrar sua pior semana em mais de um ano. As fabricantes de semicondutores têm sido as principais beneficiárias da expansão global da inteligência artificial, mas enfrentaram forte volatilidade recentemente, em meio a preocupações com múltiplos elevados e dúvidas sobre a continuidade dos gastos das hyperscalers.
A mesa de operações do UBS Group afirmou que a liquidação de ações ligadas à estratégia de momentum pode estar perto do fim, o que abriria espaço para que investidores começassem a recompor posições em inteligência artificial e semicondutores.
“Embora a volatilidade provavelmente continue elevada, diante da forte concentração que ainda existe em partes do mercado, a correção foi profunda e prolongada o suficiente para aliviar algumas preocupações com as avaliações”, afirmou Santiago Mateo Yanguas, chefe de ações da CaixaBank AM.
A queda dos preços do petróleo também contribuiu para o sentimento positivo, com o Brent em baixa de 0,5%, abaixo de US$ 89 por barril, depois de avançar quase 6% nos dois dias anteriores. A relativa calmaria, porém, pode durar pouco, já que Estados Unidos e Irã mantiveram a troca de ataques pelo décimo dia consecutivo.
Analistas do Goldman Sachs alertaram que o Brent pode superar US$ 120 por barril no quarto trimestre caso persistam as interrupções no Estreito de Ormuz, embora esse não seja o cenário-base do banco. No momento, o Goldman projeta o Brent a US$ 80 por barril no quarto trimestre, com os riscos para as estimativas “inclinados para cima”.
As atenções logo se voltarão para o início da temporada de balanços das grandes empresas de tecnologia, quando as hyperscalers de inteligência artificial também atualizarão os investidores sobre seus planos de investimento. A Alphabet divulga resultados na quarta-feira, enquanto Microsoft, Meta Platforms e Amazon.com apresentam seus números na próxima semana.
“O próximo teste já não é saber se existe demanda por inteligência artificial, mas se preços, margens e fluxo de caixa conseguem justificar a conta de investimentos”, afirmou Florian Ielpo, chefe de macroeconomia da Lombard Odier Investment Managers. “Se conseguirem, a recuperação deve se ampliar. Caso contrário, a volatilidade continuará sendo o padrão.”

🔘 As bolsas ontem (20/07): Dow Jones Industrials (-0,59%), S&P 500 (-0,19%), Nasdaq Composite (-0,05%), Stoxx 600 (-0,30%), Ibovespa (-0,20%)
Veja a seguir outros destaques desta manhã de terça-feira (21 de julho):
- Conflito no Oriente Médio. Os EUA ampliaram os ataques contra alvos militares do Irã após o presidente Donald Trump prometer retaliar pela morte de três soldados americanos. A ofensiva tem como foco instalações ligadas à capacidade militar iraniana e à atuação no Estreito de Ormuz.
- Canadá é alvo de novas tarifas. O governo Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A medida, que mira itens como laticínios, cerveja e equipamentos de hóquei, elimina isenções previstas no acordo USMCA e amplia a disputa comercial entre os dois países.
- Impacto das mudanças climáticas. O avanço das ondas de calor transformou a adaptação climática em um desafio econômico para a Europa, onde as temperaturas sobem cerca de duas vezes mais rápido que a média global. Economistas alertam que governos terão de investir para evitar perdas crescentes no PIB.
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-- Com informações da Bloomberg News.
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