Bloomberg Línea — A Nissan vê no México o mercado em que está mais bem posicionada diante da chegada de novos concorrentes, em meio ao crescimento das marcas chinesas no país e em toda a América Latina, afirmou o CEO da montadora, Iván Espinosa.
A confiança se baseia, segundo ele, nos 65 anos de presença da empresa no país, onde produz a maior parte dos veículos que abastecem o mercado interno e conta com uma sólida cadeia de fornecimento e distribuição, bem como com todas as áreas da indústria, desde a engenharia até as compras.
“Podemos fazer tudo o que for necessário no México para nos defendermos e continuarmos a atender aos consumidores”, disse Espinosa em entrevista a jornalistas.
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A Nissan lidera as vendas no mercado mexicano, mas, assim como outras montadoras, como a General Motors ou a Volkswagen, tem perdido participação nesse mercado, onde os concorrentes chineses estão ganhando espaço.
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De acordo com dados do Inegi, a participação de mercado da Nissan passou de 20% em 2019 para 17% no primeiro semestre de 2026, enquanto as montadoras chinesas aumentaram sua participação de mercado de menos de 1% para 12% no mesmo período, embora o percentual possa chegar a 17% se forem consideradas as montadoras que não reportam seus dados ao órgão, de acordo com estimativas da Associação Mexicana de Distribuidores de Automotores (AMDA).
Em toda a região, montadoras chinesas como BYD, Chery, Changan, GWM, Dongfeng, Foton, Geely e Jetour também alcançaram o topo das vendas de veículos graças a preços mais baixos do que os de outras marcas, promoções ou planos de financiamento.
“Entendemos o ritmo da China, entendemos a tecnologia que eles possuem e estamos trabalhando para implementá-la também em nossos programas. Em breve, vocês poderão contar com produtos inovadores e adequados ao mercado latino-americano, que utilizam as novas tecnologias que aprendemos na China”, afirmou Iván Espinosa à imprensa durante sua visita ao México.
Uma das medidas adotadas pela empresa diante desse cenário é a redução do tempo de desenvolvimento de novos modelos em 40%, para 30 meses.
O CEO da Nissan afirmou que, nos próximos 12 meses, a empresa lançará seis novos modelos e três tecnologias de eletrificação para a América Latina, uma região que representa 15% das vendas globais e onde a empresa produz 25% de seus veículos, com três fábricas no México e uma no Brasil.
A empresa espera que esses novos modelos lhe permitam atingir a marca de 500 mil unidades vendidas na América Latina.
Reestruturar
O engenheiro mexicano assumiu a direção da Nissan em abril de 2025, após 20 anos de carreira na empresa, com a missão de dar uma reviravolta nos negócios após anos de queda nas vendas e pressões financeiras.
A estratégia liderada por Espinosa tem se concentrado na eficiência de custos, na redefinição da estratégia de mercado e de produto e em alianças estratégicas.
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Como parte da reestruturação, a Nissan reduzirá seu portfólio de modelos e a capacidade global de produção por meio de medidas como a consolidação de fábricas, o que, no México, implicou no fechamento de um complexo no estado de Morelos em março de 2026. A empresa possui outras três fábricas no país, no estado de Aguascalientes.
O executivo afirmou que a estratégia tem dado resultados e que a estrutura financeira atual é sólida, mesmo em um contexto de tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações de veículos.
“Tenho plena confiança de que dispomos dos recursos, da capacidade e da engenharia necessários para podermos competir no mercado global sem nenhum problema”, afirmou ele.
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