Dólar mais forte em 2027? Veja as projeções da Oxford Economics para a América Latina

Relatório da Oxford Economics aponta que várias moedas da região estão acima de seus valores de equilíbrio e podem perder força em 2027; para o real, a projeção é de estabilidade

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Bloomberg Línea — As moedas da América Latina têm apresentado um desempenho favorável em relação ao dólar no que vai de 2026, impulsionadas por fatores externos e regionais, mas ainda há espaço para uma correção no próximo ano.

A consultoria Oxford Economics prevê, em um relatório, que o peso mexicano (MXN), o sol peruano (PEN), o peso colombiano (COP) e o peso chileno (CLP) se desvalorizem apenas “marginalmente” em relação ao dólar americano no próximo ano, “embora continuem distantes de preencher a lacuna em relação aos seus respectivos valores justos (fair value)”.

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Enquanto isso, prevê-se que o real brasileiro (BRL) se mantenha estável em relação ao dólar, de acordo com o documento intitulado “As perspectivas para 2027 dependem da volatilidade geopolítica e das transições políticas”.


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“O peso argentino (ARS) constitui uma exceção, uma vez que é uma moeda fortemente controlada, e esperamos que sofra uma desvalorização adicional como parte dos esforços para estabilizar a economia e reduzir os desequilíbrios externos”, afirma a Oxford.

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As estimativas da taxa de câmbio apontam para uma relativa desvalorização em relação ao dólar

US dollar banknotes.
País (moeda em dólares americanos)Média 2026 EMédia 2027 ETaxa de câmbio de equilíbrio BEER para 2027Média do consenso para 2027Consenso mínimoConsenso máximo
Argentina (ARS por USD)1,4861,9512,6821.9801.4812,268
Brasil (BRL por USD)5,25,24,85,35,05,7
Chile (CLP por USD)910922767895800965
Colômbia (COP por USD)3,4213,4273,8663,6093.0004.550
México (MXN por USD)17,317,718,718,317,519,4
Peru (PEN por USD)3,43,43,63,43,33,6

Fonte: Oxford Economics


De acordo com o relatório de Oxford, as moedas da América Latina superaram as de outros mercados emergentes e, em sua maioria, se valorizaram em relação ao dólar americano no que vai do ano.

No que vai de 2026, as moedas que mais se valorizaram em relação ao dólar são o peso colombiano (21,82%), o guaraní paraguaio (11,94%) e o colón costarriquenho (10,98%), de acordo com dados da Bloomberg até hoje, 9 de setembro (10h ET).

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Por outro lado, o peso uruguaio recua 3,22% em relação ao dólar, e o peso argentino se desvaloriza 3,94%.

“Embora as dinâmicas específicas variem de país para país, em termos gerais, as moedas têm se beneficiado de uma combinação cíclica de vários fatores”, afirma o documento.

Entre esses fatores, ele se refere especificamente a:

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  • O isolamento parcial da região diante da guerra no Irã.
  • A produção regional de energia, aliada ao aumento dos preços da energia e das matérias-primas.
  • O impacto limitado da política comercial dos EUA sobre os termos de troca.
  • O otimismo dos mercados diante da virada política na região em direção a governos supostamente “mais favoráveis” às empresas.
  • Amplos diferenciais de taxas de juros em relação a outros mercados emergentes e economias avançadas.
  • A desvalorização do dólar americano, provocada por uma rotatividade de investimentos que se afastou de alguns ativos dos EUA.

Moedas regionais ‘supervalorizadas’?

Peso mexicano

A Oxford Economics alerta que várias das principais moedas da América Latina estão supervalorizadas em relação aos seus fundamentos econômicos e prevê que a maioria se desvalorizará em relação ao dólar ao longo do próximo ano.

A consultoria destaca que, embora a combinação de fatores que sustentam as moedas possa se manter ao longo do próximo ano, as moedas “estão se afastando do valor razoável sugerido” pelo conjunto de modelos estruturais considerados em sua análise.

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Entre elas, a reversão à paridade do poder de compra (PPC), a paridade das taxas de juros não coberta (UIP), a paridade das taxas de juros ajustada pelo risco (IRP), as taxas de câmbio de equilíbrio comportamentais (BEER) e as taxas de câmbio de equilíbrio fundamentais (FEER).

Nesse sentido, ele destaca que a média desses modelos sugere que as moedas do México, da Colômbia e do Brasil poderiam estar supervalorizadas em cerca de 3%.

Enquanto isso, as do Chile e do Peru podem estar subvalorizadas em cerca de 1,5%.

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O conjunto mais amplo de modelos de avaliação sugere que o peso argentino está supervalorizado em aproximadamente 9%.

“A recente atualização das taxas de câmbio de equilíbrio em nosso Modelo Econômico Global, que leva em conta os termos de troca e a produtividade relativa, corrobora a possibilidade de que ocorram mudanças de tendência mais acentuadas em relação às tendências atuais”, afirma Oxford.

Para 2027, o relatório aponta uma série de fatores que podem pressionar as moedas locais, entre eles:

  • Uma maior deterioração fiscal.
  • Novos cortes nas taxas de juros por parte dos bancos centrais mais inclinados a uma política monetária expansionista.
  • Uma reversão dos altos preços das matérias-primas.
  • Uma postura mais agressiva dos Estados Unidos em relação ao comércio regional.
  • E uma valorização do dólar americano após uma redução do apetite pelo risco.