Ray Dalio detalha estratégia para se proteger contra o risco da dívida americana

Bilionário fundador da Bridgewater Associates avalia que sem uma mudança de rumo uma crise da dívida dos Estados Unidos poderia ocorrer ‘em três anos, mais ou menos dois’

Day Three Of World Economic Forum (WEF) 2026
Por Ye Xie
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Bloomberg — O bilionário Ray Dalio afirmou que os investidores deveriam reduzir suas posições em títulos e aplicar até 15% de seu capital em ouro para se protegerem contra o risco de uma crise da dívida nos Estados Unidos, que, segundo ele, poderia ocorrer em apenas três anos.

Em uma publicação no LinkedIn na sexta-feira (21), o fundador da Bridgewater Associates afirmou que os investidores devem diversificar seus investimentos entre ativos e países com finanças sólidas.

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Reduzir a participação dos títulos e manter cerca de 10% a 15% da carteira em ouro e “um pouco” de bitcoin poderia tanto reduzir o risco quanto aumentar os retornos, afirmou Dalio, que há muito tempo alerta sobre os perigos do aumento da dívida pública americana.


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Seus comentários surgem em um momento em que os rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo atingiram máximas em vários anos e o Japão, o maior credor estrangeiro dos Estados Unidos, vendeu títulos americanos para sustentar o iene.

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Leia também: Bessent diz que Tesouro pode ampliar recompra de dívida diante de juros mais altos

Para conter a queda nos títulos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou nesta semana planos para intensificar a recompra de dívida de longo prazo — uma medida surpreendente que, até o momento, proporcionou pouco mais do que um alívio de curto prazo.

Os últimos acontecimentos estão em consonância com a estrutura do ciclo da dívida que Dalio delineou em seu livro Como os países quebram: O grande ciclo, escreveu ele.

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Os custos crescentes do serviço da dívida acabam por colidir com a demanda insuficiente dos investidores, afirmou ele, forçando os governos a aceitar taxas de juros mais altas ou os bancos centrais a imprimir dinheiro para comprar dívida, enfraquecendo as moedas e alimentando a inflação ao longo do processo.

Dalio estima que a receita do governo dos Estados Unidos seja de cerca de US$ 5,5 trilhões este ano, contra US$ 7,5 trilhões em gastos, resultando em um déficit de US$ 2 trilhões. Somente os custos com juros serão de cerca de US$ 1 trilhão este ano, enquanto cerca de US$ 10 trilhões em dívida precisam ser refinanciados.

Sem uma mudança de rumo, uma crise da dívida dos Estados Unidos poderia ocorrer “em três anos, mais ou menos dois”, afirmou Dalio.

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Ele defende a redução do déficit orçamentário para 3% do Produto Interno Bruto (PIB), a partir do nível atual de cerca de 6%, por meio de uma combinação de cortes nos gastos, aumento da arrecadação tributária e redução das taxas de juros.

Dalio afirmou que pressões fiscais semelhantes afetam países como o Reino Unido, a China e o Japão.

É por isso que “espero que ativos não emitidos pelo governo, como o ouro e o bitcoin, tenham um desempenho relativamente bom”, escreveu ele.

Na sexta-feira, o ouro atingiu o maior nível desde maio, enquanto o bitcoin ultrapassou US$ 77.000.

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