Bloomberg — O Goldman Sachs e o Bank of America são os mais recentes integrantes de um grupo crescente de bancos de Wall Street que reviram suas previsões para cortes de juros, argumentando que os dados de emprego e inflação justificam que o Federal Reserve mantenha as taxas inalteradas pelo menos até o fim do ano.
Com o abalo da guerra no Irã nos mercados de petróleo e sua pressão sobre a inflação, investidores aumentam as apostas de que o Fed manterá a política monetária inalterada ao longo de 2026 — e pode até elevar os juros no início de 2027.
A mudança de tom ecoa entre um número crescente de dirigentes do Fed, incluindo dois dissidentes na última reunião do banco central americano, que afirmaram que o próximo movimento pode ser uma alta.
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O relatório de emprego de abril mostrou que os empregadores americanos criaram mais vagas do que o esperado pelo segundo mês consecutivo, reforçando a solidez do mercado de trabalho mesmo com o conflito no Oriente Médio em curso.
As próximas leituras relevantes de inflação virão com os índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor, divulgados na terça e na quarta-feira, respectivamente.
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“Os dados simplesmente não justificam cortes neste ano”, escreveu Aditya Bhave, chefe de economia dos EUA no Bank of America, em 8 de maio. “A inflação subjacente está alta demais e em alta. O sólido relatório de empregos de abril foi a gota d’água, especialmente diante do tom hawkish dos dirigentes do Fed.”
Bhave e seus colegas passaram a prever que o Fed não cortará os juros novamente antes de julho de 2027 — uma mudança em relação à previsão anterior de setembro deste ano.
A revisão das perspectivas para o Fed se refletiu no mercado de Treasuries, no qual o rendimento dos títulos de dois anos do governo americano — considerados os mais sensíveis a mudanças na política monetária — operou próximo à máxima da faixa em que se encontra desde o início da guerra.
Nesta segunda-feira (11), os rendimentos dos Treasuries estenderam a alta depois que a demanda dos investidores no primeiro dos leilões trimestrais de refinanciamento do governo — uma venda de US$ 58 bilhões em títulos de três anos — ficou abaixo do esperado.
O rendimento de dois anos subiu cerca de cinco pontos-base, a 3,93%. Um índice do dólar calculado pela Bloomberg operou estável, assim como as bolsas americanas.

Como parte do refinanciamento trimestral do Tesouro, serão vendidos outros US$ 42 bilhões em títulos de dez anos na terça-feira e US$ 25 bilhões em bonds de 30 anos na quarta.
O risco de altas de juros pelo Fed está “subprecificado” pelos investidores, escreveram separadamente os estrategistas de renda fixa do BofA em nota a clientes nesta segunda-feira. Eles recomendam vender Treasuries de dois anos e apostar que a ponta curta da curva de juros americana terá desempenho inferior ao dos vencimentos mais longos.
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Após os dados de emprego de abril divulgados na sexta-feira, uma equipe do Goldman Sachs liderada por Jan Hatzius também adiou sua previsão para o próximo corte do Fed para dezembro de 2026, ante setembro. O banco também reduziu sua estimativa para a probabilidade de recessão nos EUA nos próximos 12 meses.
Morgan Stanley e Barclays também previam uma pausa prolongada do banco central americano.
O que dizem os estrategistas da Bloomberg:
“Todo mundo sabe que a inflação vai subir, mas à medida que isso ocorra, a discussão nos próximos meses inevitavelmente vai girar em torno do seguinte: por quanto tempo ela vai se manter elevada, haverá efeitos de segunda rodada e em que medida os bancos centrais vão subir os juros — se é que vão?”
Simon White, estrategista macro
Ainda assim, outros analistas de Wall Street — notadamente os economistas do Citigroup Andrew Hollenhorst, Veronica Clark e Gisela Young — mantêm a expectativa de que o Fed cortará os juros antes do fim do ano.
Eles argumentam que o afrouxamento monetário pelo banco central está subprecificado pelos investidores, dado o ritmo fraco de contratações e o crescimento modesto dos salários nos últimos meses.
Às vésperas da divulgação do CPI na terça-feira, a mediana das expectativas dos economistas consultados pela Bloomberg aponta para uma alta de 3,7% no índice cheio em base anual, ante 3,3% no mês anterior. A medida subjacente, que exclui alimentos e energia, deve avançar 2,7% no mesmo critério.
“Neste mês, vamos definitivamente ter um relatório de inflação um pouco mais picante”, disse Matt Hornbach, chefe global de estratégia macro do Morgan Stanley, ao programa Bloomberg Surveillance nesta segunda-feira. “Sabemos que os preços do petróleo variam bastante a cada dia e podem ter grande influência na trajetória da inflação até o fim do ano.”
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