Bloomberg Línea — A Rappi anunciou nesta quarta-feira (8) Guillermo Formigoni como novo general manager da operação brasileira, em substituição a Felipe Criniti, que ocupa a posição há três anos. A troca de comando que chega no momento em que a disputa entre os aplicativos de entrega no país atinge seu ponto mais agressivo em anos após a entrada de novos competidores no mercado brasileiro.
Formigoni, que já liderava as áreas de Growth, Operações e Turbo dentro da própria Rappi, assume a liderança partir de hoje e irá responder a Ajay Mittal, Chief Operating Officer global da companhia. Criniti permanecerá na Rappi até o fim de 2026, liderando a Rappi Cargo, unidade B2B de logística voltada a comerciantes e clientes corporativos, e ajudará na transição.
A startup colombiana, criada por Símon Borrero, Sebastián Mejía e Felipe Villamarín, descreve a mudança como o início de uma “nova fase de crescimento” no Brasil, classificado pela empresa um dos mercados mais estratégicos da América Latina.

Nos últimos dez meses, segundo o comunicado, a startup registrou 40% de crescimento da modalidade Turbo, seu serviço de entregas ultrarrápidas, aumentou o sortimento da divisão e lançou a vertical Ready to Eat e fechar parcerias com Lojas Americanas e Cencosud no varejo, e com OpenAI, Amazon e PicPay no campo tecnológico e financeiro.
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Durante anos, a Rappi foi a principal concorrente do iFood no Brasil, líder no segmento, mas tem visto a competição se acirrar com o retorno da 99 ao mercado de delivery e a entrada da Keeta, marca do grupo chinês Meituan, no mercado brasileiro com a promessa de investir R$ 5,6 bilhões em cinco anos.
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Keeeta, 99Food e iFood estão no centro da disputa tanto por mercado quanto sob o âmbito regulatório e judicial.
As tensões passam uma sequência de disputas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) envolvendo contratos de exclusividade — o mais recente movido pela Keeta contra a 99Food — e até acusações de espionagem corporativa entre iFood e concorrentes chinesas.
Uma disputa que deixou de ser só sobre comida
No ano passado, após anúncios bilionários das empresas de delivery chinesas, e também do iFood, que detém cerca de 80% do mercado e prometeu aportar R$ 17 bilhões até março deste ano para blindar sua posição, a Rappi fez movimento semelhante. A companhia anunciou investimentos de R$ 1,4 bilhão até 2028 para ampliar sua presença no país, apostando numa estratégia de tarifa zero para restaurantes parceiros.
O passo seguinte da foodtech foi o anúncio de que a Amazon, de Jeff Bezos, adquiriu uma fatia do negócio, ao colocar inicialmente de US$ 25 milhões, por meio de uma nota conversível que pode chegar a 12% do capital, caso metas sejam atingidas. O movimento foi lido pelo mercado como resposta direta ao avanço do Mercado Livre na região.
Em dezembro, a Rappi também levou seu serviço de entregas para dentro do aplicativo do PicPay, unindo delivery e finanças em uma única experiência, numa aposta que a companhia descreveu como inédita no mercado latino-americano.
A mudança da cadeia de comando do negócio no maior mercado da América Latina chega neste contexto de muita mobilidade no setor.
Segundo o comunicado da Rappi, o momento marca a passagem de uma fase de “provar o modelo de negócio” para uma etapa concentrada em “escalar aquilo que já foi construído”.
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