Kalshi busca aval para ‘futuros perpétuos' de Tesla, Apple e Nvidia nos EUA

Plataforma pretende pedir autorização à SEC e à CFTC para oferecer contratos sem vencimento ligados a ações como Tesla, Apple e Nvidia e planeja ampliar a oferta para commodities agrícolas

Tarek Mansour, cofundador da Kalshi.
Por Katherine Doherty
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Bloomberg — A Kalshi está solicitando aprovação regulatória para oferecer os primeiros contratos futuros perpétuos sobre ações individuais nos EUA e pretende expandir os contratos de commodities para incluir o setor agrícola, afirmou Tarek Mansour, cofundador da empresa.

A iniciativa representa uma das tentativas mais ambiciosas de uma nova geração de plataformas de negociação para desafiar a infraestrutura estabelecida dos mercados financeiros tradicionais.

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A empresa sediada em Nova York solicitará, já na próxima semana, a aprovação regulatória para listar contratos vinculados a algumas das maiores ações dos EUA, incluindo Tesla, Apple e Nvidia, afirmou Mansour, que também é CEO da Kalshi.

A empresa solicitará à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) e à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) que regulamentem conjuntamente os futuros sem vencimento como um produto de futuros sobre títulos.


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“Já era hora de esses produtos chegarem aos EUA, sob um regime regulatório com as medidas de segurança adequadas e proteção ao consumidor”, afirmou Mansour em entrevista.

Um representante da SEC se recusou a comentar. Um porta-voz da CFTC não respondeu aos pedidos de comentário.

Os futuros perpétuos, ou “perps”, são um tipo de contrato alavancado que permite aos operadores especular sobre o preço de ativos sem data de vencimento.

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Esses contratos têm se tornado cada vez mais populares, especialmente para especular sobre os preços de criptomoedas e commodities, mas reguladores norte-americanos e líderes do setor financeiro têm manifestado preocupações quanto à alavancagem inerente a eles, que permite aos clientes ampliar o risco assumido a cada operação.

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Mansour argumentou que os produtos perpétuos da Kalshi possuem alavancagem limitada, em linha com outros contratos regulamentados, incluindo os futuros.

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Os futuros perpétuos são uma “maneira mais barata e econômica de obter exatamente a mesma exposição” às ações que um contrato futuro, com alavancagem igual ou menor, mas sem custos de financiamento, afirmou Mansour. “Não estamos oferecendo mais alavancagem.”

A Kalshi está começando com produtos perpétuos vinculados a ações cuja capitalização de mercado seja de pelo menos US$ 100 bilhões e cujo volume médio diário seja de US$ 450 milhões, disse Mansour. A empresa planeja adicionar fundos negociados em bolsa (ETFs) posteriormente, acrescentou ele.

A empresa está olhando além das ações, adicionando títulos perpétuos vinculados a commodities, incluindo produtos agrícolas, afirmou Mansour.

“A abordagem para esses produtos será dialogar primeiro com a comunidade e os públicos-alvo antes de lançá-los”, disse ele.

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Uma pessoa a par do assunto também informou à Bloomberg no início deste mês que a Kalshi buscará aprovação para oferecer um contrato futuro perpétuo vinculado ao petróleo, com base no índice de referência West Texas Intermediate.

Ao contrário dos contratos perpétuos vinculados a criptomoedas, que são negociados 24 horas por dia, 7 dias por semana, os contratos de ações individuais da Kalshi seriam inicialmente negociados 23 horas por dia, cinco dias por semana, em conformidade com o horário aprovado para as bolsas tradicionais dos EUA, afirmou Mansour.

Cada contrato representará 100 ações e terá uma margem mínima calculada em 15% do valor de mercado atual da ação.

Os contratos perpétuos ficaram, por um tempo, restritos em grande parte aos mercados de criptomoedas, mas tornaram-se mais comuns durante a guerra no Irã, quando se tornaram uma das únicas maneiras de os investidores de varejo negociarem petróleo enquanto as bolsas tradicionais de futuros estavam fechadas.

A Kalshi foi uma das primeiras plataformas a solicitar aprovação dos órgãos reguladores dos EUA para listar contratos perpétuos, começando com futuros perpétuos vinculados a criptomoedas.

Um regime favorável às criptomoedas sob o presidente Donald Trump ajudou a facilitar o caminho da empresa. Em maio, a CFTC concedeu à Kalshi aprovação para listar contratos perpétuos de Bitcoin e estendeu essa aprovação para ouro, prata e platina nesta semana.

Até que a CFTC começasse a aprovar os contratos, os contratos perpétuos estavam disponíveis principalmente em bolsas offshore, fora do alcance dos reguladores e da supervisão dos EUA.

A aprovação pela CFTC dos contratos sem vencimento irritou a operadora de bolsa CME Group.

O CEO da empresa, Terry Duffy, afirmou que os produtos não são “adequados” para participantes institucionais que buscam gerenciar seus riscos.

A CME também alegou, em uma ação judicial movida em junho, que a CFTC e seu presidente, Michael Selig, ignoraram as orientações do Congresso e “contornaram o regime regulatório” exigido para a aprovação dos contratos perpétuos como um produto de futuros — uma designação mais favorável que confere um tratamento tributário mais vantajoso do que um swap.

Os swaps também enfrentam uma regulamentação mais rigorosa do que os futuros, consequência das reformas pós-crise financeira, quando swaps financeiros complexos contribuíram para o colapso do mercado hipotecário.

A CME afirmou na ação judicial que as medidas da CFTC “infligem à CME um prejuízo competitivo clássico”.

No início deste mês, a CFTC solicitou a rejeição do processo. Um representante da CME se recusou a comentar.

--Com a colaboração de Lydia Beyoud.

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