Bloomberg — Um indicador importante dos preços ao consumidor nos EUA subiu mais que o esperado no mês passado, reforçando o argumento para que dirigentes do Federal Reserve elevem os juros na próxima semana.
O índice de preços ao consumidor, excluindo alimentos e energia, avançou 0,3% em agosto ante o mês anterior, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho divulgados nesta sexta-feira. Na comparação anual, a alta foi de 2,4%.
O índice geral de preços ao consumidor subiu 0,4% ante o mês anterior, devido à alta dos preços de energia, e 3,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Os contratos futuros mostraram que investidores passaram a considerar uma alta de juros na próxima semana como quase certa e atribuíram elevada probabilidade a um segundo aumento antes do fim do ano.
O relatório indica que a inflação pouco avançou em direção à meta do Fed no mês passado, diante das pressões persistentes da guerra no Irã, das tarifas e da expansão dos data centers. O banco central dos EUA provavelmente interpretará os números como um fator que inclina a balança a favor da primeira alta de juros em três anos, após alguns dirigentes sugerirem que a decisão de 15 e 16 de setembro poderia depender dos dados divulgados.
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O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem evitado dar indicações sobre o próximo passo do banco central, mas afirmou em discurso no mês passado que o Fed “terá trabalho a fazer” caso não possa “ter confiança de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente”.
A economia dos EUA, por sua vez, enfrenta uma nova escalada dos preços de energia, com as guerras no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia afetando a oferta. Nesta semana, o petróleo superou US$ 100 por barril, e os preços do diesel no varejo nos EUA atingiram nível recorde.

O relatório desta sexta-feira mostrou que os preços de energia subiram 2,1% em agosto, enquanto os preços dos alimentos comprados em supermercados ficaram praticamente estáveis e os custos de moradia avançaram 0,3%.
Os preços de serviços, excluindo energia e aluguéis, subiram 0,5%, refletindo altas em categorias que incluem comunicação, hospedagem fora de casa e passagens aéreas, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Os preços de bens, excluindo alimentos e produtos de energia, avançaram 0,1%, impulsionados por aumentos nos preços de veículos novos e usados.
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Muitos americanos têm sido pressionados pela combinação de preços em alta e ganhos salariais modestos. Um relatório separado divulgado nesta sexta-feira, que combina os números de inflação com dados recentes de salários, mostrou que o rendimento médio real por hora caiu 0,3% em agosto ante o mesmo mês do ano anterior, ampliando uma sequência de resultados fracos desde o início da guerra no Irã.
Bancos centrais normalmente elevam os juros para aumentar os custos dos empréstimos, conter a demanda e esfriar a inflação. Dirigentes do Fed mantiveram os juros inalterados em cada uma das últimas cinco reuniões, embora, no encontro de julho, três deles tenham divergido da decisão e defendido uma alta de 0,25 ponto percentual.
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O relatório do CPI de agosto é o último grande indicador de inflação antes da reunião de setembro. Um relatório separado divulgado na quinta-feira mostrou que os preços ao produtor registraram no mês passado a maior alta desde maio, impulsionados por uma forte elevação dos preços de energia.
O indicador de inflação preferido do Fed, o índice de preços de despesas de consumo pessoal, será divulgado no fim do mês. Economistas esperam atualmente que a inflação geral medida por esse indicador encerre o ano acima de 3%, ainda bem superior à meta de 2% do banco central
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