Fintech da Geração Z, NG.Cash capta US$ 15 milhões para avançar em crédito e cripto

Com 10 milhões de clientes, fintech fechou aporte liderado pela Blockchain Capital, foca em licença de cripto do BC para construir nova esteira de produtos e projeta originação de R$ 1 bi em crédito

A NG.Cash soma hoje 10 milhões de clientes. Do total de usuários, 30% já são maiores de idade, mas nem todos ainda têm acesso a crédito, operação que tem sido expandida gradualmente
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Bloomberg Línea — Fintech que opera uma carteira digital voltada para a geração Z no Brasil, a NG.Cash acaba de fechar um aporte estratégico de US$ 15 milhões liderado pela Blockchain Capital, um dos maiores fundos do mundo dedicados à blockchain.

Os novos recursos serão usados para a operação de crédito iniciado pela startups nos últimos meses, com um produto de crédito consignado e o Pix Crédito.

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A nova rodada acontece pouco mais de um ano após a fintech ter anunciado uma captação série B US$ 26,5 milhões (cerca de R$ 150 milhões), liderada pela gestora norte-americana NEA.

Segundo o cofundador e CEO Mário Augusto Sá, o que está por trás do movimento é o interesse no novo investidor que entra para o cap table, ao lado de nomes como a16z, NEA e Monashees.

“Nós não estamos precisando de caixa e, mesmo essa ideia de levantar, acabamos fazendo muito mais pelo investidor, porque estamos trazendo a Blockchain Capital para olhar esse segmento”, disse Sá em entrevista à Bloomberg Línea.

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O aporte chega em meio a uma mudança regulatória que a NG.Cash enxerga como oportunidade: o Banco Central está regulamentando as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (PSAVs, ou VASPs, na sigla em inglês), a licença de cripto no Brasil.

“Existe essa janela de oportunidade e nós acreditamos que com mudanças regulatórias vem grandes oportunidades”, afirmou o executivo. “E a Blockchain Capital vai conseguir nos ajudar a navegar nesse universo”. A NG.Cash já opera com os chamados grandfather rights para a licença de cripto, o que permite compra e venda do ativo na plataforma antes mesmo da licença definitiva.

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O intuito da fintech ao trazer o novo sócio, de acordo com Sá, é ampliar as perspectivas do negócio. “Nós viramos uma exchange? Não é nada do gênero. Continuamos sendo um banco para a nova geração, focado em crédito, mas acreditamos que blockchain é uma tecnologia que muda como construímos produto financeiro”, disse.

Na prática, isso significa usar a infraestrutura blockchain para produtos que o usuário final nem vai identificar como tal, como uma compra internacional no cartão liquidada em dólar tokenizado (USDC), e outras novidades mais visíveis, como ações tokenizadas.

“É a parte de comprar ações que a gente não tem hoje, mas que tem a ambição de lançar. Em vez de fechar às 5 da tarde como na B3, não fecha, 24 horas por dia”, contou o CEO, citando também a possibilidade de usar saldo em stablecoin como garantia para empréstimos.

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Para o restante do ano, a companhia projeta ampliar a corretora de criptoativos, hoje restrita a bitcoin e ethereum, para outros ativos digitais, além de lançar stablecoins e conta internacional até dezembro.

Mario Augusto Sá, da NG.Cash: Acreditamos que blockchain é uma tecnologia que muda como construímos produto financeiro

Crédito segue sendo a prioridade

Se o aporte tem motivação estratégica ligada à cripto, o crédito continua sendo o carro-chefe da operação — e a base que sustenta a tese de um “banco geracional” para a geração Z.

A NG.Cash soma hoje 10 milhões de clientes, ante 8 milhões registrados em abril, quando a companhia lançou o Crédito CLT, sua linha de consignado privado.

Do total de usuários, 30% já são maiores de idade, mas nem todos ainda têm acesso a crédito, operação que tem se expandido gradualmente. Assim como os limites do PixCrédito, que começaram em R$ 150,00 com prazo máximo de 30 dias para pagamento.

“A ideia é que até o final do ano que vem nós tenhamos 100% dos nossos usuários maiores de idade, que vieram com a gente desde a menoridade, com acesso a produtos de crédito”, afirmou o CEO.

A meta declarada é alcançar R$ 1 bilhão em crédito originado até o fim de 2027. A fintech não compartilha os números atuais. Hoje, a operação de crédito roda com balanço próprio e, a partir do próximo ano, a fintech planeja estruturar um FIDC para escalar a carteira.

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De olho na América Latina

O aporte também mira, ainda que de forma preliminar, a expansão para fora do Brasil.

Para Sá, a mesma lacuna que a NG.Cash endereçou aqui — jovens com renda própria e pouco acesso a serviços financeiros digitais — se repete em outros mercados latino-americanos, e a tecnologia blockchain pode cumprir na região o papel que o pix teve no Brasil.

“Conforme os países forem adotando pagamento instantâneo, o dinheiro físico passa a parar de ser relevante na vida dessas pessoas. No Brasil foi o pix, mas em vários países da América Latina pode ser as stablecoins e a blockchain”, afirmou o CEO, sem detalhar quais mercados estão no radar.