Brasil se une a Canadá e potências médias em frente para defender ordem multilateral

Batizado de ‘Parceiros pelo Multilateralismo’, grupo quer articular países de diferentes regiões em torno de reformas na ONU e de respostas conjuntas para clima, IA e cadeias de suprimentos em reação à diplomacia da era Trump

Mecanismo servirá para formar coalizões em prol da reforma e para traduzir em ações práticas princípios compartilhados (Foto: Bloomberg )
Por Philip J. Heijmans
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Bloomberg — Líderes do Brasil, do Canadá, do Quênia e da União Europeia apresentaram uma frente diplomática conjunta na véspera da Assembleia Geral das Nações Unidas com o objetivo de proteger a cooperação global de uma ordem geopolítica cada vez mais transacional.

Denominada Parceiros pelo Multilateralismo, a iniciativa visa “criar uma estrutura flexível e aberta para países de diferentes regiões e tradições políticas que estejam dispostos a trabalhar superando divisões”, escreveram na segunda-feira no Financial Times o primeiro-ministro canadense Mark Carney, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e o presidente queniano William Ruto.

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Os líderes afirmaram que o mecanismo, ao qual deram a sigla P4M, servirá para formar coalizões em prol da reforma e para traduzir em ações práticas princípios compartilhados, incluindo aqueles consagrados na Carta das Nações Unidas. Eles planejam se reunir na segunda-feira (21), à margem do debate geral da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.


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Representando importantes potências médias e nações em desenvolvimento, os líderes do P4M afirmam que a cooperação “não é um ato de idealismo, é uma necessidade prática” para fortalecer instituições multilaterais de longa data e enfrentar ameaças comuns, como as mudanças climáticas, a inteligência artificial e as interrupções na cadeia de suprimentos.

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“O P4M não visa criar mais um bloco exclusivo ou mais uma burocracia internacional”, escreveram os líderes. “Seu objetivo é exatamente o oposto”: criar uma rede flexível e aberta para apoiar o trabalho da ONU e de outras plataformas multilaterais.

Leia também: Candidatos à liderança da ONU defendem restaurar o prestígio do órgão global

A iniciativa surge no momento em que líderes mundiais se reúnem tendo como pano de fundo um governo Trump caracterizado por tarifas comerciais, diplomacia transacional e profundo ceticismo em relação a organismos e alianças internacionais, incluindo a ONU, a Organização Mundial do Comércio e a Otan. “A linguagem das esferas de influência e da política de poder está de volta”, escreveram eles.

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As reformas estruturais na ONU estão paralisadas há anos devido aos poderes de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, o que tem deixado o órgão repetidamente incapaz de agir diante de conflitos globais emergentes. Ao mesmo tempo, fóruns de construção de consenso, como o G20, ficaram profundamente fragmentados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

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