Nubank forma parceria com o Lead Bank para acelerar lançamento nos EUA

Parceria permite antecipar operação enquanto aguarda regulador, e a fintech vai estrear com rendimento de 3,5% ao ano e transferências sem tarifas para disputar um dos mercados bancários mais competitivos do mundo; Citi estima potencial de US$ 10 bi em crédito no país até 2030

David Vélez, CEO de Nubank, durante el Nu Day
Por Matheus Piovesana
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Bloomberg — O Nubank decidiu lançar sua operação nos Estados Unidos antes de obter a aprovação final para a própria licença, acelerando o processo através de uma parceria com outro banco.

O Nubank vai iniciar as operações nos EUA com produtos que incluem uma conta de depósito com rendimento de 3,5% ao ano, além de transferências domésticas e internacionais sem tarifas, e cartões de crédito também sem tarifas que oferecem 1,5% de cashback em compras, disse a empresa em evento realizado em Miami na quinta-feira (10).

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A empresa ainda aguarda a aprovação definitiva para um pedido de licença bancária nos EUA, que está sob revisão pelo Escritório do Controlador da Moeda (OCC). O órgão concedeu aprovação condicional em janeiro, quando a fintech disse esperar o início das operações para 2027.


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A decisão por adiantar o lançamento vem do fato de que o processo de aprovação costuma ser longo, ainda que o ambiente regulatório tenha se tornado mais amigável a novos agentes com o governo Trump, o CEO e fundador do Nubank David Vélez disse em uma entrevista.

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Para oferecer produtos antes da aprovação da licença, o Nubank fez um acordo com o Lead Bank, empresa que presta serviços a fintechs que querem oferecer produtos nos EUA.

“Começamos a trabalhar neste projeto com o Lead Bank antes de decidirmos entrar com um pedido de licença”, disse Vélez.

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O pacote de ofertas anunciado na quinta também inclui uma conta global que permitirá aos clientes enviar e receber dinheiro de mais de 35 países, levando o Nubank a mercados em que atualmente a fintech não opera. Os depósitos serão convertidos para dólares ou euros digitais, e também serão remunerados.

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A remuneração aos depósitos é uma forma de fintechs atraírem clientes nos EUA, um mercado muito mais competitivo que o Brasil, onde o Nubank foi criado e teve forte expansão na última década. Os 3,5% oferecidos pela fintech se comparam aos 4% do Happen Bank, uma fintech conhecida no mercado americano, e aos 3,4% do Marcus, banco digital do Goldman Sachs, de acordo com a plataforma Bankrate.

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Pouco conhecido nos EUA, o Nubank é uma marca frequente no Brasil e tem presença crescente no México e na Colômbia, três das quatro maiores economias da América Latina, região em que os cartões roxos e o aplicativo são utilizados por mais de 140 milhões de clientes. Em comparação, o britânico Revolut busca uma presença maior nas Américas para chegar a 100 milhões de clientes em todo o mundo até meados de 2027, mas vale quase o dobro do Nubank.

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O Brasil ainda é a maior operação em clientes e rentabilidade

A empresa criada por Vélez, Cristina Junqueira e Ed Wible em São Paulo em 2013 aposta que pode construir uma operação rentável nos EUA com o mesmo modelo que seguiu na América Latina, de atendimento totalmente digital e tarifa zero ou menor que as dos bancos.

A fintech pode chegar a US$ 10 bilhões em crédito nos EUA até 2030 se chegar a 1% de mercado em alguns produtos nos estados da Flórida, da Califórnia e do Texas, estimou o Citi em março. Seria cerca de um quarto da carteira total informada ao final do segundo trimestre, de US$ 39,3 bilhões.

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Os primeiros passos nos EUA testarão o alcance do Nubank em uma população-alvo que inclui latino americanos vivendo em estados da fronteira, disse Vélez, mas a expansão também ambiciona um público mais amplo, porque a fintech acredita que pode oferecer serviços bancários a custos menores do que os vistos no país atualmente.

“Estamos no jogo do longo prazo”, disse o CEO. “Vai levar uma década ou mais, não é algo que vai acontecer do dia para a noite.”

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