Bloomberg Línea — O Bank of America (BAC) revisou suas perspectivas para as petrolíferas da América Latina, após reduzir suas expectativas em relação ao preço do petróleo, uma mudança que levou à revisão das avaliações da maioria das empresas sob cobertura.
Mesmo assim, o banco manteve diferenças marcantes entre mercados e empresas, com o Brasil concentrando suas principais preferências, uma visão positiva em relação à Argentina e um ajuste específico no caso da Colômbia.
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Os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Marcondes e Nicolás Barros explicaram que a mudança se deve ao impacto que a reabertura do Estreito de Ormuz teria sobre o mercado.
O banco reduziu suas projeções para o petróleo e agora espera que o Brent atinja uma média de US$ 82 por barril em 2026, enquanto rebaixou sua estimativa de longo prazo para US$ 70 por barril. Para o WTI, o banco projeta uma média de US$ 78 por barril em 2026.
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“Estamos reduzindo os preços do petróleo em nossos modelos, bem como nossa previsão de preço de longo prazo de US$ 75 por barril para US$ 70 por barril e, como resultado, reduzindo a maioria dos preços-alvo das empresas de exploração e produção da América Latina”, escreveram.
Brasil entre as principais preferências
O mercado brasileiro concentra os maiores ajustes de valorização, embora também represente as principais apostas do banco. Os analistas reduziram, em média, em 15% os preços-alvo das empresas sob cobertura.
Entre elas, a Petrobras (PBR) continua sendo uma das ações preferidas pelo BofA, que manteve a recomendação de compra. No entanto, o banco reduziu seu preço-alvo para R$ 55 por ação (US$ 22 por ADR), ante R$ 65 por ação (US$ 24,8 por ADR), ao incorporar nas projeções preços mais baixos esperados para o petróleo e uma valorização do real brasileiro
“Reiteramos nossa recomendação de compra para a Petrobras, uma vez que continuamos a observar retornos atraentes de fluxo de caixa livre para os acionistas/dividendos em 2026-27, mesmo em meio a expectativas de um maior desembolso de capex nesse horizonte em comparação com o longo prazo”, afirmaram os analistas.
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A outra favorita no Brasil é a PRIO (PRIO3), que também mantém uma recomendação de compra, embora o BofA tenha reduzido seu preço-alvo de R$ 82 por ação para R$ 71 por ação.
De acordo com o relatório, os analistas consideram “forte o fluxo de caixa livre para os acionistas nos próximos anos e o anúncio da política de dividendos como um catalisador de curto prazo”.
Para o banco, essa combinação permite compensar parte do efeito decorrente da queda no preço do petróleo.
O panorama é diferente para a Brava (BRAV3) e a PetroReconcavo (RECV3), ambas com recomendação “neutra”. No primeiro caso, o BofA considera que persistem riscos elevados de execução, apesar da geração esperada de caixa, razão pela qual reduziu seu preço-alvo para R$ 22,5 por ação, ante R$ 26,5 por ação.
Comparação das petrolíferas brasileiras
Para a PetroReconcavo, a empresa também mantém uma recomendação “Neutra” e reduziu seu preço-alvo para R$ 13,5 por ação, ante R$ 16,5 por ação. Além disso, prevê rendimentos menores do fluxo de caixa livre para os acionistas e um crescimento inferior ao de outras empresas sob cobertura.
Argentina mantém uma perspectiva favorável
Na Argentina, o BofA reduziu em cerca de 6% os preços-alvo das empresas, embora considere que a diminuição do risco-país compense parcialmente o efeito do petróleo mais barato.
O banco mantém uma visão favorável em relação à Vista (VIST) e ao restante do setor petrolífero argentino, considerando que as perspectivas estruturais continuam apoiadas pelo desenvolvimento de Vaca Muerta. No entanto, reduziu seu preço-alvo de US$ 115 por ADR para US$ 107 por ADR, devido à expectativa de preços mais baixos do petróleo.
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“Continuamos otimistas em relação ao setor de petróleo e gás na Argentina, uma vez que ele continua se desenvolvendo em um contexto favorável, com Vaca Muerta bem posicionada para um forte crescimento, e com uma produção que, segundo as expectativas, deve dobrar nos próximos cinco a sete anos”, afirmaram os analistas.
Esse crescimento esperado também se deve, segundo o BofA, à qualidade dos ativos e ao possível impulso do regime RIGI, aliado a custos mais baixos de perfuração e conclusão.
A YPF (YPF) mantém a recomendação de “Comprar”. O banco reduziu seu preço-alvo de US$ 64 por ADR para US$ 61 por ADR. No entanto, também estima que parte dos efeitos da queda nos preços do petróleo será compensada por uma redução do risco-país da Argentina.
Petrolíferas argentinas
Ecopetrol com preço-alvo mais alto
O caso da Ecopetrol (EC) é diferente do das demais empresas latino-americanas. Embora o BofA tenha incorporado preços mais baixos do petróleo em seu modelo, ele elevou o preço-alvo da ação para US$ 11 por ADR, ante US$ 10 por ADR, mantendo a recomendação de “Underperform”.
A revisão reflete uma mudança nas perspectivas de crescimento de longo prazo da empresa, em meio à posse de um novo governo. Para o BofA, um eventual retorno de novos contratos de exploração e produção poderia amenizar as preocupações quanto ao crescimento da produção e à reposição de reservas.
Ação da Ecopetrol
No entanto, os analistas mantiveram sua visão cautelosa em relação às ações, “devido ao menor rendimento do FCF/dividendos e a um potencial de crescimento mais fraco em comparação com seus pares regionais”.
Essa combinação diferencia a Ecopetrol do posicionamento mais favorável que o banco mantém em relação à Petrobras e à PRIO no Brasil e ao setor petrolífero argentino.
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