Nubank tem vantagem competitiva ‘abismal’ nos Estados Unidos, diz David Vélez

Em evento em São Paulo, fundador disse que a fintech atende 140 milhões de clientes com 10.000 funcionários, o que lhe dá uma vantagem competitiva em relação a demais instituições financeiras no mercado americano; ‘O maior PIB latino do mundo são os Estados Unidos’, afirmou

David Vélez durante una presentación corporativa de Nubank. Foto: Nubank
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Bloomberg Línea — O Nubank mira um mercado de cerca de US$ 100 bilhões: é o volume que consumidores nos Estados Unidos enviam todo ano para outros países em remessas internacionais, muitas vezes pagando taxas de até 10%. Para o fundador e CEO global, David Vélez, a oportunidade se assemelha à que o banco digital já explorou no Brasil.

“Nossa visão é que as remessas mundiais se assemelham ao Pix”, disse ele, indo além do que afirmou publicamente em entrevista à Bloomberg News na semana passada, ao arriscar um prazo: “o sistema de pagamento global vai ser um Pix daqui a dez anos.”

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Vélez usou a comparação de custos para justificar a aposta no mercado americano. Segundo ele, o Nubank (NU) opera hoje com cerca de 10.000 funcionários para 140 milhões de clientes na América Latina, uma proporção que contrasta, de acordo Vélez, com a de bancos tradicionais brasileiros, com 100 milhões de clientes para 100 mil funcionários, e americanos, com uma média de 60 milhões de clientes para 400 mil funcionários.

“Se nós temos uma vantagem competitiva de custo no Brasil, a vantagem competitiva de custo nos Estados Unidos é abismal — e isso é pré-IA”, afirmou o executivo durante a edição do Brazil at Silicon Valley, a primeira organizada no Brasil em parceria com a Fiesp.

“O que vai acontecer no sistema financeiro global e nos Estados Unidos com uma combinação de pagamento digitais, open finance e IA vai ser uma revolução.”

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De acordo com o executivo de origem colombiana, o sistema de pagamento dos Estados Unidos está “mais ou menos” no nível do período em que o Brasil cobrava tarifas de R$ 30 por TED ou um DOC.

“Tem uma grande oportunidade de pagamentos globais e em remessas. O maior PIB latino do mundo já não é o Brasil. O maior PIB latino do mundo são os Estados Unidos, com mais de 80 milhões de hispanos”, afirmou.

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Para descrever o estágio da empreitada americana, Vélez recorreu a uma metáfora de montanhismo para mostrar o tamanho do desafio. “Nós estamos no Everest e acabamos de chegar no Base Camp. Olhamos a montanha lá, mas será uma jornada de 10 a 20 anos, mas temos que tentar, porque, se não, ficamos com uma dúvida”, disse.

O executivo contou que um dos conceitos que orienta o Nubank desde a fundação, treze anos atrás, é o o shoshin, ou “mente de principiante”, termo zen-budista que descreve a disposição de olhar para um problema sem os preconceitos acumulados pela experiência.

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“Para o principiante, a mente do principiante tem muitas possibilidades, mas na mente do perito tem muito poucas”, disse.

Ações do Nubank (NU)

13.62USD-4.02%
-0.57 USD
1D
1M
3M
YTD
1A
3A
5A
Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

É a mesma perspectiva que a instituição tem usado para entrar nos Estados Unidos, onde, segundo Vélez, muitos “peritos” dizem que não há oportunidades ou outras iniciativas a serem tomadas.

“Se você olha os balanços dos grandes bancos nos Estados Unidos, existem 15 trilhões de dólares em depósito dos consumidores em que a remuneração do cliente médio é 0,4% quando a taxa livre de risco (risk free rate) bateu e testou até 4,5%. Aqui no Brasil, nós vimos o que aconteceu uma vez que os bancos começaram a entregar a remuneração do CDI na hora”, afirmou. “O banco estava ganhando essa margem para pagar agências.”

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Medo com o uso de IA

Na conversa com Fabio Coelho, CEO do Google, David Vélez também compartilhou a trajetória que o Nubank vem desenvolvendo com a inteligência artificial. O banco digital passou por um processo de reinvenção que, segundo Vélez, quase não decolou.

A instituição usa uma linguagem de programação pouco comum, Clojure, para a qual os primeiros modelos de IA generativa tinham desempenho ruim. Em outubro de 2025, a conclusão da área de engenharia era de que “esse negócio não ia funcionar” e havia a percepção de que o Nubank estava “perdendo o barco”.

Em dezembro, a chegada do modelo Claude Opus 4.6 foi o que ele descreveu como catalisador: “é sim um modelo que já levou a inteligência a um momento que não funcionava, para começar a funcionar.”

Entre janeiro e fevereiro, os primeiros testes internos convenceram a liderança de que era hora de um plano “top-down”, reinventando fluxos de trabalho em toda a companhia.

Hoje, o banco está construindo um modelo fundacional próprio a partir de sua base de 140 milhões de clientes na América Latina, com mais de 30 mil variáveis multiplicadas por 13 anos de histórico.

Segundo o CEO, a adoção avançou rapidamente de um percentual inicial entre 25% a 30% para 98% da organização, em todas as funções.

Parte da aceleração, disse, veio de uma decisão deliberada de comunicação que garantia que as pessoas não seriam demitidas ou substituídas por IA.

“Você pode fazer o mesmo com menos pessoas ou fazer mais com o mesmo número de pessoas. Nós decidimos claramente desde o princípio que queríamos fazer o segundo”, disse. “Nós queremos ter mais pessoas, inclusive estamos contratando, porque a nossa ambição é muito maior. E isso, de alguma forma, tirou o medo na organização.”