Bloomberg — O Goldman Sachs intensificou os alertas sobre uma possível escassez no refino global, impulsionada pelas guerras no Oriente Médio e entre Moscou e Kiev, fazendo o banco mais que dobrar suas projeções de lucros globais com a produção de diesel.
“O aumento dos ataques a refinarias no Oriente Médio e na Rússia restringiu ainda mais a capacidade global de refino, que já se encontrava sobrecarregada, levando as margens dos produtos refinados a novas máximas”, afirmaram analistas, incluindo Yulia Zhestkova Grigsby e Daan Struyven, em um relatório. “O diesel continua sendo o epicentro da alta.”
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
As paralisações nas refinarias estão 60% acima das médias sazonais, e os estoques de produtos estão diminuindo, apesar da perda de parte da demanda, afirmaram eles.
O lucro com a produção de um barril de diesel em relação ao Brent será, em média, de US$ 63 nos Estados Unidos e US$ 49 na União Europeia no próximo ano, acima das previsões anteriores de US$ 27 e US$ 19.

O mundo enfrenta uma crise global de combustíveis, com os preços dos produtos — incluindo a gasolina — superando em muito os ganhos do petróleo bruto.
A escassez deve se agravar depois que a Rússia prorrogou a proibição de exportação de diesel até setembro e a demanda se recupera no Brasil, o segundo maior importador mundial.
Ao mesmo tempo, a aproximação do inverno no Hemisfério Norte deve impulsionar a demanda por combustível para aquecimento.
Leia também: Em ação sem precedentes, Trump fecha acordo para controlar 55% do petróleo venezuelano
No Oriente Médio, embora as exportações de petróleo bruto do Golfo Pérsico provavelmente tenham retornado a 70% a 80% dos níveis pré-guerra, os embarques de derivados permanecem em apenas 40%, afirmaram os analistas do Goldman em nota de 28 de agosto. “Uma recuperação total da produção requer uma redução da tensão geopolítica global”, acrescentaram.
Nos mercados de futuros, o petróleo bruto Brent registrou alta de quase 50% neste ano e foi negociado pela última vez perto de US$ 91 por barril, devido a uma nova onda de agitação no Oriente Médio. Os futuros europeus de gasóleo, por sua vez, mais que dobraram de preço.
O Goldman Sachs tem sinalizado com frequência a escassez nos mercados de derivados nos últimos meses, afirmando em março que a guerra entre o Irã e os EUA deveria ter um impacto muito maior sobre os combustíveis do que sobre o petróleo.
No início deste mês, a instituição voltou a destacar o impacto dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa.
O diretor executivo da Shell, Wael Sawan, afirmou na semana passada que o mercado de produtos estava sendo pressionado pela “tripla ameaça” dos ataques às refinarias russas e dos riscos à navegação no Golfo Pérsico e no Mar Vermelho.
Enquanto isso, Patrick Pouyanne, da TotalEnergies, afirmou que, embora algumas cargas de petróleo bruto estivessem transitando pelo Estreito de Ormuz, nenhum produto refinado estava conseguindo sair.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Chevron negocia expansão na Venezuela em meio a avanço dos EUA sobre setor de petróleo
Petróleo cai, mas combustível dispara: CEOs avaliam impacto de ‘tripla ameaça’ ao setor
©2026 Bloomberg L.P.








