Bloomberg Línea Brasil — Apresentada como um grande avanço tecnológico há mais de 10 anos, a Alexa frustrou muitos usuários nos últimos anos, ao não atender aos seus desejos e anseios mais complexos.
Muitos usuários, inclusive, optaram por usar a assistente em atividades mais básicas, como alarmes, timers e lembretes, que somaram mais de 2 bilhões de interações ao longo de 2025, além de ouvir músicas ou acessar plataformas de streaming em vídeo, com quase 6 bilhões de interações.
Apesar de comentários, por vezes, pouco elogiosos, a Alexa avançou com produtos próprios, como a linha Echo e o FireTV, e de parceiros, à medida que as casas ficaram mais inteligentes.
Em 2025, somou cerca de 15 milhões de dispositivos usados mensalmente no país, segundo dados da Amazon. O número de dispositivos de casa inteligente conectados à Alexa chegou a mais de 29 milhões no ano - alta de 32% em relação a 2024.
No Brasil, onde a Alexa desembarcou em 2019, mais de 3.000 dispositivos de casa inteligente podem ser controlados por uma Alexa atualmente, como lâmpadas, interruptores, câmeras, controle remoto universal infravermelho, fechadura eletrônica e sensores de presença.
A Alexa +, lançada no Brasil nesta quinta-feira, 18, chega com a ambição de ressignificar a experiência. Não se trata de apenas uma nova versão, mas sim de uma nova tecnologia, segundo Michele Butti, vice-presidente da Alexa Internacional.
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“A Alexa original nunca parou de crescer e alcançou mais de 1 bilhão de dispositivos conectados no mundo, mas nós tínhamos chegado ao limite da tecnologia. Não conseguíamos avançar em direção à nossa visão original de uma assistente que pode fazer tudo”, afirmou o executivo italiano em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.
Eficiência de custos em escala
A Amazon optou por reconstruir o motor da Alexa do zero.
No novo sistema, a IA opera em 70 modelos atualmente e decide em tempo real qual acionar a depender da complexidade do comando do usuário — indo de pequenos modelos locais e deterministas para acender uma lâmpada a modelos robustos de parceiras como a Anthropic (do ecossistema Bedrock, da AWS) e modelos proprietários da linha Amazon Nova para interações complexas.
É uma engenharia que busca a eficiência de custos de computação em escala.
“O custo básico de um LLM deixa quase todas as experiências oferecidas hoje com IA muito caras. Nós temos várias vantagens. Primeiro, nossa arquitetura: não usamos modelos super caros para ações simples. A grande maioria das ações é servida pelos modelos Nova, que são muito eficientes, além de rodarem em nossos processadores proprietários Trainium”, diz Butti.
No Brasil, o segundo mercado da América Latina a receber a atualização depois do México, a Amazon adotará uma estratégia agressiva de distribuição.
A Alexa Plus será incluída sem custo adicional na assinatura do Amazon Prime. Para quem não é assinante do pacote de benefícios, a ferramenta será vendida por R$ 99,90 ao mês, valor que inclui 2 TB de armazenamento de fotos e vídeo no Amazon Photos.
Neste primeiro momento, quando ainda está em fase de “Acesso Antecipado”, a tecnologia será gratuita para todos os usuários.
A modalidade de acesso antecipado deve durar até, pelo menos, outubro, com a participação de dezenas de milhares de pessoas. Clientes com dispositivo compatível podem se inscrever em amazon.com.br/alexaplus ou simplesmente dizer “Alexa, quero Alexa+”.
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Segundo a Amazon, 98% dos dispositivos da linha Echo usados no país são compatíveis com a tecnologia da Alexa+.

O efeito flywheel
A decisão de embutir a Alexa Plus dentro do ecossistema Prime no Brasil reflete a tese de crescimento em flywheel (volante de inércia), adaptada e popularizada por Jeff Bezos da Amazon.
