Bloomberg — A Braskem (BRKM5) busca apoio de credores para iniciar um processo de recuperação extrajudicial antes dos pagamentos de dívida previstos para julho, segundo pessoas familiarizadas com o assunto que falaram com a Bloomberg News.
A gigante petroquímica avalia um possível pedido no âmbito do regime de recuperação extrajudicial assim que obtiver o apoio de detentores de um terço de sua dívida, disseram as pessoas, que pediram anonimato ao tratar de detalhes privados.
Alcançar esse patamar também permitiria à empresa obter uma suspensão de 90 dias nos pagamentos da dívida, acrescentaram.
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A Braskem pretende entrar no processo extrajudicial com os termos gerais do plano já acordados com grupos de detentores de bonds e bancos, disseram as pessoas.
No período de 90 dias, a empresa buscaria apoio de credores que representem a maioria da dívida, condição necessária para aprovar um plano final de reestruturação.
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Ainda assim, a busca por proteção judicial por meio de uma chamada medida cautelar continua sendo uma possibilidade, disseram algumas das pessoas.
A Braskem não comentou.
A companhia havia considerado a medida cautelar — uma forma temporária de proteção contra credores no Brasil — no início deste ano, quando sua situação financeira piorou. A empresa também avaliou avançar diretamente para um pedido de recuperação judicial, disseram pessoas familiarizadas com o assunto no início de abril.
Ações da Braskem (BRKM5)
A Braskem enfrenta anos de turbulência, incluindo uma retração prolongada no setor petroquímico, repetidas tentativas fracassadas da acionista controladora Novonor de vender sua participação e o aumento de passivos ligados ao desastre da mina em Alagoas, que acabou custando à companhia o grau de investimento.
Mas as interrupções nas cadeias de suprimento desde o início da guerra no Oriente Médio têm beneficiado o setor petroquímico, elevando lucros e melhorando margens.
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Os bonds da Braskem registraram retornos de cerca de 44% nos últimos três meses, o melhor desempenho entre empresas de mercados emergentes, segundo dados da Trace compilados pela Bloomberg. Em comparação, um índice de empresas de mercados emergentes teve retorno de 0,6% no mesmo período.
Empresas muitas vezes preferem processos extrajudiciais porque eles tendem a ser mais rápidos, baratos e menos disruptivos do que uma recuperação judicial. Uma vez que as companhias chegam a um acordo com uma parcela suficientemente grande dos credores, um juiz pode homologar o acordo para que ele se torne vinculante. Mas, se as partes não chegarem a um consenso sobre os termos finais ao fim de um período de 90 dias, as empresas podem recorrer a pedidos de recuperação judicial.
Outras empresas brasileiras, como a produtora de biocombustíveis Raízen, a rede de supermercados Companhia Brasileira de Distribuição e a Kora Saúde, também buscaram recentemente reestruturações extrajudiciais.
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