XP aposta em bolsa ‘além do Ibovespa’ e espera desaceleração da economia em 2027

Crescimento menor pode criar espaço para cortes nas taxas de juros, mas isso dependerá dos sinais fiscais enviados pelo governo que assumir o poder após as eleições, segundo Caio Megale, economista-chefe da corretora

Investidores devem ser mais seletivos com ações brasileiras, de acordo com a XP (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Vinícius Andrade

Bloomberg — Investidores devem ser mais seletivos com ações brasileiras, visto que o crescimento econômico deve arrefecer e o país caminha para uma eleição presidencial polarizada, de acordo com a XP.

Uma das maiores corretoras do Brasil, ela está de olho em empresas de serviços públicos com fluxos de caixa previsíveis e em ações do setor financeiro, segundo Raphael Figueredo, estrategista sênior de ações da XP.

PUBLICIDADE

A corretora também favorece construtoras residenciais, como a Cury e a Direcional, que se beneficiam de programas habitacionais subsidiados pelo governo para famílias de baixa renda.

“Ter exposição a ações continua sendo importante. Mas isso não significa comprar ações do Ibovespa indiscriminadamente”, disse Figueiredo. “Precisamos ser seletivos.”


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

PUBLICIDADE

Essa abordagem tornou-se ainda mais importante após o principal índice de ações do Brasil registrar a oitava semana consecutiva de perdas, sua maior sequência negativa desde pelo menos 1989. A XP também vê oportunidades em empresas com capacidade de manter o pagamento de dividendos mesmo com os custos de financiamento elevados.

Leia também: ‘Voo solo’ da bolsa brasileira pode prolongar rali, diz estrategista-chefe da XP

Uma das previsões mais enfáticas da XP é que a economia brasileira deve desacelerar acentuadamente no próximo ano, à medida que os motores do crescimento recente começam a perder força.

PUBLICIDADE

O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer cerca de 1,2% no próximo ano, ante 2% neste ano, devido às altas taxas de juros e ao enfraquecimento do estímulo fiscal.

Leia também: Dólar pode enfraquecer, mas não tem substituto como reserva global, diz CIO da XP

Se essa desaceleração criará espaço para cortes nas taxas de juros dependerá dos sinais fiscais enviados pelo governo que assumir o poder após as eleições.

PUBLICIDADE

“Esse processo pode ser mais intenso, se não for conduzido de forma ordenada, juntamente com um ajuste fiscal, que criaria espaço para o Banco Central cortar as taxas de juros”, disse Caio Megale, economista-chefe da XP, que tinha R$ 1,5 trilhão (US$ 292 bilhões) em ativos sob gestão no final de março.

Se a desaceleração for desordenada, sem sinais fiscais claros, “poderíamos ver desvalorização da moeda e inflação mais persistente”, acrescentou.

Veja mais em bloomberg.com