CEO do BTG Pactual vê rentabilidade do Banco Pan alcançar a do grupo até 2028

Em teleconferência com analistas sobre resultado do primeiro trimestre, Roberto Sallouti projetou para meados de 2028 o prazo para o Pan atingir a mesma rentabilidade do conglomerado; receitas do MeuTudo, fintech de originação de consignado recém-adquirido, entram no balanço a partir do 2º trimestre

Roberto Sallouti, chief executive officer of Banco BTG Pactual SA, poses for a portrait at the company's headquarters in Sao Paulo, Brazil, on Monday, Aug. 18, 2025. Shares of Banco BTG Pactual SA surged the most in more than five years to an all-time high in August after the Brazilian bank reported record revenue and profit for the second quarter. Photographer: Tuane Fernandes/Bloomberg

Bloomberg Línea — O BTG Pactual (BPAC11) avalia que o Banco Pan deve atingir o mesmo retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do conglomerado até meados de 2028, segundo disse o CEO Roberto Sallouti em teleconferência de resultados do primeiro trimestre nesta segunda-feira (11)

O Pan, antigo banco do Grupo Silvio Santos adquirido em 2011 e voltado ao crédito ao consumidor de menor renda, sobretudo em consignado e financiamento de veículos usados, opera historicamente com rentabilidade inferior à do BTG, cujo motor são bancos de investimento e gestão de fortunas.

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No último balanço autônomo divulgado antes da incorporação, referente ao terceiro trimestre de 2025, o Pan reportou ROE de 12,1%, menos da metade dos 26,6% do conglomerado no primeiro trimestre de 2026.

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Indagado por Henrique Navarro, analista do Santander, sobre se o objetivo, mencionado em trimestres anteriores, seguia válido, o CEO Roberto Sallouti informou a projeção em data.

“A gente espera o ROE [do Pan] aumentar trimestre a trimestre e atingiremos o mesmo ROE no BTG como um todo em 2028, meados de 2028”.

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O sinal foi reforçado pela aquisição do MeuTudo, concluída em abril. Sallouti confirmou que o primeiro trimestre não incorporou ainda as receitas da operação, apenas a participação no portfólio originado, e que o efeito contábil pleno virá no segundo trimestre. “A gente acha que é um cenário fantástico”, afirmou.

Sobre o teto de juros recém-imposto ao consignado, Sallouti minimizou o impacto: a medida atinge cerca de 15% da produção do Pan, nos clusters de maior risco, operações que o banco provavelmente deixará de realizar.

Units do BTG Pactual (BPAC11)

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Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Sobre o comportamento das safras de consignado originadas pelo Pan, em meio a sinais de piora no custo de risco do produto no setor, o analista Daniel Vaz, do Safra, pediu leitura do banco.

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Sallouti respondeu: “Tudo tem sido bem aderente ao nosso underwriting, a performance, os custos, tudo reflete o que a gente esperava”.

Mercados de dívida e IPO

A captação líquida (net new money) da área de gestão de patrimônio também foi um tema relevante para os analistas.

A série histórica apresentada mostrou que o volume do trimestre é o segundo maior já registrado em base puramente orgânica, atrás apenas do quarto trimestre.

Apresentando aos analistas os dados dos trimestres anteriores para isolar as contribuições de aquisições como a área de wealth da JGP, adquirida em abril de 2025, e a operação brasileira do Julius Baer, acertada no início do ano passado, o CEO mostrou que a franquia cresce sem depender de fusões.

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No banco de investimento, o tom foi mais cauteloso. O BTG executou seu primeiro IPO em cinco anos no trimestre, mas Sallouti antecipou que o segundo trimestre seguirá fraco tanto em mercado de capitais de ações (ECM) quanto de dívida (DCM), com retomada esperada apenas a partir do terceiro.

“Sempre é muito difícil fazer previsões”, ponderou o executivo.

Sallouti também abordou uma questão sobre uma potencial preocupação levantada por Arnon Shirazi, analista do Citi, sobre o aumento de empréstimos em estágios 2 e 3, categorias contábeis que sinalizam risco elevado de inadimplência.

O efeito, explicou, é puramente de mix: a participação do Pan no consolidado subiu de 82% para 100%, após compra de fatias de acionistas minoritários, e o perfil do banco naturalmente carrega mais créditos nessas categorias, sem que isso represente piora da qualidade da carteira.

Sobre eficiência operacional, contudo, o CEO esfriou expectativas de ganhos rápidos com a consolidação do Pan. As sinergias só devem aparecer materialmente no segundo semestre, com ritmo melhor em 2027, quando o banco passará a operar em um único sistema bancário central.

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