Nubank busca seguir o exemplo do Pix com iniciativa voltada para remessas nos EUA

Fintech mira mercado de cerca de US$ 100 bilhões em remessas que são enviados dos Estados Unidos por consumidores para outros países a cada ano; ‘Nossa visão é que as remessas mundiais se assemelhem ao Pix’, afirmou o CEO David Vélez

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Por Matheus Piovesana
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Bloomberg — O Nubank, que lançou uma conta de depósito para consumidores dos Estados Unidos com opções de remessas internacionais, busca inspiração em seu próprio país de origem.

“Nossa visão é que as remessas mundiais se assemelhem ao Pix”, afirmou o CEO David Vélez em entrevista. “O futuro dos pagamentos globalmente será o Pix”, disse ele, referindo-se ao sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

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O Nubank deu início à sua incursão nos Estados Unidos, firmando uma parceria com o Lead Bank para acelerar sua entrada no país enquanto aguarda a aprovação final de seu pedido de licença bancária nos Estados Unidos.

Sua nova conta, anunciada no início desta semana, oferece um rendimento anual de 3,5% e remessas dentro dos Estados Unidos e para o exterior. Ambas são rápidas e isentas de taxas, informou a empresa. A oferta também inclui um cartão de crédito sem taxas.


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A fintech brasileira tem como alvo um mercado considerável. Os consumidores enviam cerca de US$ 100 bilhões dos Estados Unidos para outros países a cada ano, muitas vezes com taxas de até 10%, afirmou Vélez, o que explica, em parte, por que as remessas estão no centro das ofertas iniciais do Nubank nos Estados Unidos.

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O Pix foi desenvolvido pelo Banco Central e lançado em 2020. Ele funciona ininterruptamente por meio de qualquer instituição financeira e permite transferências em tempo real sem cobrança de taxas para pessoas físicas.

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Desde o seu lançamento, o Pix tornou-se o método de pagamento mais popular do Brasil, deixando para trás sistemas de transferência mais antigos e mais caros.

O sistema de pagamentos também ajudou a impulsionar o crescimento de fintechs no Brasil. Apoiado pela disposição dos brasileiros em realizar transações bancárias por meio de seus celulares, o Pix facilitou o fluxo de dinheiro para os consumidores, ajudando-os a transferir fundos de bancos tradicionais para novos participantes do mercado.

O Nubank conquistou cerca de 85 milhões de clientes no Brasil entre o final de 2020 e junho, com a ajuda da expansão de sua oferta de produtos.

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O Brasil oferece um exemplo de mudança que poderia se replicar em outros países, segundo Vélez.

“Em setores como mídia e varejo, a tecnologia transferiu grande parte da participação de mercado para empresas nativas digitais”, afirmou ele. “Isso ainda não aconteceu nos serviços financeiros, com algumas exceções.”

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O lançamento do Nubank nos Estados Unidos é um dos maiores passos para a fintech brasileira desde sua oferta pública inicial em 2021 e representa um avanço significativo para os bancos brasileiros em geral.

Com a rara exceção do Itaú Unibanco, os bancos brasileiros têm evitado, em grande parte, manter operações de varejo de grande porte em outros países.

A expansão para os Estados Unidos coloca o Nubank em um ambiente altamente competitivo, diferente do cenário latino-americano, onde a empresa construiu um negócio considerável.

Os consumidores nos Estados Unidos também enfrentam questões diferentes. Os custos tendem a estar entre os maiores desafios para os consumidores, enquanto o acesso a serviços financeiros representa um obstáculo menor, afirmou Vélez.

“Os bancos cobram muito pouco porque precisam reter toda essa margem para arcar com os custos das agências bancárias”, disse o CEO.

A oferta inicial do Nubank nos Estados Unidos é simples e competitiva, mas os produtos individuais não parecem “especialmente disruptivos” no mercado local, escreveu o analista da Bloomberg Intelligence, Gabriel Gusan.

“É mais provável que a diferenciação venha do pacote de serviços, da experiência do usuário e da marca do que de qualquer produto isolado”, escreveu ele em uma nota.

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A entrada nos Estados Unidos representa uma “oportunidade assimétrica” para o Nubank, escreveu Eduardo Rosman, analista do BTG Pactual, em uma nota aos clientes. O mercado local nos Estados Unidos apresenta “ineficiências significativas”, embora os bancos tradicionais tenham uma vantagem competitiva de marca.

“Há um potencial lucrativo atraente no setor de crédito, mas a execução será fundamental”, afirmou Rosman.

O Nubank (NU), que possui valor de mercado de quase US$ 73 bilhões, fica atrás apenas do Itaú entre as empresas financeiras mais valiosas da América Latina.

O Nubank disputou com o banco a liderança ao longo do ano passado, mas um ciclo de crédito mais arriscado no Brasil e a volatilidade do mercado relacionada à guerra no Irã pressionaram suas ações nos últimos 12 meses.

À medida que o Nubank avança em um mercado com diversas fintechs, a empresa acredita que seus principais rivais serão, mais uma vez, os maiores bancos.

“Há muitos neobancos nos Estados Unidos, mas os concorrentes são os grandes bancos tradicionais”, disse Vélez.

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