Databricks investirá R$ 1,5 bi no Brasil após triplicar a operação no país em 2 anos

O investimento é um dos maiores já anunciados pela empresa de tecnologia americana em um único mercado fora dos EUA; Brasil é um dos países com maior ritmo de crescimento, contaram à Bloomberg Línea o co-fundador Arsalan Tavakoli e o country manager Ricardo Buffon

O investimento marca uma nova fase de expansão da companhia no país, onde chegou oficialmente em 2020 e tem ampliado a presença. A operação local apresenta um dos maiores crescimentos globalmente
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Bloomberg Línea — A americana Databricks está anunciando o seu maior investimento no Brasil, um dos seus mercados de maior crescimento. A empresa multinacional de dados e inteligência artificial vai investir R$ 1,5 bilhão (US$ 300 milhões) no Brasil ao longo dos próximos três anos, um dos maiores aportes já anunciados em um único mercado fora dos Estados Unidos.

O anúncio marca uma nova fase de expansão da companhia no país, onde chegou oficialmente em 2020 e tem ampliado a presença ano a ano.

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Em 2025, exatamente no dia 16 de setembro, a empresa anunciou o seu primeiro investimento em uma startup latino-americana, na brasileira Indicium, hoje sob o nome de Indicium IA.


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O Brasil combina dois fatores que a Databricks considera essenciais para atrair o investimento: volume de dados disponível e apetite das organizações para usá-los, segundo Arsalan Tavakoli, cofundador e SVP de Field Engineering da Databricks, em entrevista exclusiva à Bloomberg Línea.

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“Historicamente, o mercado pode ter sido mal atendido, mas quando olhamos a combinação de habilidade técnica e dados disponíveis, vemos experiências únicas em diferentes indústrias e um país que avançou de forma progressiva para a nuvem”, afirmou o executivo.

“Não importa o quanto nós invistamos, nós só vemos a demanda e o apetite aumentarem no país, por isso continuamos investindo fortemente.”

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No país, a Databricks atende tanto startups como iFood, Nubank, Dock e PicPay quanto companhias como Itaú, Bradesco e Natura.

“Nós quase triplicamos o negócio nos últimos dois anos. E pelo menos 8 dos 10 maiores bancos, empresas de saúde, educação e serviços financeiros estão rodando suas plataformas de dados em nossos produtos”, disse Ricardo Buffon, country manager da Databricks há pouco mais de um ano.

O uso dos recursos

Segundo ele, a empresa, hoje com 200 funcionários no país, também passou por uma reorganização para acompanhar a expansão. Os times hoje operam por indústrias — varejo, serviços financeiros, nativos digitais e setor público — para se aproximar das demandas específicas de cada setor.

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Os recursos serão para a expansão de produtos como o Genie, assistente que permite consultas em linguagem natural aos dados; o LakeBase, banco de dados serverless da companhia; e o Unity Gateway, camada que conecta diferentes modelos de IA.

A Databricks também prevê o crescimento do time local e ampliação do escritório físico para comportar a equipe.

Em outra frente, para lidar com a conhecida falta de profissionais com conhecimento avançado em dados e IA, a empresa tem um plano de capacitação que prevê treinar mais de 150 mil pessoas nos próximos três anos e meio, o que inclui parcerias acadêmicas, com escolas, e-learning e treinamentos práticos.

Segundo Tavakoli, após os 36 meses de investimentos, a expectativa da Databricks é conseguir atender a demanda dos clientes.

“Na era da inteligência artificial, os nossos clientes agora dizem: ‘eu tenho dois projetos’ ou ‘quero fazer 20’, e nós precisamos ter databases para apps, GPUs para todas as aplicações de AI. Além disso, antes só os usuários técnicos lidavam com IA, agora 100% deles querem. Isso requer investimento em infraestrutura, compliance e ecossistema, mas também ter pessoas nossas lá”.

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Arsalan, co-fundador da Databricks: Não importa o quanto invistamos, nós só vemos a demanda e o apetite aumentarem no país

Entre startups e corporações

A proposta central da Databricks é o conceito de “lakehouse”, arquitetura que combina, em um único ambiente, a capacidade de armazenar grandes volumes de dados brutos com a organização e confiabilidade de um banco de dados tradicional.

Trocando em miúdos, permite que empresas guardem todo tipo de dado — estruturados (planilhas, tabelas e gráficos) e não estruturados (imagens e vídeos) —, em um só lugar, sem precisar duplicar informações entre sistemas diferentes.

No fim do dia, o objetivo é que os negócios possam construir aplicações de IA usando seu próprio contexto e histórico de dados, em vez de depender de um único fornecedor de modelo ou de processos manuais de análise.

Entre a base de clientes locais, o iFood roda simulações de cenários logísticos — até 10 mil por mês — para testar ajustes na malha de entregas e obteve uma economia de R$ 0,10 por pedido processado. No PicPay, a adoção da plataforma contribuiu para o corte pela metade do custo da plataforma de analytics e gerou US$ 10 milhões em economia ao otimizar os programas de cashback.

No Santander, a reorganização dos dados em um único ambiente reduziu de 71 dias para poucas horas o tempo de ingestão de informações e cortou pela metade o prazo para treinar e colocar em produção modelos de machine learning.

Buffon cita também um produto criado em colaboração entre Databricks, Indicium AI e a Dock, infraestrutura de banking as a service (BaaS). A fintech usou a plataforma para desenvolver o “Score Laranja”, produto capaz de identificar fraudes financeiras dias antes de elas ocorrerem.

“Nós estamos vendo oportunidades em ambos os lados, tanto em startups quanto em corporações. O caso da Dock é um exemplo do tipo de parceria que temos construído com o ecossistema de startups”, afirma.

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Fundada em 2013 na Califórnia, a Databricks é avaliada em US$ 190 bilhões. Nas últimas semanas, captou uma rodada de US$ 5 bilhões, liderada pelo fundo Coatue.

No cap table, a tese da empresa criada por estudantes e pesquisadores da Universidade Berkeley atraiu um pool diversificado de investidores, que inclui AWS, Microsoft, CapitalG (fundo da Alphabet), Andreessen Horowitz (a16z), BlackRock e os fundos soberanos GIC e Temasek.

Questionado sobre se o investimento no Brasil está conectado à rodada de captação mais recente da companhia, Tavakoli negou uma relação direta. “A Databricks tem gerado caixa positivo nos últimos 12 meses. Investir no Brasil é algo que vai acontecer de qualquer forma, é um ROI muito alto para nós”, disse.

O executivo também falou sobre uma questão frequente para a companhia, que é a abertura de capital. Com mais de uma década de história e um valuation próximo aos US$ 200 bilhões, não faltam especulações sobre o assunto.

“É uma questão de quando, não de se, mas não estamos com pressa. O nosso foco principal é como investimos no negócio e ajudamos os clientes a serem bem-sucedidos com IA — o IPO virá no tempo certo.”