Renault planeja nova linha com 16 modelos elétricos e busca crescer na América Latina

Montadora francesa pretende lançar 22 novos modelos até 2030, 16 serão elétricos; empresa enfrenta pressão em meio ao aumento da concorrência da Stellantis e de rivais chinesas como a BYD

Renault SA R5 E-Tech
Por Albertina Torsoli
10 de Março, 2026 | 03:32 PM

Bloomberg — A Renault prepara uma linha de modelos composta majoritariamente por carros totalmente elétricos, em um momento em que os consumidores enfrentam uma forte alta nos preços dos combustíveis.

Dezesseis dos 22 veículos que a montadora francesa planeja lançar na Europa até 2030 serão elétricos, informou a Renault nesta terça-feira (10), antes de um evento para investidores.

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O grupo também planeja lançar 14 novos modelos fora da Europa, onde busca acelerar o crescimento, incluindo na América Latina.

O movimento ocorre em meio a cenários conflitantes. De um lado, os preços da gasolina disparam à medida que a guerra no Irã interrompe o fornecimento de petróleo.

Por outro, além do conflito no Oriente Médio, montadoras como Stellantis e Volvo Car têm reduzido suas ambições em veículos elétricos diante de uma demanda abaixo do esperado.

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O CEO da Renault, Francois Provost, enfrenta pressão para melhorar as vendas, que têm caído recentemente na Europa em meio ao aumento da concorrência da Stellantis e de rivais chinesas como a BYD.

As ações da Renault chegaram a subir até 3,1% em Paris. Ainda assim, o papel acumula queda de quase 20% neste ano.

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Com seu principal mercado na Europa, a Renault aposta que a região voltará a ganhar tração nos veículos elétricos. As vendas de carros com tomada estão acelerando após países como a Alemanha retomarem programas de subsídios. Os emplacamentos de elétricos subiram 14% na Europa em janeiro, enquanto os híbridos plug-in registraram alta de quase um terço.

Veterano da Renault e ex-chefe de compras da empresa, Provost tem promovido cortes de custos em várias frentes para ajudar a estabilizar a montadora após a saída inesperada de seu antecessor, Luca de Meo.

Provost tenta convencer investidores de que a Renault precisa buscar o mesmo nível de eficiência e agilidade de suas rivais chinesas.

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A empresa firmou parceria com a chinesa Geely para acelerar e reduzir o custo do desenvolvimento de modelos em países como Coreia do Sul e Brasil.

A Renault reafirmou nesta terça-feira suas metas de médio prazo de margem operacional entre 5% e 7% da receita do grupo e de fluxo de caixa livre automotivo médio de ao menos € 1,5 bilhão por ano. A companhia espera reduzir os custos variáveis por veículo em cerca de € 400 ao ano.

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A montadora afirmou que pretende manter a tecnologia híbrida além de 2030. Também espera reduzir ainda mais as despesas ao usar, em média, 30% menos peças por veículo e ao empregar 350 robôs humanoides para trabalhos pesados e tarefas de baixo valor agregado.

A principal marca Renault mira vendas anuais superiores a 2 milhões de carros até 2030, acima dos 1,6 milhão registrados no ano passado.

O grupo, que pretende crescer ainda mais na América Latina e na Índia, manterá uma base forte na Europa e usará suas próprias plataformas para ganhar competitividade, afirmou o CEO.

“Tornar-se a montadora de referência da Europa significa estabelecer a ambição de projetar e produzir no continente produtos que sejam os melhores da categoria em desejo do consumidor, tecnologia e competitividade”, disse Provost em comunicado.

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