Bloomberg Línea — A Oncoclínicas (ONCO3) carrega uma dívida bruta de R$ 4,8 bilhões e precisa rolar ao menos R$ 1 bilhão neste ano para cobrir vencimentos e um fluxo de caixa livre projetado negativo.
É nesse cenário que a companhia convocou assembleias de debenturistas de cinco emissões distintas (8ª, 9ª, 10ª, 11ª e 12ª) para pedir autorização a fim de descumprir um limite contratual (covenants) de endividamento sem que isso configure inadimplência formal, de acordo com comunicado ao mercado e editais divulgados nesta quarta-feira (4).
O pedido envolve o nível de alavancagem, o índice que mede a proporção entre a dívida líquida e o Ebitda. Pelas escrituras das emissões, esse índice não pode ultrapassar 3,5 vezes ao fim de cada exercício.
As cinco emissões totalizam R$ 3,24 bilhão em títulos, segundo dados da Anbima e empresa. A 8ª emissão soma R$ 500 milhões com vencimentos em 2027, 2029 e 2032. A 9ª e 10ª respondem por R$ 750 milhões (2027) e R$ 1 bilhão (2028), respectivamente. A 11ª alcança R$ 800 milhões (2029), enquanto a 12ª chega a R$ 190 milhões (2028).
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A Oncoclínicas ainda não divulgou os números de 2025, mas, ao convocar as assembleias, sinaliza ao mercado que pode não cumprir o limite. O resultado do exercício tem divulgação prevista para 30 de março. As assembleias das emissões públicas (9ª, 11ª e 12ª) estão marcadas para 24 de março; as das emissões privadas (8ª e 10ª), para 25 de março, por plataforma digital.
Procurada pela Bloomberg Línea para comentar o assunto, a empresa não respondeu até a publicação da reportagem.
O mecanismo que a empresa busca é chamado de waiver (renúncia). Se for ele for aceito, na prática, os credores concordam em não acionar o gatilho de inadimplência mesmo que o índice financeiro esteja acima do permitido. Se o índice de 2025 ficar dentro do limite contratual, o waiver perde os efeitos automaticamente.
A aprovação do waiver exige que ao menos 50% mais um dos detentores dos certificados votem a favor em primeira convocação. O comunicado foi assinado por Camille Loyo Faria, vice-presidente financeira e de relações com investidores.
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O rating da Oncoclínicas caiu de BBB(bra) para CCC-(bra) em 26 de fevereiro, uma queda que atravessou múltiplos degraus da escala em uma única ação, passando de grau de investimento para risco de inadimplência iminente.
No mesmo movimento, sete séries de CRIs emitidos pela Opea Securitizadora lastreados em debêntures da companhia foram cortados de BBBsf(bra) para CCC-sf(bra).
Em setembro de 2025, a dívida bruta era composta por debêntures (48%), CRIs (32%), empréstimos bancários (13%) e contas a pagar por aquisições (7%). Para 2026, vencem R$ 745 milhões; em 2027, o volume sobe para R$ 810 milhões.
A companhia se prepara para a substituição do fundador Bruno Ferrari como CEO, em processo conduzido com a consultoria Spencer Stuart. A ação acumula queda de 19,5% neste ano e desvalorização de 57,6% em 12 meses.
--Texto atualizado às 22h45 com convocações de assembleias para as emissões 9ª, 11ª e 12ª.
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