Nubank: saída de CFO traz dúvidas sobre crédito e expansão nos EUA, dizem analistas

BTG retirou o papel da carteira recomendada de junho, enquanto o Citi cortou o preço-alvo e o J.P. Morgan classificou a mudança como negativa; os três mantêm recomendação de compra, mas citam que mudança chega em momento de incertezas

Após anúncio de troca de CFO, os papéis do Nubank registram forte desvalorização na Bolsa de Nova York

Bloomberg Línea — A saída de Guilherme Lago da diretoria financeira do Nubank (NU) gerou reação negativa de analistas de BTG Pactual, Citigroup e J.P. Morgan, que mantiveram recomendação de compra para as ações, mas pontuaram que a mudança chega em momento de dúvidas não resolvidas sobre qualidade de crédito e a expansão nos Estados Unidos.

O papel negociado em Nova York acumula uma queda de quase 30% em 2026. Nesta terça-feira (2), era cotado em baixa de 7,6%, a US$ 12, no final da manhã.

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O J.P. Morgan classificou a mudança como negativa em sua primeira avaliação sem mexer no preço-alvo. A saída acrescenta mais um executivo sênior a uma lista de turnover que já havia gerado ruído em 2025, citou o analista Yuri Fernandes, em relatório.

Ele não especificou quais saídas gerariam esse ruído, mas ao longo de 2025 o Nubank perdeu quatro executivos do alto escalão: o presidente e COO Youssef Lahrech, o diretor de produto Jag Duggal, o CTO Vitor Olivier e o diretor de crédito Ravi Prakash.


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Já o time do BTG Pactual retirou o papel da carteira recomendada de junho e o substituiu pelo Itaú Unibanco. O Citi cortou o preço-alvo do papel do Nubank de US$ 22 para US$ 18.

Na segunda-feira, o Nubank anunciou a nomeação de Rob Livingston para o cargo de diretor financeiro em substituição a Lago a partir de 13 de julho. O executivo era CFO da Visa para a América do Norte e antes ocupou cargos de gestão na Capital One.

Leia também: Nubank contrata Rob Livingston, da Visa, como CFO

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A troca se soma a outra movimentação na cúpula do banco: em 29 de janeiro, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, que havia ingressado no grupo em julho de 2025 como vice-chairman global, foi nomeado chairman do conselho da subsidiária americana (Nubank N.A.), após o grupo obter aval para operar como banco nacional nos EUA, conforme comunicado enviado à SEC.

Lago deixa o cargo após cinco anos como CFO e sete anos no Nubank e permanece como conselheiro especial até 31 de agosto. Rob Livingston passa a responder pela organização financeira global da companhia, incluindo planejamento de capital, relações com investidores e desenvolvimento corporativo.

Lago era bem visto pelos investidores e seguia participativo na comunicação dos resultados do primeiro trimestre, o que contradiz o argumento da empresa de que a saída foi planejada em conjunto, avaliou o analista do J.P. Morgan.

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Para ele, a prioridade do Nubank deveria ser outra: “Neste estágio, um foco local parece mais relevante do que a expansão nos EUA”.

Junto com a nomeação de Livingston, o Nubank anunciou a criação de um cargo de CFO exclusivo para o Brasil, seguindo modelo já adotado no México e na Colômbia. O nome da pessoa escolhida ainda não foi divulgado.

O banco reconheceu que Livingston pode reforçar a estratégia americana do Nubank, dado seu histórico na Visa e na Capital One, mas ponderou que Brasil segue como principal motor do negócio, concentrando a maior parte dos clientes, receitas, lucros e geração de capital.

Atenção à qualidade dos ativos

“A mudança adiciona mais uma camada de incerteza em um momento de maior instabilidade em torno da tese de investimento, especialmente pelas preocupações com a expansão nos Estados Unidos e a qualidade dos ativos”, escreveram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual.

O trio reiterou preço-alvo de US$ 21 e recomendação de compra, citando valuation abaixo de 12 vezes o lucro estimado para 2027.

A remoção do papel da carteira recomendada foi uma decisão da área de estratégia do banco, não da equipe de análise setorial. O BTG avaliou que as dúvidas sobre qualidade de crédito não devem se dissipar tão cedo.

“O Nu pode precisar de dois ou três trimestres de boa qualidade de ativos e melhora no NIM [Net Interest Margin, ganho por cada real emprestado] ajustado ao risco para convencer os investidores”, afirmaram.

Se a inadimplência decepcionar, alertaram, há risco de que parte relevante dos acionistas abandone a posição.

Leia também: Lucro do Nubank fica abaixo das estimativas com expansão da carteira de crédito

No Citi, o corte de preço-alvo veio acompanhado de revisão estrutural da tese. Os analistas reduziram o ROE (retorno que remunera o acionista) sustentável projetado de 32% para 29,9% e aumentaram a projeção de capital próprio da companhia.

“2026 será um ano exigente para a qualidade dos ativos, com o custo do risco em trajetória de alta em relação a 2025”, citou relatório do Citi.

O banco projeta lucro líquido de US$ 4,1 bilhões para 2026 e US$ 5,2 bilhões para 2027, estimativas 2% e 4% abaixo do consenso da Bloomberg.

O Citi destacou que a estratégia do Nubank prioriza crescimento da receita líquida de juros (NII, Net Interest Income) sobre o controle do custo do risco, criando correlação de cerca de 90% entre expansão da carteira e inadimplência.

“Qualquer desaceleração significativa no crescimento de empréstimos representaria uma mudança estratégica importante”, afirmaram os analistas do Citi em relatório.

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