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De JPMorgan a Goldman Sachs: as apostas de Wall St para o Brasil após o primeiro turno

Surpresa eleitoral com o desempenho de Flávio Bolsonaro movimenta as apostas sobre ações, taxas e o real; os bancos analisam agora qual pode ser a amplitude da reação dos ativos locais

La bandera brasileña en Balneário Camboriú, Brasil, el martes 12 de diciembre de 2023.

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Bloomberg Línea — A vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições no Brasil alterou o panorama que Wall Street tinha para o segundo turno e provocou uma forte reação nos ativos locais, enquanto os bancos reajustam seus cenários políticos, fiscais e de mercado.

O resultado foi surpreendente, pois as pesquisas apontavam para uma vantagem de Lula. Com quase todos os votos apurados, Flávio Bolsonaro obteve cerca de 47,1% dos votos válidos, contra 45% do presidente. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

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O mercado reagiu logo na abertura. O dólar caía 4,20% em relação ao real, chegando a R$ 4,99, sua maior queda diária desde 2022. O ETF iShares MSCI Brazil (EWZ) subiu 14,04% em Nova York, e o Ibovespa (IBOV) avançou 7,46%, chegando a 206.439,63 pontos.

Para o JPMorgan (JPM), o resultado colocou Flávio Bolsonaro em uma posição mais favorável para o segundo turno. “Nesta fase, parece que a disputa é de Flávio Bolsonaro, a menos que ele a perca”, escreveram os analistas do JPMorgan.

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JPMorgan e UBS veem espaço para valorização

A análise do JPMorgan se baseia em dois elementos: Flávio Bolsonaro terminou cerca de dois pontos percentuais à frente de Lula, e o bloco de candidatos eliminados, que reuniu cerca de 7,8% dos votos válidos, é composto principalmente por figuras de centro e centro-direita.

O banco considera que os padrões históricos e as pesquisas disponíveis indicam que Flávio Bolsonaro poderia conquistar uma parcela maior desses votos. Além disso, o PL mais que dobrou sua bancada no Senado, e a fragmentação partidária caiu para o nível mais baixo da última década.

Leia também: Ativos brasileiros disparam após Flávio Bolsonaro liderar votação no primeiro turno

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No mercado de ações, o JPMorgan estima que o múltiplo preço/lucro em 12 meses do MSCI Brazil possa se valorizar entre 20% e 25%. Cerca de metade desse movimento poderia ocorrer no curto prazo, enquanto a segunda parte dependeria do programa macroeconômico e do gabinete.

“Acreditamos que o Brasil deva atingir a média do terceiro quartil, o que representa um potencial de alta de 22% para o MSCI Brasil, com o PE de 12 meses em 10,9x”, afirmou o JPMorgan. O banco também esperava que o câmbio USD/BRL se aproximasse de R$ 5,00, nível que já foi atingido nas primeiras negociações.

A UBS, por sua vez, elevou o cenário de um “ajuste fiscal mais profundo e duradouro” ao seu cenário base. A empresa considera que uma mudança de governo, juntamente com a composição do novo Congresso, aumenta a probabilidade de uma âncora fiscal confiável e de reformas relacionadas a gastos obrigatórios e indexação.

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Para o UBS, as ações ligadas à economia doméstica seriam as principais beneficiadas, seguidas pelas taxas locais e pelo real. Antes da eleição, o mercado estava cotado a 8,7 vezes os lucros esperados, contra uma média de dez anos de 9,7 vezes.

“Se o cenário fiscal se confirmar, acreditamos que as ações brasileiras possam se valorizar com o tempo e, eventualmente, ser negociadas a um múltiplo de cerca de 11,8 vezes os lucros”, afirmou a equipe do banco suíço, liderada por Alejo Czerwonko.

O banco estima que essa expansão dos múltiplos, aliada às taxas reais mais baixas e ao seu efeito sobre os lucros, possa representar um potencial superior a 30% para o índice nos próximos meses. Os setores bancário, varejo, construção civil, serviços públicos, educação, saúde e small caps apresentam a maior sensibilidade.

Goldman Sachs e Citi voltam o foco para o segundo turno

O Goldman Sachs (GS) destacou que Flávio Bolsonaro superou amplamente as pesquisas anteriores e se impôs nos três principais campos de batalha eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Para Alberto Ramos e Panteleymon Semka, o segundo turno será acirrado.

“O segundo turno das eleições presidenciais será polarizado, mas com o senador Bolsonaro mantendo uma ligeira vantagem, dada a diferença inesperada de 2 pontos sobre o presidente Lula no primeiro turno”, escreveram os analistas.

Leia também: Eleições no Brasil impulsionam ações de emergentes, que avançam com alívio sobre o Fed

O Goldman Sachs identifica agora como variáveis centrais o enfoque e a execução das campanhas, a participação eleitoral, os debates, a mobilização no dia da eleição e a capacidade de atrair parte dos 21,1% do eleitorado que se absteve no primeiro turno.

O Citi (C) refletiu diretamente os resultados eleitorais em sua seleção de ações. Os analistas Gustavo Schroden e Arnon Shirazi mantêm sua preferência por empresas com beta mais elevado e mais expostas a uma melhora no apetite pelo risco e na atividade dos mercados de capitais, particularmente a XP (XP), a B3 (B3SA3) e a BTG Pactual (BPAC11).

João Pedro Soares, também do Citi, considera que o resultado é favorável para o varejo brasileiro. “O resultado do primeiro turno pode dar ainda mais impulso à operação”, escreveu ele ao se referir à Assaí (ASAI3), ao Magazine Luiza (MGLU3) e à Azzas 2154 (AZZA3), identificadas anteriormente pela empresa como beneficiárias de taxas mais baixas.

Soares também destacou a C&A Modas (CEAB3) e a Lojas Renner (LREN3) como alternativas para se posicionar em uma melhora no consumo discricionário com menor sensibilidade à alavancagem financeira. O Citi mantém uma visão favorável sobre o setor, embora reconheça que as empresas com maior beta possam liderar inicialmente o movimento.

Ajuste fiscal passa a ser o ponto central da estratégia

A Signum Global também interpreta o resultado como uma mudança significativa na corrida eleitoral. Rafael Ch elevou de 65% para 75% sua estimativa da probabilidade de vitória de Bolsonaro, uma previsão própria da empresa que se baseia, entre outros fatores, nas possíveis transferências de votos dos candidatos eliminados.

Sua estimativa conservadora, com base em determinados cenários de transferência de votos, aponta 52,4% para Flávio Bolsonaro e 47,6% para Lula. A Signum afirma ainda que o resultado das eleições legislativas aumentaria a capacidade de Bolsonaro de formar maiorias, caso ele chegue à Presidência.

As instituições, no entanto, mantêm em aberto variáveis decisivas. O JPMorgan aguarda as primeiras pesquisas sobre o segundo turno e sinais concretos sobre política fiscal e governança econômica. O UBS concentra sua atenção na equipe econômica, na ambição do ajuste fiscal, em sua execução no Congresso e nas condições financeiras globais.

Para os mercados, o movimento inicial já levou a taxa de câmbio ao patamar que o JPMorgan previa após o primeiro turno e gerou fortes altas nas ações. Para os analistas, o próximo desafio será determinar até que ponto essa expectativa pode se sustentar, à medida que as campanhas detalham seus planos econômicos antes da votação de 25 de outubro.