Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) avalia que o Banco Pan deve atingir o mesmo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do conglomerado até meados de 2028, segundo disse o CEO Roberto Sallouti em teleconferência de resultados do primeiro trimestre nesta segunda-feira (11)
O Pan, antigo banco do Grupo Silvio Santos adquirido em 2011 e voltado ao crédito ao consumidor de menor renda, sobretudo em consignado e financiamento de veículos usados, opera historicamente com rentabilidade inferior à do BTG, cujo motor são bancos de investimento e gestão de fortunas.
Esse indicador-chave para o mercado financeiro mede quanto lucro um banco gera para cada real investido por seus acionistas e funciona como referência central na avaliação de instituições financeiras.
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No último balanço autônomo divulgado antes da incorporação, referente ao terceiro trimestre de 2025, o Pan reportou ROE de 12,1%, menos da metade dos 26,6% do conglomerado no primeiro trimestre de 2026.
Indagado por Henrique Navarro, analista do Santander, sobre se o objetivo, mencionado em trimestres anteriores, seguia válido, o CEO Roberto Sallouti informou a projeção em data.
“A gente espera o ROE [do Pan] aumentar trimestre a trimestre e atingiremos o mesmo ROE no BTG como um todo em 2028, meados de 2028”.
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O sinal foi reforçado pela aquisição do MeuTudo, concluída em abril. Sallouti confirmou que o primeiro trimestre não incorporou ainda as receitas da operação, apenas a participação no portfólio originado, e que o efeito contábil pleno virá no segundo trimestre. “A gente acha que é um cenário fantástico”, afirmou.
Sobre o teto de juros recém-imposto ao consignado, Sallouti minimizou o impacto: a medida atinge cerca de 15% da produção do Pan, nos clusters de maior risco, operações que o banco provavelmente deixará de realizar.
Units do BTG Pactual (BPAC11)
Sobre o comportamento das safras de consignado originadas pelo Pan, em meio a sinais de piora no custo de risco do produto no setor, o analista Daniel Vaz, do Safra, pediu leitura do banco.
Sallouti respondeu: “Tudo tem sido bem aderente ao nosso underwriting, a performance, os custos, tudo reflete o que a gente esperava”.
Mercados de dívida e IPO
A captação líquida (net new money) da área de gestão de patrimônio também foi um tema relevante para os analistas.
A série histórica apresentada mostrou que o volume do trimestre é o segundo maior já registrado em base puramente orgânica, atrás apenas do quarto trimestre.
Apresentando aos analistas os dados dos trimestres anteriores para isolar as contribuições de aquisições como a área de wealth da JGP, adquirida em abril de 2025, e a operação brasileira do Julius Baer, acertada no início do ano passado, o CEO mostrou que a franquia cresce sem depender de fusões.
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No banco de investimento, o tom foi mais cauteloso. O BTG executou seu primeiro IPO em cinco anos no trimestre, mas Sallouti antecipou que o segundo trimestre seguirá fraco tanto em mercado de capitais de ações (ECM) quanto de dívida (DCM), com retomada esperada apenas a partir do terceiro.
“Sempre é muito difícil fazer previsões”, ponderou o executivo.
Sallouti também abordou uma questão sobre uma potencial preocupação levantada por Arnon Shirazi, analista do Citi, sobre o aumento de empréstimos em estágios 2 e 3, categorias contábeis que sinalizam risco elevado de inadimplência.
O efeito, explicou, é puramente de mix: a participação do Pan no consolidado subiu de 82% para 100%, após compra de fatias de acionistas minoritários, e o perfil do banco naturalmente carrega mais créditos nessas categorias, sem que isso represente piora da qualidade da carteira.
Sobre eficiência operacional, contudo, o CEO esfriou expectativas de ganhos rápidos com a consolidação do Pan. As sinergias só devem aparecer materialmente no segundo semestre, com ritmo melhor em 2027, quando o banco passará a operar em um único sistema bancário central.
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