Bloomberg — Os investidores pessoa física no Brasil estão aderindo a fundos de índice, os chamados ETF, em ritmo recorde, em meio a uma onda de novos produtos que amplia esse mercado.
O número desses investidores na maior economia da América Latina que aplicam em ETFs cresceu 39% em relação ao ano anterior, para o recorde de 914 mil em agosto, segundo dados da B3. O avanço ocorreu em paralelo a uma rápida expansão da oferta, com o número de ETFs disponíveis saltando 55%, para 219, no mesmo período.
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“Os ETFs passaram por um ponto de inflexão em termos de crescimento no Brasil”, disse Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e estratégia de investimentos para o varejo da B3. “Estamos chegando perto da marca de 1 milhão de pessoas com ETFs na carteira e, para nós, esse é um número muito representativo.”

Entre os ETFs mais negociados, o BOVA11, da BlackRock — que acompanha as ações que compõem o Ibovespa —, continua sendo o principal no Brasil. O volume médio diário negociado ficou em R$ 671,6 milhões em agosto, equivalente a 41,5% de todo o volume negociado em ETFs.
Ainda assim, os ETFs de renda fixa têm sido os preferidos dos investidores no último ano, com os juros permanecendo acima de 10%. Nesse cenário, investidores pessoa física têm evitado ativos de maior risco, incluindo ações, levando a participação desse grupo no mercado acionário a mínimas históricas, enquanto produtos de renda fixa passaram a despertar mais interesse.
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O segmento atraiu mais de R$ 27,3 bilhões neste ano até agora, superando os ETFs de renda variável em patrimônio total, de acordo com dados da Anbima, associação brasileira que representa os mercados financeiro e de capitais. Os ETFs de renda fixa normalmente cobram taxas menores e são isentos do sistema de recolhimento conhecido como come-cotas, pelo qual investidores antecipam o pagamento do Imposto de Renda duas vezes por ano e que é comum em muitos fundos tradicionais de renda fixa.
Mesmo com o aumento da participação do varejo, investidores institucionais continuam predominando, com 52,5% do volume negociado em ETFs em agosto, seguidos por investidores estrangeiros, com 28,8%, e pessoas físicas, com 14,9%, segundo a B3.
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“As pessoas estão começando a entender que esses produtos existem e, do lado da oferta, bancos, corretoras e assessores financeiros estão incluindo cada vez mais os ETFs como opção de alocação nas carteiras de investimento”, disse Paiva.
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