Bloomberg — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não tentará reativar o acordo de cessar-fogo com o Irã que perdeu a validade, o que mantém em compasso de espera o conflito latente no Oriente Médio e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.
Questionado se buscaria uma prorrogação do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e pelo Irã em junho, Trump respondeu “não”. O acordo, que estabelecia um prazo de 60 dias para que as partes negociassem um acordo de paz duradouro, expirou formalmente na segunda-feira.
De todo modo, o cessar-fogo havia sido violado repetidas vezes, com confrontos esporádicos, e ambos os lados já o haviam declarado encerrado.
O petróleo Brent subiu até 1,1% nesta terça-feira, para US$ 91,85 o barril — o maior nível em mais de três semanas —, diante da redução das perspectivas de uma rápida reabertura de Ormuz, por onde passava um quinto do petróleo e do gás do mundo antes da guerra. Depois, devolveu a maior parte dos ganhos e era negociado perto de US$ 91.
Trump exige o restabelecimento da livre passagem pela rota marítima, enquanto o Irã afirmou que administrará o tráfego em conjunto com Omã.
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Vários navios foram atacados nos últimos dias ao longo da rota que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, e o tráfego corresponde hoje a uma fração do registrado antes da guerra.
Nesta terça-feira, a Marinha do Reino Unido informou que uma embarcação que saía do estreito foi atingida por um projétil, que danificou a casa de máquinas e deixou uma vítima.
Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador do Irã com os Estados Unidos, disse a parlamentares nesta terça-feira que Ormuz não será reaberto antes que os EUA suspendam o bloqueio aos portos, liberem ativos congelados, retirem as sanções ao petróleo e encerrem todas as operações militares — medidas que, segundo ele, o país concordou em adotar em junho.
“O regime está disposto a suportar grandes dificuldades e a impor grandes dificuldades à população para permanecer no poder”, disse Mark Cancian, consultor sênior do Center for Strategic and International Studies, à Bloomberg TV.
“Estamos no que chamo de uma guerra econômica de desgaste para ver quem consegue resistir por mais tempo, para ver quem consegue forçar o outro lado a fazer concessões.”
A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã e desencadearam conflitos paralelos que envolveram grande parte do Oriente Médio.
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Trump afirmou repetidas vezes que seu principal objetivo é impedir que a República Islâmica obtenha uma arma nuclear, algo que autoridades iranianas negam buscar.
Trump disse na segunda-feira que os Estados Unidos ainda têm poder de pressão sobre o Irã e citou o bloqueio naval dos portos do país.
Ele reiterou a ideia de declarar Ormuz território americano e insistiu que os EUA têm controle total — declarações que contradizem diretamente as de autoridades iranianas.
Irã e Omã negociam um acordo sobre como Ormuz deve ser administrado, mas os Estados Unidos não participam dessas conversas. Em entrevista por telefone à Fox News, Trump advertiu que, se “Omã ficar no caminho, vamos bombardeá-los pra c——”, sem dar mais detalhes, e repetiu uma ameaça semelhante feita em maio.
Omã não é formalmente um aliado militar dos Estados Unidos, mas tem atuado como um parceiro próximo na área de segurança.
Trump tem enfrentado dificuldades para encontrar uma saída para uma guerra que elevou os preços da gasolina e se tornou cada vez mais impopular nos Estados Unidos, com risco de reduzir o apoio aos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro.
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Ele e integrantes de seu governo prometeram intensificar a pressão econômica sobre o Irã para forçá-lo a capitular, mas não está claro quais medidas estão em análise, e a República Islâmica já resistiu a décadas de sanções.
A guerra danificou grande parte da capacidade industrial do Irã, reduziu drasticamente suas exportações de petróleo e fez a inflação disparar. Ghalibaf reconheceu que os cidadãos iranianos têm queixas econômicas legítimas, mas afirmou que deveriam priorizar a manutenção da unidade nacional.
Em outras partes da região, as Forças Armadas de Israel realizaram nos últimos dias ataques que, segundo afirmaram, tiveram como alvo o Hezbollah no sul do Líbano e o Hamas em Gaza, enquanto rebeldes houthis baseados no Iêmen atacaram navios no Mar Vermelho. Os três grupos militantes são apoiados pelo Irã.
Enquanto isso, Jared Kushner, genro de Trump e enviado para negociações de paz, visitou o Oriente Médio nesta semana para tentar acelerar um cessar-fogo em Gaza mediado pelos Estados Unidos e manteve conversas com mediadores e com as lideranças de Israel e do Hamas.
Kushner assegurou ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que as forças israelenses não serão obrigadas a deixar Gaza até que o Hamas se desarme completamente, segundo uma autoridade com conhecimento das conversas.
O Hamas insiste que Israel se retire do território palestino antes de entregar suas armas, embora a Agence France-Presse tenha citado o grupo nesta terça-feira dizendo que permanece comprometido com a trégua.
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