Caneta da EMS inicia pré-venda em farmácias e amplia disputa no mercado brasileiro

Primeira semaglutida produzida no Brasil via síntese química, a Ozivy chega ao varejo neste mês, com promessa de descontos pelo laboratório; farmácias devem capturar margem bruta de 25% a 30% sobre o produto, segundo J.P. Morgan

Your Drugstore Nasal Decongestant Doesn’t Work, FDA Says

Bloomberg Línea — A Ozivy, primeira semaglutida produzida no Brasil via síntese química e aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), começa a ser anunciada aos consumidores com preços de R$ 618,75 (0,5 mg) e a R$ 680,63 (1,0 mg) por caneta, sem incluir o desconto concedido pelo laboratório a pacientes cadastrados, verificou a Bloomberg Línea no site da Pague Menos (PGMN3).

A EMS, fabricante do produto, prevê início das vendas para o próximo dia 15 de junho. Concorrentes da Pague Menos, Droga Raia, Drogasil - bandeiras da RD Saúde (RADL3) -, Drogaria São Paulo e Panvel (PNVL3) ainda não disponibilizam a Ozivy em seus canais digitais, constatou a reportagem.

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A Pague Menos cadastrou o produto com preços de tabela antes do lançamento oficial e sem incluir os valores do programa de benefício da fabricante. A EMS afirmou que a rede pratica uma pré-venda, sem considerar os preços do programa de suporte ao paciente.

Os preços listados, que incluem ainda uma embalagem com duas canetas de 1,0 mg por R$ 1.225,13, ficam dentro do intervalo projetado pelo CFO da Pague Menos, Luiz Novais, que havia estimado valores entre R$ 600 e R$ 800, com margem bruta subindo dos atuais 15% para algo entre 30% e mais de 50%.

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A EMS produz as canetas em Hortolândia (interior de São Paulo) e anunciou preços menores para quem aderir ao seu programa de benefício: R$ 452 para a caneta de 0,5 mg e R$ 498 para a de 1,0 mg.

A fabricante prevê condições ainda mais favoráveis no lançamento oficial de 15 de junho, sendo R$ 498 o teto que o paciente pagará pela caneta de 1,0 mg dentro do programa.

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O laboratório também oferece kit inicial de adesão para a caneta de 1,0 mg a partir de R$ 287 por mês nos três primeiros meses de tratamento, passando a R$ 498 por caneta a partir do quarto mês. A embalagem dupla de 1,0 mg sai por R$ 896 no programa.

Pague Menos faz pré-venda do Ozivy

O produto exige retenção de receita médica. A troca de medicamento ou de dosagem, procedimento conhecido como switch, deve ser feita exclusivamente por orientação de profissionais de saúde, como endocrinologistas.

A indicação aprovada pela Anvisa para a Ozivy é exclusivamente para adultos com diabetes mellitus tipo 2 com controle glicêmico insuficiente. A extensão para obesidade depende de pedido separado à Anvisa, que a EMS afirmou que fará em etapa subsequente.

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Diferença de até 64% frente ao Ozempic

Os valores cadastrados pela Pague Menos estão abaixo do PMC (Preço Máximo ao Consumidor) fixado pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos).

O órgão enquadrou a Ozivy na categoria 4, destinada a novas apresentações de moléculas com correlatos já existentes, e estabeleceu o mesmo teto do Ozempic, da dinamarquesa Novo Nordisk: R$ 1.077,79 sem ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para a caneta de 1,5 ml, equivalente a R$ 1.314,37 em São Paulo com alíquota de 18%.

O Ozempic é vendido nas redes por cerca de R$ 1.400 na dosagem de 1 mg. Pelo preço de tabela da Pague Menos para a caneta de 1,0 mg, o desconto em relação ao produto de referência chega a 51%. Pelo preço do programa de benefício da EMS, a diferença sobe para 64%.

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O J.P. Morgan avaliou recentemente que as farmácias poderiam capturar margem bruta entre 25% e 30% sobre versões nacionais da semaglutida, contra 10% a 15% sobre o Ozempic, e que o lucro bruto nominal por caneta poderia ser “similar ao do produto de referência” mesmo com preço menor.

Os analistas Joseph Giordano e Guilherme Vilela classificaram o movimento como positivo para RD Saúde (RADL3), com recomendação overweight (equivalente a compra), e Pague Menos.

Para o Santander, a aprovação representa “o primeiro marco regulatório concreto no mercado brasileiro de semaglutida pós-patente”, segundo os analistas Caio Moscardini, Lucas Esteves e Eric Huang.

O banco projeta benefício crescente ao varejo no segundo semestre à medida que outros fabricantes obtenham registro. A Anvisa ainda analisa seis produtos com a mesma molécula, com a Hypera (HYPE3) apontada como potencial próxima aprovada.

A EMS já se posiciona para o próximo ciclo de vencimento de patentes. A companhia protocolou junto à FDA (Food and Drug Administration), reguladora sanitária dos EUA, pedido de registro da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, da Eli Lilly, cuja patente expira em 2032.

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