BofA reforça aposta em Brasil e Argentina e vê Ibovespa a 210 mil pontos em 2026

Relatório do banco indica o Brasil como principal destino de capital na região e estima que a taxa Selic ficaria em 13,25% em 2026 e em 12,50% em 2027

Bank Of America Ahead Of Earnings Figures

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Bloomberg Línea — O Bank of America (BofA) manteve inalterada sua estratégia de investimento em ações da América Latina, confirmando sua recomendação de sobreponderar (aposta na alta) ações do Brasil e da Argentina, manter uma postura neutra no México e preservar a exposição no Peru. Em contrapartida, o banco continua sem exposição à Colômbia nem ao Chile.

O banco (BAC) informou que não realizou alterações em sua carteira regional, ao mesmo tempo em que destacou que as ações latino-americanas continuaram atraindo fluxos de capital, mesmo em um contexto de conflito internacional.

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De acordo com o relatório, essas receitas foram impulsionadas por termos de troca favoráveis, tendo o Brasil como um dos principais destinatários.

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O documento também aponta que os mercados já haviam começado a incorporar um cenário de distensão, embora ressalte que as notícias relacionadas ao conflito continuam instáveis.

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Nesse contexto, sugere que um eventual processo de redução das tensões poderia sustentar os fluxos de capital para os mercados emergentes, num cenário de menores pressões inflacionárias e maior margem para cortes nas taxas de juros por parte dos bancos centrais.

Além disso, o relatório menciona que, em conversas com investidores, o dólar foi identificado como um fator relevante para a continuidade dos investimentos nos mercados emergentes, ao mesmo tempo em que alerta que a liderança na região poderia sofrer alterações caso ocorra uma rotação em direção a estratégias associadas a um cenário de menor tensão geopolítica.

Posição em relação ao Brasil

Em relação ao Brasil, o Bank of America elevou sua projeção para o índice Ibovespa para 210.000 pontos até o final do ano, ante uma estimativa anterior de 180.000. A nova meta implica um potencial de alta adicional de 7% em relação aos níveis atuais, de acordo com o relatório.

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A instituição indicou que essa projeção se baseia em um cenário que combina premissas de estabilidade com elementos de flexibilização global.

Leia também: Brasil no topo: Ibovespa sobe quase 30% em dólar no ano e supera S&P 500 e pares

Nesse contexto, estimou que a taxa Selic ficaria em 13,25% em 2026 e em 12,50% em 2027.

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Ele também previu que o lucro por ação dos setores domésticos no Brasil poderia crescer 27% em 2026 e 20% em 2027.

No entanto, o relatório aponta que existem riscos de queda associados a um cenário de taxas de juros elevadas durante um período prolongado.

Além disso, indica que as ações brasileiras já não apresentam avaliações baixas e que o múltiplo-alvo utilizado em suas estimativas situa-se ligeiramente abaixo dos níveis atuais, em parte para refletir os riscos associados aos resultados corporativos e à volatilidade eleitoral.

Quanto ao desempenho do índice, o BofA destaca que uma parte significativa da alta registrada no que vai do ano concentrou-se nas empresas petrolíferas, que representaram cerca de um terço da contribuição em pontos.

Nesse mesmo período, o Ibovespa registrou uma alta de 21%, enquanto o rendimento médio das ações ficou em torno de 13%.

No âmbito de sua estratégia para o Brasil, o banco mantém uma preferência pelo setor financeiro e por empresas alavancadas com geração de caixa resiliente.

Ele também indica que continua vendo valor em empresas de serviços públicos com perfil de crescimento. Em contrapartida, destaca que mantém uma subponderação em setores como varejo, shopping centers e telecomunicações. Para a Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE), adota uma ponderação neutra.

Neutros no México

No caso do México, o BofA manteve sua recomendação de “ponderar o mercado”.

O relatório menciona que essa posição reflete um equilíbrio entre o potencial associado aos avanços no acordo comercial com os Estados Unidos e o Canadá e fatores como uma atividade econômica mais fraca e a incerteza relacionada às reformas constitucionais.

Leia também: ‘Mais vidas que um gato’: ações brasileiras lideram aposta do Bradesco BBI em LatAm

O documento acrescenta que, em um cenário de flexibilização, taxas de juros mais baixas e um maior dinamismo cíclico nos Estados Unidos poderiam ser favoráveis para o setor imobiliário mexicano.

Nesse segmento, o banco destaca as empresas Vesta (VESTA) e Funo (FUNO11).

Argentina, Chile, Colômbia e Peru

No caso da Argentina, o BofA mantém uma recomendação de sobreponderação de ações, mesmo que o país não faça parte do índice MSCI da América Latina.

O relatório indica que essa postura reflete uma visão mais otimista sobre o andamento das reformas após as eleições de meio de mandato.

Entre os riscos identificados, destacam-se a incerteza política, a persistência da inflação elevada, a desvalorização da moeda e a manutenção dos controles de capital.

No que diz respeito ao Chile, a instituição informou que não possui exposição em sua carteira regional.

A decisão se baseia em avaliações consideradas menos atraentes em comparação com outros mercados da região. Entre os fatores de risco, o relatório destaca o andamento das reformas, a instabilidade política e a evolução do preço do cobre.

Na Colômbia, o banco também opta por não assumir exposição. O documento fundamenta essa posição na desaceleração da atividade econômica, aliada à incerteza nas esferas fiscal e política. Por sua vez, identifica como riscos adicionais a dinâmica dos preços do petróleo e uma possível deterioração das contas públicas.

No caso do Peru, o BofA mantém uma recomendação de subponderar. No entanto, o relatório esclarece que a instituição mantém uma visão positiva sobre as condições macroeconômicas do país. Nesse contexto, mantém exposição por meio de uma posição específica na IFS. Entre os riscos, menciona a instabilidade política em torno dos processos eleitorais.

A carteira latino-americana do BofA

A carteira do BofA para a América Latina é composta da seguinte forma:

  • Armina Educação (ARML3) de Brasil: 2,5%
  • JBS (JBSS3) do Brasil: 2,5%
  • Raia Drogasil (RADL3) de Brasil: 3%
  • Arca Continental (AC) do México: 3%
  • Assaí Atacadista (ASAI3) de Brasil: 2,5%
  • Coca-Cola Femsa (KOFUBL) do México: 3,5%
  • Sigmafa (ALFAA) do México: 3,5%
  • Petrobras (PETR4) de Brasil: 9,5%
  • Bradesco (BBDC4) de Brasil: 3%
  • Itaú Unibanco (ITUB4) do Brasil: 6%
  • B3 (B3SA3) de Brasil: 3%
  • BTG Pactual (BPAC11) de Brasil: 3%
  • Banco Macro (BMA) da Argentina: 3%
  • Genomma Lab (LABB) do México: 4%
  • IFS (IFS) no Peru: 4%
  • Regional (RA) do México: 4%
  • Rede D’Or (RDOR3) do Brasil: 2,5%
  • Hypera Pharma (HYPE3) do Brasil: 3%
  • Localiza (RENT3) de Brasil: 3%
  • Ecorodovias (ECOR3) de Brasil: 2,5%
  • Vale (VALE3) de Brasil: 7%
  • FUNO (FUNO11) do México: 3%
  • Vesta (VESTA) do México: 3,5%
  • Equatorial (EQTL3) de Brasil: 3,5%
  • Sabesp (SBSP3) de Brasil: 3%
  • Copel (CPLE6) de Brasil: 3%
  • Central Puerto (CEPU) da Argentina: 3%
  • TOTVS (TOTS3) do Brasil: 3%