“Nós acreditamos que a Alexa vai ficar muito mais central neste modelo da Amazon, deixando o Prime mais desejável e contribuindo para ajudar os clientes na descoberta de outros benefícios da Prime, no consumo Prime Video, Amazon Music e Twitch, por exemplo”, diz Butti.
O Brasil é o segundo país da América Latina a contar com o lançamento oficial da Alexa +, algumas semanas depois do México.
A ferramenta fez a estreia no modelo de “Acesso Antecipado” nos Estados Unidos em fevereiro de 2025 e, desde fevereiro passado, está disponível para todos os usuários interessados.
Segundo dados da Amazon, nos últimos 12 meses nos Estados Unidos a companhia observou que os usuários falando duas vezes mais com a assistente, fazendo 3 vezes mais compras e pedindo 5 vezes mais receitas.
Como funciona
No novo modelo, a Alexa trabalha com camadas de memória e contexto para oferecer informações mais personalizadas e permitirá conversação contínua, compreendendo frases interrompidas e mudanças de ideia no meio da oração, segundo Butti.
Com o uso do ID Visual e do ID de Voz, ela poderá memorizar rotinas, preferências musicais e restrições alimentares dos moradores — adaptando sugestões de receitas ou restaurantes de acordo com o perfil.
“As pessoas não precisarão dizer “Alexa” toda vez, o que permitirá ter conversas. Essa é uma diferença que será percebida imediatamente”, diz Butti.
“Ela é muito mais inteligente e, com o uso dos vários modelos, poderá responder desde como fazer macarrão ao que aconteceu na última expedição da Nasa”.
Para a estreia por aqui, a Alexa+ passou por um banho de português para se adequar às variações linguísticas, sotaques e expressões de cada região do país.
”Os modelos, em geral, são multilínguas, mas, tendencialmente, são monoculturais, com 80% sendo treinados em inglês, na versão americana. Com o nosso time e cientistas, locais, nós treinamos para entender a cultura e o senso de humor brasileiro”, disse.
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Perguntado se é difícil entender o humor local, Butti disse que não, mas que precisa ser brasileiro. “Eu posso ter o melhor cientista do mundo em Seattle (sede da Amazon), mas ele não vai conseguir. Tem que ter um time aqui para perceber as nuances locais”.
Novas integrações físicas
A nova versão também contorna a rigidez técnica anterior para o serviço de casa inteligente, permitindo controlar dispositivos conectados sem que os clientes precisem decorar comandos ou nomes específicos.
A Alexa+ procura se diferenciar dos outros chatbots do mercado, reforçando a integração com o mundo físico. Desde o controle ambiental de uma residência, execução de músicas até compras e integração com parceiros.
Os primeiros anúncios nesta nova fase são com a Uber, o que, no futuro permitirá solicitar veículos por voz, Gol e ClickBus, para compras de passagens, Porto Seguro, para serviços residenciais, e FeverUp, compra de ingressos. O desenvolvimento com a Uber é o mais avançado no momento e a Amazon prevê que a integração estará disponível em breve.
A experiência deve ganhar novas interfaces, como os browsers de navegação, previsto para os próximos meses, para situações que requerem mais informações, como um roteiro de viagem e a preparação de uma receita.
Além disso, o aplicativo irá assumir uma nova dimensão, deixando de ser um espaço de configuração para se tornar também de execução. “O aplicativo será muito mais importante que na experiência original, como interface de inteligência artificial, histórico das conversas e dos interesses do usuário”, afirma Butti.
Segundo o executivo, a segurança da plataforma Alexa, ainda mais quando o acesso a dados sensíveis tende a escalar em velocidade exponencial, continua como uma prioridade.
“Desde 2014, quando fizemos o lançamento, os clientes podem ver o que a Alexa sabe deles. E hoje é a mesma coisa: eles podem cancelar as conversas, contexto e apagar essas memórias”, diz o executivo.









