Bloomberg Línea — A América Latina e o Caribe mantiveram um desempenho turístico sólido no primeiro trimestre de 2026, em um contexto internacional marcado pela incerteza geopolítica e pelo encarecimento das viagens decorrente do conflito no Oriente Médio, que já afeta as perspectivas de crescimento do setor em escala global, segundo relatório da ONU Turismo.
A agência especializada das Nações Unidas informou que as chegadas internacionais cresceram 2% na comparação anual entre janeiro e março, alcançando 307 milhões de viajantes, cerca de seis milhões a mais do que no mesmo período de 2025.
Embora a demanda turística tenha mostrado força nos dois primeiros meses do ano, o agravamento da crise no Oriente Médio começou a se refletir em março, quando o crescimento global desacelerou para 0,4%.
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A ONU Turismo alertou que o conflito tem alterado os fluxos de viagem para além da região afetada, devido às interrupções nas conexões aéreas, ao aumento dos preços do petróleo, à volatilidade do combustível de aviação e ao impacto sobre a confiança de consumidores e empresas.
Como consequência, a entidade prevê que o crescimento das chegadas internacionais em 2026 fique entre um e dois pontos percentuais abaixo da projeção inicial, que variava de 3% a 4%, dependendo da duração e da extensão da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
“A atual situação no Oriente Médio está alterando os padrões de viagem muito além da própria região, incluindo o aumento da inflação, especialmente nos setores de transporte e hospedagem”, afirmou Shaikha Al Nuwais, secretária-geral da ONU Turismo.
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Ainda assim, ela destacou que o turismo internacional tem demonstrado resiliência apesar da deterioração do cenário econômico e geopolítico.
Dentro desse contexto, as Américas registraram crescimento de 2% nas chegadas internacionais durante o primeiro trimestre, em linha com a média global, embora com diferenças significativas entre as sub-regiões.
A América do Norte, que responde por mais de 60% das chegadas da região, cresceu 2% no período, impulsionada pelo México (7%).
A América Central registrou forte expansão de 18%, o que compensou os resultados mais fracos do Caribe (+0,2%) e da América do Sul (-1%).
Os resultados indicam uma tendência que, segundo autoridades do turismo da região, está ligada ao aumento da conectividade aérea, ao fortalecimento da promoção internacional e à consolidação de produtos turísticos associados à natureza, à cultura, ao turismo urbano e às experiências ao ar livre.
Entre os países com melhor desempenho do mundo, destacou-se o Paraguai, que liderou o crescimento global das chegadas internacionais no primeiro trimestre, com alta de 46% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Na sequência vieram a Nova Zelândia, com crescimento de 45%, e El Salvador, que ocupou a terceira posição mundial com expansão de 43%; depois apareceram Mongólia (39%), Palau (37%) e Uzbequistão (37%), segundo o Barômetro Mundial do Turismo.
Em termos de receitas, vários países registraram crescimento de dois dígitos no primeiro trimestre de 2026, entre eles Paquistão (60%), Coreia do Sul (38%), Marrocos (24%), Brunei (22%) e Brasil (12%).
A tendência na América Latina
O crescimento de vários destinos latino-americanos tem sido impulsionado por fatores estruturais que ganharam relevância nos últimos anos, entre eles a expansão da conectividade aérea internacional, a recuperação de rotas de longa distância e políticas voltadas ao fortalecimento da segurança e à atração de investimentos para o setor, segundo declarações de Natalia Bayona, diretora-executiva da ONU Turismo, à EFE.
A Argentina superou 3,5 milhões de visitantes internacionais até abril e continua ampliando sua conectividade com a Ásia após a inauguração da rota direta entre Xangai e Buenos Aires, que começou a operar em dezembro de 2025.
Já o crescimento de dois dígitos registrado pelo Brasil em receitas turísticas nos três primeiros meses do ano foi impulsionado por novas conexões com Estados Unidos, Europa, América do Sul e África.
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A Colômbia também apresentou sinais de fortalecimento do turismo internacional. Segundo o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo, o país recebeu 1,58 milhão de visitantes não residentes durante o primeiro trimestre de 2026.
O Peru, por sua vez, recebeu 823.863 turistas internacionais entre janeiro e março, um aumento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Ministério do Comércio Exterior e Turismo (Mincetur).
O resultado confirmou a recuperação gradual do turismo receptivo no país andino, impulsionada principalmente por visitantes provenientes do Chile, Estados Unidos, Equador e Bolívia.
Na América Central, o dinamismo regional liderado por El Salvador é atribuído a melhorias na segurança, à promoção internacional e à diversificação da oferta turística. O país recebeu mais de 1,3 milhão de visitantes entre janeiro e março.
Enquanto isso, a República Dominicana continuou consolidando sua posição como um dos principais destinos da região ao receber mais de 3,7 milhões de turistas, o que representou crescimento de 10,8% na comparação anual em relação aos três primeiros meses de 2025, segundo o Ministério do Turismo.
O país caribenho conseguiu recuperar conexões aéreas internacionais relevantes, como a rota da Air France, retomada em janeiro deste ano.
O México, por sua vez, manteve sua condição de principal potência turística da região ao receber 26,2 milhões de visitantes internacionais durante o primeiro trimestre. O país, ao lado de Canadá e Estados Unidos, poderá se beneficiar por sediar a Copa do Mundo da FIFA de 2026, em junho e julho.
Desempenho por regiões
A Europa, principal região turística do mundo, recebeu mais de 130 milhões de turistas internacionais no primeiro trimestre de 2026, o que representou aumento de 4% e consolidou o impulso registrado em 2025 (5%).
Já as chegadas à África continuaram crescendo no primeiro trimestre de 2026, com avanço de 4% no norte do continente.
A Ásia e o Pacífico, por sua vez, registraram crescimento de 3% no período, um ritmo um pouco mais lento do que o esperado devido ao desempenho desigual entre os diferentes destinos.
No Oriente Médio, as chegadas caíram 14% no primeiro trimestre de 2026 em razão dos impactos do conflito. Vários destinos do Golfo registraram fortes quedas no período, enquanto o Egito (16%) apresentou crescimento robusto nas chegadas, somando-se à forte recuperação observada após a pandemia, com o volume de visitantes em 2025 superando em 40% os níveis registrados em 2019.









