Renda variável sobe enquanto títulos soberanos perdem valor

Bolsas europeias e futuros de índices nos EUA mantêm-se no campo positivo desde a abertura; investidores reavaliam posições após discurso do presidente do Fed

As variáveis que orientarão os mercados
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Barcelona, Espanha — Os mercados acionários seguem uma jornada positiva desde a abertura, mas os títulos soberanos vão em sentido oposto, com os investidores se desfazendo de suas posições diante da perspectiva de um menor crescimento econômico. Os investidores temem que a mão pesada dos bancos centrais no combate à inflação acabe restringindo as economias.

Os prêmios pagos pelos bônus de 10 anos do Tesouro norte-americano, por exemplo, continuam em ascensão depois que as taxas de curto prazo registraram uma das maiores subidas diárias da última década na segunda-feira. O que impressiona o mercado não é a taxa em si (de 2,34% para os bônus de 10 anos), mas a velocidade com que subiram em um curto espaço de tempo.

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Treasuries agora caminham rumo a perdas recordes, depois de seus rendimentos alcançarem um mínimo histórico

Enquanto as bolsas europeias e os futuros de índices norte-americanos subiam, o dólar apreciava-se frente a uma cesta de 10 moedas líderes mundiais. O Bitcoin chegava ao seu nível mais alto em quase três semanas. E petróleo caía, ainda que de forma menos intensa do que a vista mais cedo. A Alemanha e a Hungria estão freando um possível embargo da União Europeia sobre o petróleo russo, aprofundando as diferenças no bloco sobre como punir ainda mais Moscou por sua invasão da Ucrânia.

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👊🏻 Mão pesada

Quem ainda tinha dúvidas sobre a disposição do Federal Reserve (Fed) de enfrentar a inflação, agora já sabe que o banco central está decidido a ganhar o páreo.

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O presidente do Fed, Jerome Powell, mostrou ontem o seu lado mais “hawkish no combate à escalada inflacionária. Disse que o Fed adotará as “medidas necessárias” para reduzir a inflação, ainda que isso signifique aumentar os juros mais rapidamente que o previsto. “Se concluirmos que é apropriado agir de forma mais agressiva, aumentando os juros em mais de 25 pontos base em uma reunião ou reuniões, o faremos”, sentenciou. “E se determinarmos que precisamos ir além das medidas comuns de neutralidade e adotar uma postura mais restritiva, faremos isso também.”

Powell reiterou que a invasão da Ucrânia pela Rússia está agravando as pressões inflacionárias ao aumentar os preços dos alimentos, energia e outras commodities “em um momento de inflação já muito alta”.

🚫 Corte de relações?

Mais suspense no ar. A Rússia declarou que suas relações com os Estados Unidos estão à beira de uma ruptura. A gota d’água foi a afirmação recente de Joe Biden de que Vladimir Putin é um “criminoso de guerra”, qualificação que o Kremlin considerou “inaceitável”.

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Ontem, o presidente norte-americano alertou sobre possíveis ataques cibernéticos russos, endossando as preocupações crescentes sobre uma eventual resposta ordenada pelo Kremlin às sanções esmagadoras impostas ao país após a invasão da Ucrânia. O próprio Biden reiterou esses avisos, motivados pelo que chamou de “inteligência em evolução de que o governo russo está explorando opções para possíveis ataques cibernéticos”.

🏦 Bancos centrais com a palavra

Vários membros de bancos centrais, entre eles os presidentes do BCE e do Fed, falam esta semana na cúpula de inovação do BIS, de hoje a 23 de março. 

📊 Dados macroeconômicos

E a partir de amanhã os investidores também se dedicarão a analisar uma série de indicadores macro mundiais, que darão uma ideia de como a guerra está afetando a produção, os preços, a confiança do consumidor e do empresariado e a expansão econômica.

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Os mercados no começo da manhã

🟢 As bolsas ontem: Dow (-0,58%), S&P 500 (-0,04%), Nasdaq (-0,40%), Stoxx 600 (+0,04%), Ibovespa (+0,73%)

O discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, deu motivos para as bolsas norte-americanas fecharam em baixa. Ele advertiu que “a inflação está muito alta” e mostrou um tom mais aguerrido para a política monetária do banco central, dizendo que tomará todas as medidas necessárias para enfrentar a alta dos preços.

Na agenda

Esta é a agenda prevista para hoje:

EUA: Índice Redbook; Índices de Manufatura e de Serviços do Fed Richmond/Mar; Estoques de Petróleo Bruto Semanal API

Europa: Zona do Euro (Transações Correntes/Jan; Produção do Setor de Construção/Jan); Reino Unido (Dívida Líquida do Setor Público/Fev)

Ásia: Japão (Índice de Indicadores Antecedentes)

América Latina: Brasil (Ata do Copom/BC); México (Demanda Agregada, Gastos Privados/4T21); Argentina (Transações Correntes/4T21)

Bancos Centrais: Discursos de Luis de Guindos e Philip Lane (BCE), John Williams, Mary Daly e Loretta Mester (FOMC/Fed). A presidente do BCE, Christine Lagarde, fala na cúpula de inovação do BIS, que acontece de terça-feira (22) a 23 de março.

📌 E para amanhã:

• EUA: Juros de Hipotecas de 30 anos; Pedidos de Hipotecas; Índice de Compras MBA; Vendas de Casas Novas/Fev; Estoques de Petróleo Bruto; Atividade das Refinarias de Petróleo pela EIA; Produção de Gasolina; Taxas semanais de Utilização das Refinarias EIA

• Europa: Zona do Euro (Confiança do Consumidor/Mar); Reino Unido (IPC, IPP e Índice de Preços no Varejo/Fev; apresentação do Orçamento Anual)

• Ásia: Japão (IPC; Índice de Indicadores Antecedentes; PMIs Industrial e do Setor de Serviços/Mar)

• América Latina: Brasil (Fluxo Cambial Estrangeiro); Argentina (PIB/4T21 e Balança Comercial/Fev)

• Bancos Centrais: Atas da Reunião de Política Monetária do Bank of Japan (BoJ). Os presidentes do BCE e do Fed, Christine Lagarde e Jerome Powell, estarão entre os oradores da cúpula de inovação do BIS, que vai até 23 de março. Pronunciamentos de Andew Bailey (BoE), Joachim Nagel (Bundesbank), Mary Daly (FOMC/Fed)

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-- Com informações de Bloomberg News