Bloomberg — A camisa da seleção colombiana de futebol se tornou o mais recente símbolo de uma amarga batalha política a apenas alguns dias do início da Copa do Mundo.
Abelardo de la Espriella, o extravagante advogado e atual favorito para vencer o segundo turno presidencial este mês, aproveita o fervor por trás do torneio do esporte mais popular do mundo.
O político de direita avesso ao establishment é frequentemente visto vestindo a icônica camisa amarela brilhante — com listras vermelhas nos ombros e bordas azuis nas mangas — enquanto profere discursos inflamados sobre esmagar a esquerda, bombardear grupos guerrilheiros e construir megapresídios inspirados nos promovidos pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele.
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Centenas de seus apoiadores vestiram a mesma camisa ao depositarem seus votos no domingo (31), e ele superou a maioria das expectativas de pesquisas ao conquistar quase 44% dos votos.
Mais tarde naquela noite, apareceu no palco atrás de um vidro à prova de balas vestindo a camisa emblemática, atacando o establishment político da Colômbia e ridicularizando seus oponentes como “miseráveis delinquentes”.
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A cena lembra o Brasil, onde a icônica camisa amarela e verde da seleção se tornou profundamente associada à política de direita durante a ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, frequentemente veste a camisa em eventos de campanha e em viagens ao exterior, reforçando seu status como símbolo político do movimento conservador do Brasil.

Na Colômbia, a demonstração provocou resposta dura do rival de De la Espriella, o senador de esquerda Iván Cepeda, antes do segundo turno em 21 de junho. Falando um dia após a votação do primeiro turno, Cepeda disse que a seleção pertence a todos os colombianos e acusou seu oponente de transformar a camisa num símbolo ideológico para ganho político.
“O senhor De la Espriella tem o hábito de tomar coisas que não lhe pertencem”, disse Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, que deixa o cargo — o primeiro líder esquerdista da nação andina. “Desde quando a seleção se tornou propriedade da campanha dele?”
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O time da Colômbia, liderado por estrelas como James Rodríguez e Luis Díaz, abrirá sua campanha na Copa do Mundo de 2026 no México quatro dias antes da eleição presidencial, enfrentando o Uzbequistão em sua primeira partida.
As tensões políticas transbordaram para as ruas na noite de segunda-feira, quando a seleção jogou seu último amistoso antes do torneio contra a Costa Rica.
Centenas de apoiadores de Cepeda se reuniram do lado de fora do estádio El Campín em Bogotá e vandalizaram o ônibus da seleção, gritando palavras de ordem da campanha e cobrindo o veículo com cartazes retratando o senador esquerdista.
Numa publicação no X, De la Espriella usou o evento como desculpa para continuar atacando Cepeda. “Enquanto vestimos a camisa da seleção, eles atacam e vandalizam o ônibus da seleção. Diferenças...”, escreveu.
Apoiar o time da Copa do Mundo da Colômbia “deveria ser uma estratégia óbvia”, disse James Bosworth, autor do boletim Latin America Risk Report.
“Abelardo não é nenhum gênio por ter percebido isso”, disse Bosworth. “O fato de Cepeda e Petro não terem feito isso antes e agora estarem resistindo a isso faz com que pareçam fora de sintonia.”
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